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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O ufanismo dos números revisitado: algumas observacoes - PRAlmeida

Retiro, do post abaixo,

O pouco ufanismo dos numeros de crescimento - Samuel Pessoa

Folha de S.Paulo, 21/10/2012 - 03h00

Baixo crescimento do Brasil

 que transcreve artigo de Samuel Pessoa sobre o crescimento brasileiro e de países latino-americanos, algumas frases e com elas faço minhas observações. A tabela pode ajudar a ver a realidade, para os que acham que números podem ser distorcidos à vontade:


 "Três fatos se depreendem da tabela. Primeiro, tanto no governo FHC quanto no governo Lula, o crescimento do Brasil foi muito próximo do crescimento da América Latina: 0,1 ponto percentual a mais para o governo FHC e 0,1 ponto percentual a menos para o governo Lula.
Ou seja, toda a aceleração de crescimento que houve do governo FHC para o governo Lula foi compartilhada pela América Latina.
Segundo, se compararmos o crescimento da economia brasileira com os demais dez países da tabela, houve piora significativa do governo FHC para o governo Lula.
No governo FHC, o crescimento da economia brasileira foi maior do que o crescimento de 6 dos 10 países da tabela. No governo Lula, somente ficamos à frente do México. Todos os demais nove países apresentaram um desempenho de crescimento superior ao nosso.
Terceiro, nosso desempenho no biênio 2011-2012 está bastante aquém do desempenho da América Latina: 2,1% para nós em comparação a 3,8% para a América Latina. Novamente, dos dez outros países da tabela, nosso desempenho só não é pior do que o do Paraguai.
Assim, parece que algo ocorreu nos últimos anos que aparentemente reduziu a capacidade de crescimento da economia brasileira a valores significativamente inferiores aos da América Latina.
"

 Ou seja, nem o governo Lula foi muito melhor do que o governo FHC em matéria de crescimento econômico, como gostam de se vangloriar os companheiros, nem o Brasil foi muito melhor do que a América Latina em geral, e os grandes países em particular, nesse terreno. Ou seja, fomos medíocres, ou não muito brilhantes, como se pode depreender dos números.
Mas o problema principal não está aí, e sim no padrão geral de crescimento. O Brasil parece ter estacionado num "modelo" -- se modelo existe, o que não acredito -- de baixo crescimento e nada parece sugerir que vai mudar muito nos próximos anos. O oba-oba todo com os Brics é uma cortina de fumaça que esconde a mediocridade do crescimento brasileiro.
Os brasileiros privilegiam o consumo e a distribuição, em lugar de crescimento e produtividade, e é isso que os governos Lula e Dilma lhes tem servido. Parece que eles estão contentes, pois o primeiro é ainda muito popular -- a despeito de seu governo ter sido dominado por uma quadrilha de meliantes criminosos, e de haver um grande mentiroso nessa história toda -- e a segunda continua ainda mais popular, com todo esse consumo estimulado artificialmente.
O problema é que esse medíocre crescimento traz acoplado inflação e perda de competitividade, ou seja, os brasileiros vão pagar um preço por esse "modelo" que está ai.
A escolha não foi feita por eles, mas pelo governo.
E nós todos vamos pagar um preço por isso. 
Paulo Roberto de Almeida 
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