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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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terça-feira, 21 de março de 2017

Stefan Zweig e o Brasil: nota à imprensa



A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) e o Instituto Rio-Branco (IRBr) promovem nesta data, 21 de março, no auditório Embaixador João Augusto de Araújo Castro, debate sobre a obra do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942) e sua estada no Brasil.

O debate começará às 15h. A entrada é franca. Terá a participação do ex-ministro Celso Lafer, professor emérito da Universidade de São Paulo; de Kristina Michahelles, jornalista, tradutora e diretora da Casa de Stefan Zweig em Petrópolis; e do historiador Israel Beloch, que coordenou a edição do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, editado pela Fundação Getúlio Vargas.

Jornalista na juventude, Stefan Zweig tornou-se, a partir da década de 1920, um dos escritores mais famosos e vendidos em todo o mundo. Em 1936, visitou o Brasil pela primeira vez, sendo homenageado pelo Governo brasileiro. Pronunciou, no Rio de Janeiro, a palestra “A Unidade Espiritual do Mundo”, em que repudiava a visão xenófoba e intolerante à época dominante na sua própria patria e na Alemanha. Com a ascensão do nazismo, exilou-se, a partir de 1934, na Inglaterra, visitando novamente o Brasil, ainda que rapidamente, em 1940, quando recolhe elementos para escrever, em 1941, “Brasil, País do Futuro”, obra em que enaltecia a diversidade presente na formação do povo brasileiro. Depois de breve estada em Nova York, mudou-se para o Brasil no segundo semestre de 1941, mas decidiu-se pelo suicídio em fevereiro de 1942, em Petrópolis, onde tinha instalado residência, profundamente deprimido com o avanço do nazismo na Europa. Ali terminou suas memórias, “O Mundo de Ontem”, na qual descreve o ambiente de liberdade e segurança desfrutado na Europa antes da Grande Guerra. Em sua carta de despedida, reafirmou seu amor pelo Brasil, cuja diversidade e tolerância eram, para ele, motivo de admiração diante de uma Europa que se autodestruía com a Segunda Guerra Mundial.

Depois do debate, o Professor Celso Lafer e o Doutor Israel Beloch autografarão o livro universal (em cinco línguas) editado por este último a partir da conferência de Stefan Zweig no Brasil, sobre “A Unidade Espiritual do Mundo”, que será lançado na ocasião, e que conta com estudo de Lafer sobre o pacificismo de Zweig.

O auditório do Instituto Rio-Branco fica no SAFS Quadra 05, lotes 2 e 3. Tem capacidade para 117 pessoas.

Stefan Zweig e o Brasil: cultura no Instituto Rio Branco


Stefan Zweig  e o Brasil
Auditório Embaixador João Augusto de Araújo Castro, Instituto Rio Branco (IRBr)
 21 de março de 2017

Horário
Atividade / Local
15h
Mesa de abertura
·       Ministro Sérgio Barreiros de Santana Azevedo, Diretor-geral-adjunto do IRBr
·       Embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, Presidente da Funag
·       Ministra-conselheira Isabella Tomás, Embaixada da Áustria
·      Professor Celso Lafer
15h30
Exibição de documentário sobre Stefan Zweig no Brasil
Ministro Paulo Roberto de Almeida apresenta a ordem das palestras
15h45
Apresentações
·       Israel Beloch, Memória Brasil: livro “A unidade espiritual do mundo”
·       Kristina Michahelles, Casa Stefan Zweig: Stefan Zweig, vida e obra
·       Celso Lafer, introdução ao livro “A unidade espiritual do mundo”
·       Debates
18h
Sessão de autógrafos e coquetel

sexta-feira, 17 de março de 2017

Stefan Zweig e o Brasil: palestra do prof. Celso Lafer (IRBr, 21/03)



Stefan Zweig e o Brasil

com a presença do ex-chanceler Celso Lafer, 
do editor Israel Beloch, 
e da tradutora Kristina Michahelles, da Casa Stefan Zweig (Petropolis, RJ), 
a ser realizada no Instituto Rio Branco, em 21 de março. 


Elaborei uma pequena informação sobre Stefan Zweig, 
postada na plataforma Academia.edu
e em Research Gate:

domingo, 12 de março de 2017

Stefan Zweig e o Brasil: guia sobre o escritor - Paulo Roberto de Almeida


“Stefan Zweig e o Brasil”, Brasília, 5 março 2017, 27 slides. Apresentação em Power Point para a palestra sobre Stefan Zweig, com a presença do ex-chanceler Celso Lafer, do editor Israel Beloch, e da tradutora Kristina Michahelles, da Casa Stefan Zweig (Petropolis, RJ), a ser realizada no Instituto Rio Branco, em 21 de março. Transformado em artigo em Word, para circulação mais ampla. Postado na plataforma Academia.edu (12/03/2017; link: http://www.academia.edu/31826161/Stefan_Zweig_e_o_Brasil) e em Research Gate (https://www.researchgate.net/publication/314720659_Stafan_Zweig_e_o_Brasil?ev=prf_pub).

Um pouco de informação sobre o escritor austríaco, em previsão do seminário abaixo: 
 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

E ja que falamos em Zweig: resenha de duas obras sobre o Brasil, pais de (do?) futuro - Paulo Roberto de Almeida

Fiz esta resenha dupla mais de dez anos atrás, mas acabo de me lembrar, em função desses trabalhos, livros e seminários sobre Stefan Zweig, o maior escritor da primeira metade do século XX, que se suicidou no Brasil 72 anos atrás, no Carnaval, justamente.
Paulo Roberto de Almeida 



Futuro preterido?: Zweig e um projeto para o Brasil

Paulo Roberto de Almeida

João Paulo dos Reis Velloso e Roberto Cavalcanti de Albuquerque (coords.):
Brasil, um país do futuro?
(Rio de Janeiro: José Olympio, 2006, 154 p.)

Projeto de Brasil: opções de país, opções de desenvolvimento
(Rio de Janeiro: José Olympio, 2006, 222 p.).


O Fórum Nacional do ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso sempre organiza, ademais dos encontros anuais, foros especiais dedicados a temas específicos. Em 2006 foram organizados dois, conectados pelo tema comum de se lograr um “projeto de Brasil”, suas opções de país e de desenvolvimento. Estes dois livros resultam desse esforço de diagnóstico e de proposição.
Stefan Zweig teria gostado de assistir ao seminário que lhe foi dedicado, em setembro de 2006, por ocasião do 125º aniversário de seu nascimento e dos 65 anos da publicação do seu livro tão famoso, quanto desconhecido (hoje), terminado poucos meses antes do suicídio do autor, no carnaval de 1942, em Petrópolis. Ele concordaria com o artigo indefinido e talvez até com o ponto de interrogação. A primeira edição brasileira modificou o título original, agora restabelecidoBrasilien, ein land der Zukunft, não der land e o colóquio agregou a condicionalidade, refletindo o ceticismo dos examinadores quanto à utopia não realizada. No essencial, Zweig provavelmente se alinharia aos argumentos dos seus revisores contemporâneos.
Alberto Dines, autor de uma biografia que pode considerar-se completa do escritor austríaco – Morte no Paraíso: a tragédia de Stefan Zweig (3ª ed.; Rio de Janeiro: Rocco, 2004) –, considera que Zweig, depois de assinar mais de quarenta biografias de personalidades mundiais, fez a biografia de uma nação, no “inferno do Estado Novo”. Como ele diz, essa obra “tornou-se a crônica mais conhecida e a menos discutida, a mais celebrada e mais negligenciada” do Brasil. Ela foi um dos primeiros lançamentos simultâneos da história editorial mundial: oito edições em seis línguas diferentes. Em vista dos percalços recentes no processo de crescimento, parece difícil concordar com Zweig em que, “quem conhece o Brasil de hoje, lançou um olhar sobre o futuro”.
Bolívar Lamounier e Regis Bonelli examinam, respectivamente, os avanços políticos e econômicos obtidos pelo Brasil desde que Zweig traçou seu diagnóstico sobre o Brasil do início dos anos 1940. Para Lamounier, o Brasil é um país de “muitos futuros”, mas ele critica as utopias institucionais que frequentemente pretendem revolucionar a participação e as formas de se fazer política no país: a romântico-participativa da democracia direta,  a do parlamentarismo clássico que ressurge sempre em momentos de crise e a utopia barroca do presidencialismo plebiscitário. Já Bonelli opera uma “volta para o futuro” ao examinar os elementos de continuidade e de mudança na esfera econômica: o Brasil certamente mudou muito, nesse terreno, mas a propensão a esperar tudo do Estado permanece, assim como uma certa desconfiança dos mercados externos. Algumas mudanças foram na direção errada, como o aumento na tributação, outras permanências são irritantes, como a péssima distribuição de renda e as incertezas jurídicas. Finalmente, o “fantasma do estrangulamento externo” estaria, de fato, superado?
Boris e Sérgio Fausto acrescentam um ponto de interrogação ao título de Zweig, temperando o otimismo do autor com certa dose de pessimismo. Não se trata do niilismo da esquerda, que vê na “dominação imperialista” a razão do nosso atraso. O duplo nó górdio da carga tributária e do gasto público limita hoje as possibilidades de crescimento. João Luís Fragoso analisa a “equação” de Zweig para o Brasil: concentração de poder + tolerância. Três comentários finais tratam das promessas não cumpridas de um olhar estrangeiro, do futuro que já chegou sob a forma da votação eletrônica e das dificuldades para a retomada de taxas razoáveis e sustentáveis de crescimento. No conjunto, o livro oferece uma boa visita ao que se poderia chamar de “futuro do pretérito”.

O segundo livro, Projeto de Brasil, é na verdade uma tripla obra. A segunda parte apresenta dois estudos de especialistas acadêmicos sobre emprego e inclusão digital. A terceira parte consiste, tão simplesmente, na transcrição (talvez dispensável, em retrospecto) da visão de Brasil defendida pelos quatro principais candidatos nas eleições presidenciais de 2006: Lula, Alckmin e Heloisa Helena, pelos respectivos coordenadores de campanha, e Cristovam Buarque, pelo próprio. Digo dispensável porque qualquer um deles, se eleito, dificilmente seguiria as pomposas recomendações dos respectivos programas, que a rigor não possuíam nenhuma importância substantiva. A primeira e mais importante parte constitui uma síntese, por João Paulo dos Reis Velloso, de propostas para uma agenda nacional, com base em todas as ideias de modernização do Brasil formuladas desde o surgimento do Fórum por ele presidido, em 1988. Ele consegue resumir claramente os principais obstáculos ao desenvolvimento do país, mostrando-o como um “Prometeu acorrentado”, que vive hoje uma crise de “autoestima”, em uma “era de expectativas limitadas” (apud Paul Krugman).
As opções de país que ele propõe são, nominalmente: o desenvolvimento como valor social, prioridade máxima à segurança, reforma política para construir um sistema político moderno, um Estado “inteligente” (com legislativo e judiciário modernos), a revolução do império da lei, da equidade, da tolerância e dos valores humanistas e a opção por uma sociedade moderna. Quanto às opções de desenvolvimento, elas consistem em três conjuntos de tarefas: a criação de bases para um crescimento sem dogmatismos, uma estratégia de desenvolvimento baseada na inovação e na sociedade do conhecimento e o progresso com inclusão social e portas de saída para os pobres. Ele conclui dizendo que subdesenvolvimento não é destino, é apenas o reflexo de opções equivocadas. Oxalá o Prometeu pudesse tomar consciência de quais são elas, exatamente. Aparentemente, além das correntes estatais, ele está com um pouco de cera nos ouvidos e ainda usa viseiras conceituais.

Brasília, 26 de janeiro de 2007.
Publicada em Desafios do Desenvolvimento
(Brasília: IPEA-PNUD, ano 4, n. 31, fevereiro de 2007)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Stefan Zweig: 75 anos de sua morte - Casa Stefan Zweig de Petropolis tem eventos


Stefan Zweig foi considerado o best-seller de sua geração na Europa, embora para muitos, especialmente no Brasil, ficou conhecido apenas após sua trágica morte em Petrópolis. E é na Cidade Imperial onde hoje funciona um memorial da vida e obra do escritor austríaco, a Casa Stefan Zweig. Mais do que o trabalho de Zweig, o museu é dedicado aos refugiados da Europa nazista durante os anos 1930 e 1940 e é um dos atrativos que integram o Passaporte Cultural de Petrópolis. Neste ano, o espaço terá um calendário especial de eventos no primeiro semestre para marcar os 75 anos de morte de Stefan Zweig, completados nesta quinta-feira (23.02).

Um patrimônio de Petrópolis e do mundo, o museu está localizado na casa onde o escritor e a esposa Lotte se exilaram por cinco meses até que não suportaram a depressão, solidão, as notícias da guerra que se intensificavam e puseram fim às suas vidas. Zweig e Lotte ingeriram veneno e morreram em sua última morada em Petrópolis, no número 34 da Rua Gonçalves Dias.

Mais do que a triste lembrança de sua morte, Zweig deixou um legado com seus pensamentos e textos, muito à frente do seu tempo, chegando a ser o autor mais traduzido do mundo, best-seller em mais de 50 países. Suas biografias como Maria Antonieta, Fouché, Erasmo de Roterdã e Magalhães são reeditadas até hoje. Parte de sua obra, inclusive, teve o país que escolheu como sua pátria, ainda que temporariamente, como inspiração, como o livro “Brasil um país do futuro”. Nele, Zweig narra e exalta as qualidades da terra tupiniquim, mais ainda da pluralidade e hospitalidade do povo que o acolheu.

E é essa humanidade característica do povo brasileiro que encantou o escritor, conhecido por seu estilo pacificador, que ambienta a Casa Stefan Zweig. O museu, inaugurado em 2012, foi criado para lembrar de Zweig e de todos os outros exilados que compartilharam com ele o destino do exílio. O espaço, que recebe visitantes do Brasil e do mundo inteiro, também já se tornou uma referência para pesquisadores. O local, no entanto, não transmite a tristeza que levou o casal a tirar sua vida, mas a herança que Zweig deixou, entre ela pensamentos que traduzem com perfeição os dias de hoje.



“Não é uma casa de tristeza, lembrando morte. Queremos lembrar a vida e o legado que ele deixou. É um museu informativo, no qual queremos passar o trabalho incrível que ele fez. O visitante chega e tem a oportunidade de conhecer quem foi Stefan Zweig”, contou a coordenadora da CSZ, Dora Martini.



Casa Stefan Zweig tem programação especial



Um centro cultural ativo, com exposições, recitais, palestras, campeonatos de xadrez e oficinas para professores, a Casa Stefan Zweig está integrada ao roteiro cultural de Petrópolis, sendo um dos atrativos do Passaporte Cultural com programação variada. Neste ano especial, para homenagear os 75 anos de morte de Stefan Zweig - cuja obra teve um "revival" no mundo inteiro através da reedição de livros, de novos filmes e de artigos na imprensa dos principais países – o museu preparou um extenso calendário de eventos culturais ao longo do primeiro semestre com atividades na CSZ e em outros espaços.

Já está em cartaz a exposição “Stefan Zweig, escritor de cartas”, que pode ser visitada de sexta a domingo, de 11 às 17h, mesmo horário de funcionamento da CSZ, que tem entrada gratuita. Em março, será ministrado minicurso sobre o escritor austríaco, em parceria com a UCP, no Museu Imperial e acontece a pré-estreia no Brasil do filme “Depois da Aurora” (Vor der Morgenröte), de Maria Schrader. A data ainda não foi divulgada.

Em parceria com a editora Memória Brasil, a CSZ lança o livro “Unidade espiritual do mundo”, conferência proferida por Zweig por ocasião de sua primeira viagem ao Rio de Janeiro, em 1936.  O livro será lançado durante o simpósio “Stefan Zweig e o Brasil”, que acontecerá no Itamaraty, em Brasília, no dia 21 de março, e, depois, em São Paulo, Petrópolis, Rio de Janeiro, Florianópolis e Curitiba.

Em maio, no dia 2, começa na Casa da Europa (antiga Maison de France), no Rio de Janeiro, a exposição “Três humanistas: Stefan Zweig, Romain Rolland e Joseph Roth”. No dia 9, no Dia da Europa, haverá um simpósio sobre os três escritores e um coquetel com lançamento do livro “Unidade Espiritual do Mundo”.

Também será lançado, pela Zahar, o volume “A curar pelo espírito”, com posfácio de Alberto Dines e tradução de Kristina Michahelles, com perfis de Sigmund Freud, Franz Mesmer e Mary Baker-Eddy, assim como a correspondência inédita entre Zweig e Freud.



Programação permanente



Além da programação especial, o visitante pode conferir as atividades que são oferecidas permanentemente no espaço. No museu, que é multimídia, logo que chega o visitante pode assistir a um breve filme intitulado "A última morada de Stefan Zweig". O vídeo ambientaliza o visitante e o ajuda a entender o processo de depressão do autor. Talvez o maior estudioso, pesquisador e divulgador no Brasil da vida e obra de Stefan Zweig, além de presidente-diretor da CSZ e o grande idealizador do projeto, o jornalista Alberto Dines narra um vídeo no qual conta a história da famosa casa no Valparaíso. Além desse, narra outro filme exibido nas sessões multimídias, uma conversa com o também jornalista Flávio Tavares sobre a novela “Xadrez”, escrita por Zweig na casa.

Todos os meses, sempre no último sábado, acontece exibição de filmes sobre o exílio. No dia 25 de março serão perfis dos críticos e tradutores Otto Maria Carpeaux, Herbert Caro e Paulo Rónai. No dia 29 de abril perfis dos fotógrafos Kurt Klagsbrunn, Jean Manzon e Hans-GünherFlieg. Já em maio, no dia 27, tem perfis dos dramaturgos Gianfrancesco Guarnieri, Zbigniew Ziembinski e ZygmuntTurkow. E no dia 24 de junho, os livreiros Eva Herz, Walter Geyerhahn e Erich Eichner e Susanne Bach.

Stefan Zweig: o escritor que sonhava de um mundo sem fronteiras - BBC

Vou fazer, como Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, IPRI-Funag-MRE, um encontro, "Stefan Zweig e o Brasil", com a apresentação de seus livros, ideias, inspirações e sentimentos, com a participação do ex-chanceler Celso Lafer, que introduziu um dos livros publicados, "A Unidade Espiritual do Mundo" (uma conferência que Zweig fez no Rio de Janeiro, em 1936, quando de sua primeira passagem pelo Brasil), de Israel Beloch, o organizador da obra, e de Kristina Michahelles, tradutora de Zweig e diretora da Casa Stefan Zweig de Petrópolis. Será feito no Instituto Rio Branco, em Brasília, no dia 21 de março, às 15hs, com o patrocínio da Embaixada da Áustria. Sejam todos bem-vindos...
Eu me permitiria agregar, em relação à matéria abaixo, que a melhor biografia de Stefan Zweig, NO PLANO UNIVERSAL, é, sem dúvida alguma, a de Alberto Dines: Morte no Paraíso. Busquem nos sebos...
Paulo Roberto de Almeida

http://www.bbc.com/culture/story/20170221-zweig-the-writer-who-dreamed-of-a-world-without-borders?ocid=ww.social.link.email

 Zweig: the writer who dreamed of a world without borders
The exiled author killed himself in despair over Nazism. But before he did, he said Brazil had become what he hoped Europe could be, writes Benjamin Ramm.

Seventy-five years ago, in February 1942, Europe’s most popular author committed suicide in a bungalow in the Brazilian town of Petrópolis, 10,000 km (6,200 miles) from his birthplace in Vienna. In the year before his death, Stefan Zweig completed two contrasting studies – The World of Yesterday: Memoirs of a European, an elegy for a civilisation now consumed by war, and Brazil: Land of the Future, an optimistic portrait of a new world. The story of these two books, and of the refugee who wrote them, offers a guide to the trap of nationalism and the trauma of exile.
Austria-Hungry provided Zweig with a template of cultural plurality in the face of nationalism
Zweig was born in 1881 into a prosperous and cultured Jewish family in Vienna, capital of the multi-ethnic Habsburg empire, where Austrians, Hungarians, Slavs and Jews, among many others, co-existed. Their ruler was the polyglot Franz-Joseph I, who decreed at the start of his reign in 1867 that “All races of the empire have equal rights, and every race has an inviolable right to the preservation and use of its own nationality and language”.
Franz-Joseph was a stiff-necked autocrat, and his reign should not be romanticised, but it provided Zweig with a template of cultural plurality at a time when Europe was consuming itself in nationalism. His biographer George Prochnik notes that Zweig called for the foundation of an international university, with branches in every major European capital and a rotating exchange programme that would expose young people to other ethnicities and religions.
(Credit: Alamy)
Before settling in Brazil, Zweig lived for a while in Ossining, New York – where he was photographed in 1941 (Credit: Alamy)
Zweig began to write The World of Yesterday after leaving Austria in 1934, anticipating the Nazification of his homeland. He completed the first draft in New York in summer 1941, and posted the final version, typed by his second wife Lotte Altmann, to his publisher the day before their joint suicide. By then, the Habsburg empire had “vanished without trace”, he writes, and Vienna was “demoted to the status of a German provincial town”. Zweig became stateless: “So I belong nowhere now, I am a stranger or at the most a guest everywhere”.
(Credit: Emma Bridget Byrne)
Zweig settled in Petrópolis, just north of Rio de Janeiro – the town was named after Pedro II, the last emperor of Brazil (Credit: Emma Bridget Byrne)
Zweig’s memoir is illuminating in its portrait of the disorienting nature of exile. In the cities in which Zweig had been celebrated, his books were now burnt; the golden era of “security and prosperity and comfort” had given way to revolution, economic instability and nationalism, “the ultimate pestilence that has poisoned the flower of our European culture”. Time itself was ruptured: “all the bridges are broken between today, yesterday and the day before yesterday”.
Without a trace
One of Zweig’s greatest anxieties was the loss of his linguistic home. He expressed “a secret and tormenting shame” that Nazi ideology was “conceived and drafted in the German language”. Like the poet Paul Celan, who committed suicide in Paris, Zweig felt that the language of Schiller, Goethe and Rilke had been occupied by Nazism, and irredeemably deformed. After moving to England, he felt “imprisoned in a language, which I cannot use”.
Zweig writes of a time you could visit India and the US without a passport or visa
In The World of Yesterday, Zweig describes the ease of borderless travel prior to 1914 – of visiting India and the US without the need for a passport or visa – a situation inconceivable to the interwar generation. Now he, like all refugees, faced the humiliation of negotiating an unwieldy bureaucracy. Zweig described his intense “Bureauphobia” as immigration officials demanded ever more proof of identity, and he joked to a fellow refugee that his job description was “Formerly writer, now expert in visas”.
(Credit: Alamy)
Zweig was among Europe’s most popular writers during the 1920s and ‘30s and film-makers adapted his works – his novel Fear became Roberto Rossellini’s La Paura (Credit: Alamy)
As Hitler’s forces spread across Europe, Zweig moved from his lodging in Bath in the UK to Ossining, New York. There he was almost unknown to all but his fellow refugees, who lacked his connections and material comforts, and frequently appealed to his legendary generosity. Zweig never felt at home in the US – he regarded Americanisation as the second destruction of European culture, after World War One – and hoped to return to Brazil, which enchanted him during a lecture tour in 1936.
(Credit: Alamy)
Perhaps Zweig’s best-known novel was Letter from an Unknown Woman, which became a film by Max Ophüls in 1948, starring Joan Fontaine and Louis Jourdan (Credit: Alamy)
Brazil: Land of the Future is a lyrical celebration of a nation whose beauty and generosity profoundly impressed Zweig. He was surprised and humbled by the country, and admonished himself for his ignorance and “European arrogance”. Zweig outlines Brazil’s history, economy, culture and geography, but the real insight of the book comes from the perspective he gains about his own continent.
There is no colour-bar, no segregation, no arrogant classification – Zweig
Brazil becomes, in Zweig’s description, everything he would like Europe to be: sensual, intellectual, tranquil and averse to militarism and materialism. (He even claims that Brazilians lack the European passion for sport – a bizarre assertion, even in 1941). Brazil is free of Europe’s “race fanatics”, its “frenzied scenes and mad ecstasies of hero-worship”, its “foolish nationalism and imperialism”, its “suicidal fury”.
(Credit: Fox Searchlight)
Wes Anderson paid tribute to Zweig in the end credits of The Grand Budapest Hotel, a film which Anderson says the writer inspired (Credit: Fox Searchlight)
In its cadences and colours, Brazil was radically different from Zweig’s repressed image of Habsburg Vienna, but the beauty of its hybrid identity seemed to vindicate his outlook. In Brazil, the descendants of African, Portuguese, German, Italian, Syrian and Japanese immigrants mixed freely: “all these different races live in fullest harmony with each other”. Brazil teaches ‘civilised’ Europe how to be civilised: “Whereas our old world is more than ever ruled by the insane attempt to breed people racially pure, like race-horses and dogs, the Brazilian nation for centuries has been built upon the principle of a free and unsuppressed miscegenation... It is moving to see children of all colours – chocolate, milk, and coffee – come out of their schools arm-in-arm… There is no colour-bar, no segregation, no arrogant classification... for who here would boast of absolute racial purity?”
‘Paradise’
This paean proved hugely popular with the public, and thousands of Brazilians attended Zweig’s lectures, while his daily itinerary was printed in every major newspaper. But the book was lambasted by critics: Prochnik notes that, for three days in a row, Brazil’s leading newspaper published withering reviews, accusing Zweig of ignoring the country’s industrial and modernist innovations.
(Credit: Wikipedia/Eduardo P)
Zweig’s writing in praise of Brazil made him popular there – several locations are even named after him (Credit: Wikipedia/Eduardo P)
More controversial was Zweig’s fulsome praise for Brazil’s dictator, Getúlio Vargas. In 1937, Vargas had declared the Estado Novo (New State), inspired by authoritarian rule in Portugal and Italy. Vargas shut down Brazil’s congress and imprisoned left-wing intellectuals, some of whom assumed that Zweig had been paid for his praise, or at least offered a visa. Vargas’ government had curtailed Jewish immigration on racial grounds – but made an exception for Zweig, due to his fame.
This troubling episode reveals Zweig’s political naivety. A pacifist and conciliator by nature, Zweig feared inciting hostility at a crucial moment (Vargas finally sided with the Allies in January 1942). Seeking seclusion, Stefan and Lotte ensconced themselves in the elegant former German settlement of Petrópolis, 40 miles (64 km) outside Rio.
Zweig believed in a world beyond borders, but he became defined by them
“It is Paradise”, wrote Zweig of the lush Alpine landscape, which “seems to be translated from the Austrian into a tropical language”. Zweig sought to forget his old books and friendships, and seek “inner freedom”. But at Carnival in Rio, he learned of Nazi advances in the Middle East and Asia, and a sense of doom descended. Zweig felt he could never be free, or free from fear. “Do you honestly believe that the Nazis will not come here?” he wrote. “Nothing can stop them now.”
Zweig believed in a world beyond borders, but he became defined by them: “My inner crisis consists in that I am not able to identify myself with the me of my passport, the self of exile”. This haunted Zweig (“We are just ghosts – or memories”), and he wrote in his suicide note of being “exhausted by long years of homeless wandering”. Stefan and Lotte shared this resignation: “We have no present and no future… We decided, bound in love, not to leave each other”.
In Petrópolis, I visited Zweig’s bungalow, which now serves as an “active museum”, according to Tristan Strobl, who works there on national service as an Austrian Holocaust Memorial Servant. He showed me an interactive display of all the refugees that came to Brazil between 1933 and 1945, highlighting their contributions. “This period was such a loss for the intellectual life of Europe”, says Tristan, “but for Brazil and the other countries that received these exiles, it was hugely positive”. The darkest decade of the old world brought light to the new.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Stefan Zweig no Brasil: livro sobre sua primeira viagem, em 1936

Já sob o impacto da Lei de Segurança Nacional, mas ainda antes do Estado Novo. Em todo caso, ele foi muito bem recebido, com todo o apoio do Itamaraty, como convinha ao maior escritor da época, um dos grandes intelectuais do século.
Paulo Roberto de Almeida

Versal Editores, Casa Stefan Zweig e Goethe-Institut apresentam

8O ANOS DA CHEGADA DE STEFAN ZWEIG AO BRASIL

Em 21 de agosto de 1936, o RMS Alcântara atracou no porto do Rio de Janeiro trazendo a bordo uma celebridade: o austríaco Stefan Zweig, um dos maiores sucessos literários do mundo. De passagem para uma conferência do P.E.N. Club em Buenos Aires, essa escala de pouco mais de uma semana no Rio de Janeiro foi decisiva: Zweig se encantou pelo país. Registrou suas impressões no texto que intitulou "Pequena viagem ao Brasil", precursor do famoso "Brasil, um país do futuro".

Outras duas vezes Zweig haveria de desembarcar no mesmo porto: em 1940 e em 1941, já para vir morar em Petrópolis, onde ele e sua segunda mulher, Lotte, decidiram pôr um fim à vida em fevereiro de 1942, no meio da Segunda Guerra Mundial. Como diz seu biógrafo Alberto Dines em Morte no paraíso, a tragédia de Stefan Zweig: "Morreu pouco depois de completar 60 anos. De tanto retornar, revive. Stefan Zweig matou-se, mas recusa desaparecer. Está vivo."

Para falar dos 80 anos desde que Zweig pisou pela primeira vez no Brasil, a Versal Editores e o Goethe-Institut convidam dois diretores da Casa Stefan Zweig de Petrópolis: Tobias Cepelowicz (que, garoto, testemunhou a ida de Zweig a uma escola judaica no Rio) e Kristina Michahelles, tradutora de diversas livros de sua obra.

PALESTRANTES: Kristina Michahelles (Jornalista, tradutora de diversas obras do autor e diretora da Casa Stefan Zweig) e Tobias Cepelowicz (Diretor da Casa Stefan Zweig)
DIA E HORÁRIO: 18 de novembro, das 18h30 às 19h45
LOCAL: Biblioteca do Goethe-Institut Rio de Janeiro (Rua do Passeio, 62, 2° andar - Centro)
ENTRADA FRANCA

Convite
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domingo, 25 de setembro de 2016

Stefan Zweig: 80 anos atras, em 1936, chegava ao Brasil pela primeira vez - exposicao no RJ

Em 1936, no auge da sua fama, mas já praticamente um exilado do nazismo montante, Stefan Zweig chegava ao Brasil pela primeira vez, para um tour cultural erudito.
Este livro retoma seus escritos sobre as primeiras impressões de Zweig sobre o Brasil de 1936, depois da Intentona Comunista (e já sob o império da Lei de Segurança Nacional, mas antes do golpe do Estado Novo, de novembro de 1937).

No início da guerra europeia, considerado um "enemy alien" na Inglaterra, ele escolheu o Brasil para se exilar.
Dois anos depois de aqui chegar, deprimido, ele se suicida com sua segunda mulher, Lotte, em Petropolis, no Carnaval de 1942, uma imensa perda para o mundo intelectual, deixando suas memórias póstumas (mas que chega apenas até a Grande Guerra, praticamente).
A melhor biografia de sua vida e obra é a de Alberto Dines, Morte no Paraíso, que recomendo vivamente.

Cartaz da exposição da Casa Stefan Zweig que abre no dia 5 de outubro, homenageando o escritor que chegou ao Brasil pela primeira vez em 1936.

domingo, 24 de maio de 2015

Stefan Zweig e Ernst Feder: palestra de Marlen Eckel, Casa Stefan Zweig, Petropolis, RJ, 2/06/2015



   
C O N V I T E
palestra
“A flor do exílio”

A amizade de Stefan Zweig e Ernst Feder vista a partir do Diário Brasileiro de Feder


Stefan Zweig



Ernst Feder

O Museu Judaico do Rio de Janeiro e a Casa Stefan Zweig têm a satisfação de convidar seus sócios e amigos para a palestra da historiadora alemã Marlen Eckl:

"A flor do exílio – A amizade de Stefan Zweig e Ernst Feder vista a partir do Diário Brasileiro de Feder"

Marlen Eckl é mestre em Letras e Estudos Judaicos e doutora em História pela Universidade de Viena (Áustria). É colaboradora e consultora da CASA STEFAN ZWEIG de Petrópolis e pesquisadora sênior do LEER/USP e do Instituto Shoah de Direitos Humanos, São Paulo.

A palestrante abordará a trajetória do jornalista Ernst Feder e da sua amizade com Stefan Zweig no exílio brasileiro. Feder, jurista e editor responsável de política do Berliner Tageblatt por muitos anos, foi um dos jornalistas alemães mais prestigiosos e internacionalmente conhecidos. Em 1933, por ser judeu e devido à sua atitude política, teve que deixar a Alemanha. Foi o último amigo a ver o casal Lotte e Stefan Zweig na véspera do seu suicídio.

Terça-feira, 2 de junho de 2015, 17h
ENTRADA FRANCA

Local: Rua México, 90 – sala 110, Centro, Tel: 2240-1598 / 2524-6451
Metrô: Estação Cinelândia, saída pela Pedro Lessa