O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A Integracao Brasil-Argentina: livro de Alessandro Candeas (livremente disponivel)

FUNAG lança segunda edição da obra
A Integração Brasil-Argentina - História de uma ideia na “visão do outro”


A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) publicou a segunda edição revista da obra A Integração Brasil-Argentina – História de uma ideia na “visão do outro”, do diplomata Alessandro Candeas.

O livro apresenta um panorama das relações bilaterais e da aliança estratégica Brasil-Argentina, a fim de ampliar o conhecimento na área da política externa. O objeto da obra é apontar, nos planos das ideias e da história, a transição do relacionamento bilateral de um padrão de rivalidade para o de cooperação e, gradualmente, integração. A primeira edição foi publicada em 2010.

O livro está disponível para download gratuito na biblioteca digital da FUNAG.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Era dos Gigantes, documentario de Mauricio Costa, um filme sobre o lulopetismo diplomatico

Ao dizer que o excelente documentário do Mauricio Costa é sobre o assim chamado (por mim mesmo) de lulopetismo diplomático, não quero com isso dizer que ele tenha estado, ou esteja, a serviço dessa deformação fundamental de nossa política externa dos anos 2003-2016. O filme é honesto, objetivo, apenas que os lulopetistas diplomáticos se expressaram mais do que os antipetistas na política externa nesse documentário, mas isso não é culpa do autor, que buscou todas as vozes, e só encontrou, basicamente, uma contra: a do embaixador Rubens Barbosa, e uma meia voz crítica, a do embaixador, ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, já falecido.
Adoradores do chefe da quadrilha podem me chamar de sectário, mas eu tenho minhas razões para condenar in totum, os treze anos de política externa deformada, e não são razões pessoais, como muitos querem acreditar, e sim fatores objetivos, pois acho que essa política externa foi ruim para o país, e o que não foi ruim deveu-se ao Itamaraty, e não aos companheiros (inclusive certos aliados petistas-diplomatas). Essas razões estão expostas em dezenas de artigos e palestras, e pelo menos um livro, que vou expor novamente aqui.
Por enquanto, posto novamente as minhas notas feitas na ocasião da sua divulgação pública, no Uniceub, e não no Itamaraty, como poderia ter sido o caso.
Paulo Roberto de Almeida


Era dos Gigantes: um documentário sobre a diplomacia lulopetista

Paulo Roberto de Almeida
 [Comentários sobre o filme de Mauricio Costa, para debate sobre o documentário]


As notas abaixo se destinam a consolidar algumas reflexões pessoais sobre o documentário do diplomata-cineasta Mauricio Costa, #Era dos Gigantes (122 min., 2016), sobre a política externa brasileira na era Lula, com material de imprensa, depoimentos primários dos principais atores, e comentários de analistas acadêmicos ou dos meios de comunicação, obra que retrata o confronto entre os principais personagens da política externa de Lula, seus opositores, analistas e opinião pública na era das redes sociais. Com entrevistas, pesquisa de notícias, imagens de arquivo e inserção de tweets originais, o filme, segundo seu diretor, procura responder à importante questão sobre se a política externa do presidente Lula defendia os interesses do seu partido, o PT, ou se os interesses do Brasil.
A exibição, única e exclusiva, desse documentário foi feita em duas sessões, no dia 28/10/2016, no Uniceub, pela manhã no seu campus de Taguatinga, pela noite no campus central, da Asa Norte em Brasília. As informações básicas do documentário foram disponibilizadas no seguinte link: http://www.festbrasilia.com.br/mostra/era-dos-gigantes/78. O trailer do filme pode ser visto pelos interessados no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=ZCv9N49ZZNY. O próprio diretor-cineasta efetuou breve introdução ao documentário, após cuja projeção o diplomata Rômulo Neves fez seus comentários, seguidos por uma exposição livre de meus próprios comentários, tal como sumariados abaixo, abrindo-se então o debate geral com o público presente.

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1)  Enquanto produto audiovisual, trata-se de obra única e original (pelo menos até o momento) sobre a diplomacia lulopetista, a despeito do imenso volume (nem sempre de qualidade) de propaganda produzida em causa própria que o regime lulopetista fez por canais próprios, com o nosso dinheiro, ou por meio de seus múltiplos canais simpáticos, também a partir do nosso dinheiro, uma infinidade de instituições, sites, blogs e pasquins que, todos eles, se encarregaram durante quase três lustros de cantar as loas do regime lulopetista, em todas as suas vertentes.
2)  Talvez coubesse, em caráter preliminar, determinar se existe essa coisa chamada “diplomacia lulopetista”, o que é altamente duvidoso, pelo menos no estrito senso. Por um lado, porque a diplomacia, no seu sentido próprio, permaneceu a cargo do Itamaraty, pelo menos no plano prático, ao passo que a política externa do Brasil foi, sim, influenciada, em diversos pontos, pelo Partido dos Trabalhadores e seus mestres em outras partes. Por outro lado, porque não houve muita originalidade na chamada política externa lulopetista, sendo ela uma continuidade, com várias deformações, de posturas tradicionais da política externa tradicional do Brasil (ou do Itamaraty), quais sejam: prioridade à América Latina (depois à América do Sul), depois aos projetos de integração (com a Argentina, e depois quadrilateral, no Mercosul), as alianças preferenciais no âmbito do Sul (ou seja, dos países em desenvolvimento), com algumas parcerias estratégicas nesse âmbito, importância dada ao multilateralismo tanto político quanto econômico, pretensões a ocupar papel de relevo no concerto das nações e nas instâncias decisórias de poder da ordem mundial (e seus acalentados projetos de pertencimento ao inner circle dos grandes, primeiro na Liga das Nações, depois, e sempre, nas Nações Unidas), e uma série de outras posições que todas elas se conformam a uma velha obsessão nacional, desde os tempos imperiais e bastante bem expressa nas perorações de Rui Barbosa na Haia: a defesa acendrada, resoluta, da soberania nacional, onde entra também um intransigente nacionalismo, traduzido em políticas de proteção nacional, de certa recusa da penetração estrangeira em diversos setores da economia nacional (ou em todos eles), enfim, coisas bastante familiares aos diplomatas e não diplomatas. O que o PT introduziu de novo foi uma exacerbação de certos traços mais estatizantes e rusticamente nacionalistas, com um toque de esquerdismo simpático às causas socialistas, o que levou a diplomacia lulopetista a apoiar algumas das ditaduras mais execráveis na região ou alhures.
3)  Deve-se, em qualquer hipótese, reconhecer os méritos deste documentário, em suas virtudes didáticas, de assemblagem de testemunhos primários que podem, talvez, ou certamente, servir de fontes históricas. Muito do que está registrado na filmagem já está devidamente documentado, por meio de alocuções, artigos, pronunciamentos dos entrevistados, mas ainda assim o documentário é precioso por permitir conhecer, diretamente e espontaneamente, o que cada participante convidado tem a dizer – de bom, de mau ou de feio – sobre essa “diplomacia lulopetista”. E quem são esses entrevistados? Registre-se aqui certo desequilíbrio nos depoimentos, pois a maioria dos entrevistados mostra-se simpática às posições em política externa do lulopetismo diplomático: estão ali o próprio presidente Lula (mas com frases banais, óbvias, genéricas demais, embora enfatizando as grandes linhas da sua diplomacia Sul-Sul), seu chanceler pelo oito anos (embaixador Celso Amorim), o secretário-geral do Itamaraty por sete anos e grande ideólogo das principais orientações diplomáticas do regime (embaixador Samuel Pinheiro Guimarães), um jornalista totalmente adesista de Carta Capital (Mino Carta), o senador Cristovam Buarque, dois acadêmicos igualmente simpáticos à diplomacia lulopetista (Matias Spektor e Oliver Stuenkel) e um jornalista igualmente defensor das grandes linhas do regime (Sérgio Leo). Do outro lado, apenas o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia (que criticou algumas ações do regime, mas ao final se declarou amplamente favorável ao governo Lula) e o embaixador Rubens Barbosa, conhecido crítico de toda a política externa lulopetista, embora favorável a algumas de suas iniciativas (IBAS, BRICS mais exatamente).
4)  O que disseram os entrevistados? Muita coisa, mas a destacar a frase repetida no documentário do ex-chanceler, para quem “os críticos [do lulopetismo diplomático] veem o Brasil com olhos pequenos”. A conclusão geral a ser tirada pode ser assim apresentada: os formuladores e executores da política externa lulopetista obviamente concordam com o que eles próprios fizeram à frente da diplomacia brasileira, mas o que também pode ser observado é certo tom defensivo, explicativo, justificativo dessa política, como se houvesse algum temor não explicitado abertamente, uma espécie de arrière pensée, uma percepção não reconhecida abertamente de que essa diplomacia, essa política externa podem não ter sido exatamente consensuais ou isentas de contestações, frente às quais eles se apressam então em defende-las, até preventivamente (como aliás o fizeram durante todos esses anos).
5)  A noção de diplomacia partidária, ou ideológica, veio várias vezes à baila, em função do que o ex-chanceler se encarregou de defender a ideologia do regime, um pouco nesses termos: “Mas quem não é ideológico? E a ideologia da direita, a ideologia do neoliberalismo?” Os apoiadores e opositores da diplomacia lulopetista se dedicam, nessas circunstâncias, a defender e a atacar aquela política externa, o que está bem documentado neste documentário. O seu título, entretanto, me parece um pouco enviesado: “Era dos Gigantes”? Por quê? Quais eram esses gigantes? Aqueles que figuram no livro do principal ideólogo da diplomacia lulopetista? Essa mania de grandeza pode parecer reação a algum complexo de inferioridade ou tendências megalomaníacas disfarçadas. Os companheiros, por sinal, nunca cessaram de se referir a certas frases do escritor Nelson Rodrigues, possivelmente o intelectual mais antipetista, mais antissocialista, o mais reacionário que possa ter existido no cenário político brasileiro em todos os tempos. Atração pelos contrários?
6)  Não cabe se deter agora sobre o que disseram apoiadores e opositores dessa política externa grandiosa, de gigantes, a despeito de ter feito extensas anotações – mais ou menos 20 páginas de um bloco de notas – sobre o que eles disseram, e sobre os assuntos abordados. Vou tratar de algo mais básico, tanto na historiografia política quanto no jornalismo, que é distinção tradicional, aliás fundamental, entre fatos e versões. Todos sabem que em política, muitas vezes, a versão importa mais do que os fatos.
7)  Fatos, e a sua versão, estão sempre presentes em cada etapa de nossa vidas pessoais, assim como na trajetória da história política de um país, no itinerário de uma nação. Existem, obviamente, fatos objetivos, eventos, processos, acontecimentos, que não dependem para nada de nossa vontade, de nossa opinião, de nossa condição social ou até de nossa existência, ou até da Constituição e das leis do país. Eles não pedem licença para existir. Fatos são fatos, independentemente do que pensamos a respeito deles, e se bastam a si próprios. Eles não deixam de existir mesmo que você não concorde com eles.
8)  Versões, por outro lado, são construções mentais, arbitrárias, argumentos subjetivos que criamos, mantemos e até disseminamos, a partir de uma seleção arbitrária de alguns fatos, tal como os interpretamos, mas que também podem ser versões inteiramente fabricadas à margem dos fatos, explicações peculiares, particulares, que servem à economia individual de nossa formação de conceitos. Muitas vezes eles atendem uma determinada orientação ideológica, mas não necessariamente. Versões, independentemente das justificativas sociais, filosóficas, econômicas, partidárias, que encontramos para elas, podem servir unicamente a nossos interesses individuais, mesquinhos mesmo. Geralmente elas servem para realçar uma glória maior de nossa personalidade, de nossa imagem junto à comunidade à qual elas servem.
9)  Desse ponto de vista, a versão construída pelos formuladores e executores da mais do que famosa diplomacia lulopetista – mas ela existe, realmente? – se conforma aos objetivos acima explicitados. Essa versão está razoavelmente bem registrada neste documentário, e independentemente do fato de que ela também vem expressa em inúmeros discursos, artigos, entrevistas de seus autores, a versão positiva, expressa por diferentes entrevistados, se conforma inteiramente ao espírito e às intenções dos líderes e propagandistas do partido companheiro, a quem deve servir essa versão da história (se história existe, mas cabe conceder-lhe essa realidade). A versão, tal como registrada no documentário, parece totalmente adequada aos objetivos que sempre foram os seus em todas as vertentes da vida social, política e econômica do país.
10)          E qual é essa versão? Parece até simplista resumir, mas ela é realmente muito simples. Ela é a de uma época redentora, de redescoberta ou de reinauguração do Brasil, simbolizada no famoso logo “Nunca Antes neste país...” Essa é a versão que, depois daquela outra versão mentirosa e fraudulenta sobre uma tal de “herança maldita” que os companheiros teriam recebido da administração anterior, eles tentaram consolidar na memória nacional: a de uma missão salvacionista, que teria sido empreendida pelo “filho do Brasil”, o demiurgo do renascimento nacional, o líder excepcional – e sua política externa excepcional – que levariam o Brasil a novos patamares de realizações excepcionais, em todos os setores nos quais se empenharam o engenho e a arte excepcional dos companheiros.
11)          Desse ponto de vista, a versão companheira sobre a diplomacia lulopetista parece cumprir exatamente essa função: a de exaltar e realçar as glórias excelsas da fabulosa e insuperável política externa, aquela “ativa, altiva e soberana”, que teria sido a melhor que seus ideólogos poderiam ter construído e oferecido para consumo não só de simples cidadãos, como nós, como também de acadêmicos, como nós, também. A partir dessa disseminação por uma poderosa máquina de propaganda, paga por todos nós, muitos dessa última categoria aceitam essa versão acriticamente, e passam por sua vez a retransmiti-la, por vezes até edulcorada, engrandecida, ou mesmo até de forma simplificada, como convém a seguidores e propagandistas. Mas também pode ocorrer que aqueles que eu chamo de acadêmicos gramscianos fabricam versões sofisticadas, ainda mais refinadas, aparentemente até mais credíveis nesses meios crédulos que são das faculdades de humanidades.
12)          A partir dessa visão de um regime que pretensamente os companheiros querem registrar como o mais alto ponto da História do Brasil, e o de sua política externa, pode-se pensar numa nova periodização da história pátria, uma espécie de ruptura entre um Antes e um Depois (que os companheiros prefeririam que nunca existisse). Podemos – por que não? – satisfazer-lhes esse desejo incontido, propondo uma nova cronologia, uma divisão inovadora em nossa história política, ou até nacional. Qual seria ela? Assim como na historiografia cristã, ou ocidental, costuma dividir a história do mundo em um AC e um DC, ou seja, Antes e Depois de Cristo, pode-se propor que a história do Brasil seja dividida doravante entre um AC e um DC, isto é, Antes e Depois dos Companheiros. O que fica pelo meio, para os companheiros, é considerado o nec plus ultra das políticas sociais no Brasil, sendo que o que existia antes era simples lixo neoliberal, e o que veio depois é golpe.
13)          Independentemente porém do AC-DC, vamos examinar os fatos, antes que a versão “legitimista”, propagandeada pelos próprios companheiros, seja realmente entronizada como a versão oficial da história nacional. Quem são os autores dessa versão companheira do lulopetismo diplomático? Eles estão representados, no documentário, pelo ideólogo-mor da diplomacia lulopetista, justamente, seguido pelo chanceler oficial do regime, mas infelizmente o documentário não conseguiu recolher os depoimentos dos demais chanceleres parciais ou ocasionais do regime, e ele os teve. Um deles era conhecido como o Richelieu do Planalto, o grão-vizir do regime, antes de ser defenestrado no primeiro tropeço de corrupção, o chamado Mensalão, agora gozando de uma aposentadoria muito involuntária na República de Curitiba. Havia também um outro chanceler amador, sintomaticamente apelidado por diplomatas e jornalistas de “chanceler para a América do Sul”, em razão de suas altas habilidades linguísticas, mas que era um antigo apparatchik do PT aparentemente especializado nessas coisas internacionais, mas que também era um dos animadores do Foro de São Paulo, e como tal um homem da inteira confiança dos comunistas cubanos, mestres em certas artes, que são os que de fato controlam o Foro e mais da metade dessas organizações de esquerda que pululam na América Latina.
14)          Infelizmente, esses dois últimos “chanceleres” não foram entrevistados no documentário, imagino que a despeito dos maiores esforços do seu diretor, o que é realmente uma pena, pois eles teriam muita coisa importante a esclarecer a respeito da diplomacia lulopetista, questões que não necessariamente figuram nos anais e nos registros do Itamaraty, mas que suspeito tenham sido deixadas deliberadamente à margem de telegramas e outros expedientes da Casa. Mas suspeito também que eles não se disporiam a falar sobre certas questões sensíveis, tão sensíveis, talvez, quanto algumas que estão sendo agora elucidadas pelos esquadrões de investigadores e de procuradores da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, coisas, realmente,  não imaginadas por nós, e que provavelmente nunca venham a ser esclarecidas por completo, à falta, justamente, desses registros formais nos expedientes oficiais.
15)          À falta desses depoimentos, outros servem para reforçar a versão ideal de uma história que ainda não foi escrita inteiramente, sequer começada por algum escriba oficial, ou até amador, como soe por vezes acontecer. Esses depoimentos são de alguns personagens que, na terminologia oficial do movimento socialista mundial, costumavam ser referidos como “fellow travelers”, ou “compagnons de route”, ou seja, aqueles simpáticos à causa, que mesmo não pertencendo ao partido ou a qualquer uma de suas organizações de apoio, se dispõem ainda assim a sustentar a versão desejada, e a emprestar-lhe foros de verdade, como se verdade fosse. Deveríamos chamar essas pessoas de ingênuas fundamentais? Certamente elas não são mal informadas, e até desfrutam de certo convívio com alguns dos personagens principais, os formuladores e executores da tal de diplomacia lulopetista, os inventores e propagandistas do mito da lulodiplomacia, aquela que veio depois do AC e antes do DC, e que agora foi tristemente interrompida por um “golpe”.
16)          O que farão agora essas pessoas, tanto os personagens principais quanto os secundários dessa trama situada no interstício cronológico do AC-DC? Suponho que os primeiros continuarão a propagar as boas virtudes da palavra revelada, aquela que pretendia que nunca antes neste país tínhamos tido uma política externa tão ativa, altiva e soberana quanto a que foi conduzida nestes treze anos e meio de realizações insuperáveis nos anais da história nacional. Não tenho ideia do que pode passar pela cabeça dos segundos personagens, agora que alguns detalhes sobre as tenebrosas transações que eram feitas à margem e à revelia da fabulosa política externa do lulopetismo estão sendo revelados pelas investigações paralelas do maior, do mais gigantesco, do mais fenomenal caso de corrupção nunca antes ocorrido neste país, neste hemisfério, quiçá no mundo, transações que envolveram igualmente inúmeros episódios de política externa, cenas explícitas de lulopetismo diplomático.
17)          Imagino que os mais honestos revisarão suas bem fundadas crenças nos méritos da “ativa, altiva e soberana”, a menos que pretendam insistir na versão já repisada e tantas vezes repetida da história do socialismo mundial, segundo a qual as intenções eram boas, os resultados é que deixaram a desejar. Insistir na excelência da política externa do lulopetismo, a despeito dos incidentes, depois de tudo o que se sabe sobre a natureza propriamente criminosa da organização que tomou o Brasil de assalto a partir de 2003, seria provavelmente um pequeno crime ideológico, e um erro mais do que fundamental de interpretação, uma crença ingênua na versão fabricada, e que agora começa a ser desmantelada como deve ser.
18)          Creio, finalmente, que este documentário fornece excelentes elementos factuais e interpretativos sobre toda uma época de nossa história política, de nossa política externa em particular, depoimentos úteis que permitirão, justamente, revisar essas versões fabricadas sobre o que se situou entre o AC-DC, com os olhos desta vez muito abertos, não mais pequenos, totalmente focados nos resultados, nas realidades, olhos e ouvidos agora bem distantes da retórica oficial propagandeada a grandes golpes publicitários, com muita ajuda dos acadêmicos gramscianos, durante esses treze anos e meio de grandezas mal justificadas. Apreciei o documentário pelo lado que ele talvez não tenha tido a intenção de ressaltar: como a mistificação política é capaz de inebriar mesmo espíritos dos mais atilados, gente bem informada, mas que falham em olhar a realidade como ela é, e que tomam as palavras dos que trabalham em causa própria como se verdade fossem. Desse ponto de vista, o documentário fornece importante material para uma dessas aulas de desconstrução conceitual.
Vale!

Paulo Roberto de Almeida
Rio de Janeiro, 3051: 25-26 de outubro de 2016

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Venezuela: a quadratura do circulo? Ou um cubismo dadaista boliviariano - Diego Solis (Stratfor)

Venezuela: Where Drugs and Diplomacy Meet
Analysis FEBRUARY 17, 2017 | 22:02 GMT

Venezuela's powerful politicians may temporarily overlook their differences in the face of a common threat, including a more aggressive foreign policy from Washington.

Summary
The United States seems determined to take a harder line on Venezuela. On Feb. 15, U.S. President Donald Trump called on the Venezuelan government to free Leopoldo Lopez, a Venezuelan opposition politician who has been imprisoned since February 2014. Trump held a meeting the same day with Lopez’s wife, Lilian Tintori, and U.S. Sen. Marco Rubio. Meanwhile, hints have emerged that the United States will soon move to level new sanctions against the Venezuelan government for officials’ involvement in criminal activity. But Venezuela will not accept more punitive measures against its politicians without a fight.

Analysis
The number of prominent Venezuelan figures who have been accused of unlawful acts is growing steadily larger. On Feb. 13, Washington added Vice President Tareck El Aissami to its list of alleged drug traffickers. U.S. nationals and entities subject to U.S. jurisdiction are now prohibited from doing business with El Aissami and his suspected business associate, Samark Jose Lopez Bello. El Aissami is not the first Venezuelan official to find himself on the list of "specially designated nationals" kept by the U.S. Office of Foreign Assets Control (housed in the U.S. Treasury Department), either. Former Libertador Mayor Freddy Bernal, former Interior Minister Ramon Rodriguez Chacin and former military intelligence chief Hugo Carvajal are on it as well.

Venezuela will not take kindly to new U.S. sanctions against these figures or their peers. Instead, the country's entrenched elite will probably close ranks to protect their own positions in power, especially as they scramble to address the pressing domestic challenges ahead. Venezuela's economy is on the verge of collapse, inflation is estimated to reach a whopping 400 percent this year, oil production is declining and the country is at risk of defaulting on its debt. Combined, these dangers threaten to spark massive social unrest, further destabilizing the already volatile country.

Still, the government's ability to unite in the face of new sanctions largely depends on how much pressure the United States chooses to apply. For example, new sanctions could target Venezuelan state oil and natural gas giant Petroleos de Venezuela (PDVSA), limiting the ability of U.S. companies to do business with PDVSA or its refining arm, Citgo. This, in turn, would pose an existential threat to the Venezuelan government, which relies heavily on PDVSA for its income. Should this come to pass, enough dissatisfaction may build in Venezuela to prompt Caracas to push back on Washington's demands.

Crumbling Ties
Venezuela's ideological orientation and geographic location have turned it into a nagging headache for several U.S. administrations. While in office from 1999 to 2012, Venezuelan President Hugo Chavez steadily allowed the expropriation of U.S. firms' assets, including upstream oil and natural gas infrastructure, without providing any compensation in return. To make matters worse, Venezuela has also served as a major transit state for Colombian cocaine heading to the United States.

For over a decade, some Venezuelan officials have even facilitated cocaine trafficking, a pattern that became more common after Chavez ended most of his country's counternarcotics cooperation with the United States in 2005. Now, after years in power, some of Venezuela's political elite have found themselves in a vulnerable position thanks to allegations of malfeasance that may subject them to the United States' legal jurisdiction. Under former U.S. President Barack Obama, Washington opened a number of investigations into these officials, further souring its relationship with Venezuela even as its ties with Caracas' ally, Cuba, improved. Venezuelan figures such as El Aissami and former National Assembly Speaker Diosdado Cabello came under close scrutiny for charges of cocaine trafficking, while PDVSA became the target of a money laundering investigation. The cases opened during the Obama administration could soon yield results under Trump's, and it is certainly possible that more senior Venezuelan leaders will be indicted or fall victim to sanctions in the years ahead. What is unclear, however, is whether Washington will continue to limit its sanctions to individual politicians or broaden them to target the entities responsible for criminal activity, including Venezuela's state-owned enterprises.

How Caracas Will Respond
Venezuela's embattled administration has clung to power in spite of the extreme inflation and shortages of food and medical supplies that have plagued the country for nearly four years. For the most part, the government's survival can be attributed to three things: a strong security apparatus, a divided opposition and a shared desire among many politicians to use public office for personal gain.

To be sure, the Venezuelan government — though resilient — remains divided into clear factions. But the country's powerful politicians may temporarily overlook their differences in the face of a common threat, including a more aggressive administration in the White House. Additional U.S. sanctions and other punitive measures against certain people, therefore, could actually pull Venezuela's ruling class together. On the other hand, if Washington were to slap hefty sanctions on companies that generate a sizable share of the government's cash, it would put greater strain on the Venezuelan population at large, presenting a very real threat to leaders in Caracas. The prospect of significant sanctions on PDVSA, for instance, may spur Caracas to relent in its stalemate with the opposition and agree to hold regional elections in hopes of persuading Washington not to follow through with the measures.

As it stands, political power in Venezuela is distributed among seven factions: those loyal to Venezuelan President Nicolas Maduro; the "Chavista orphans" who were loyal to Chavez but did not become fully incorporated into the Maduro government; former and current members of the armed forces in positions of power; civilian members of the United Socialist Party of Venezuela; the "February 4" faction comprising military officers who accompanied Chavez in his 1992 coup attempts; the Cuba-sponsored Francisco de Miranda Front; and unaffiliated officials who often serve as go-betweens among the groups. El Aissami, who is not linked to any faction, also seems to be trying to consolidate enough power to form a group of his own.

Of the existing factions, Maduro's followers hold the most ministries (13). Meanwhile, the military faction runs eight ministries, largely distributed among retired officers. Although Maduro's faction is one of the strongest in the government, his continued rule still depends on the acquiescence of other groups, particularly the armed forces. The president's bloc also appears to cooperate closely with the Francisco de Miranda Front, although the latter seems to have lost influence in the government since Maduro replaced Vice President Aristobulo Isturiz in January.

Despite these different alliances, all of Venezuela's political factions would probably unite against a common enemy. But their cohesion will be put to the test if the United States adopts more sweeping punitive measures or if social unrest spreads in response to rising inflation or a debt default. Should Caracas default on its debt, Venezuelan imports would fall sharply, likely causing widespread protests to erupt within months. Efforts to contain the unrest may then widen the fissures within the government, causing criticism of Maduro to mount as policymakers' options narrow.

If the United States chooses to toughen its stance against Venezuela in the months ahead, its effect on Caracas' behavior will primarily depend on the outcome of the ongoing criminal investigations and the kinds of sanctions that can be put in place against the guilty parties. The effectiveness of those sanctions, in turn, will depend on whether Venezuelan leaders band together, or whether domestic problems such as debt default and unrest conspire to pull them further apart.

--
Diego Solis
Latin America Regional Director
STRATFOR - Global Intelligence
P.O. Box 92529
Austin, Texas 78709-2529
 | www.stratfor.com

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Senado Federal: a imoralidade dos gastos indecentes

Como é possível que a sociedade brasileira conviva com tamanha indecência?
Já nem me refiro aos gastos exagerados do senador visado na matéria. É a própria existência dessa verba que é uma imoralidade sem par, e algo inaceitável para os contribuintes.
Paulo Roberto de Almeida 

Prezados Senhores

Já imaginaram o que poderíamos mudar no Brasil se 10% dos brasileiros tivessem interesse nesses assuntos chatos, conforme o abaixo colocado?

 Ricardo Bergamini

Somente os ingênuos acreditam em ajuste fiscal no poder público brasileiro

Ricardo Bergamini

Premissa Maior: 

Na história do Brasil a nação sempre foi refém dos seus servidores públicos (trabalhadores de primeira classe), com os seus direitos adquiridos intocáveis, estabilidade de emprego e licença prêmio sem critério de mérito, longas greves remuneradas, acionamento judicial sem perda de emprego, regime próprio de aposentadoria (não usam o INSS), planos de saúde (não usam o SUS), dentre muitos outros privilégios impensáveis para os trabalhadores de segunda classe (empresas privadas). Com certeza nenhum desses trabalhadores de primeira classe concedem aos seus empregados os mesmos direitos imorais.

Premissa Menor: 

O Congresso Nacional é constituído por 513 deputados federais e 81 senadores e para atenderem a esses 594 senhores, segundo o ministério do planejamento, em dezembro de 2015 existiam 24.896 servidores ativos que custaram R$ 5,4 bilhões. Considerando também os 10.360 servidores inativos que custaram R$ 3,5 bilhões o custo total com essa imoral e criminosa usina de gastos públicos foi de R$ 8,9 bilhões.

Conclusão

Transferindo essa usina de gastos públicos para 26 estados, DF e 5.570 municípios chegarão à conclusão que somente os ingênuos acreditam em ajuste fiscal no poder público brasileiro.

Senado paga R$ 270 mil para marqueteiro de senador em um ano

A contratação de empresas terceirizadas de comunicação, marketing e pesquisas resultou numa despesa de R$ 2,7 milhões aos cofres públicos apenas em 2016 – o equivalente a pagar o novo salário mínimo a 2.881 trabalhadores.

POR LUCIO BATISTA | 19/02/2017 09:09 

 

http://static.congressoemfoco.uol.com.br/2017/02/senador-omar-aziz1.jpg

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

 

Senador Omar Aziz tem disponível mensalmente R$ 44.276,60 da verba indenizatória

 

Residência oficial, carro novo de luxo, motorista, plano de saúde vitalício e muito dinheiro para bancar despesas mensais “extras”. Essas não são mordomias de alguma personalidade famosa da Noruega ou Suécia. São algumas das regalias disponíveis aos senadores brasileiros e que são bancadas com a verba indenizatória.

Os senadores podem contratar até 55 assessores, inclusive profissionais de assessoria de comunicação, com salários que variam de R$ 3,4 mil R$ 32 mil. Ainda assim há senadores que optam por contratar terceirizados a peso de ouro para a realização deste trabalho, uma espécie de ponte entre o parlamentar e a mídia. Essas contratações, e mais alguns penduricalhos, resultaram numa despesa de R$ 2,7 milhões aos cofres públicos apenas em 2016, o equivalente a pagar o novo salário mínimo a 2.881 trabalhadores.

Um exemplo disso vem do gabinete do senador Omar Aziz (PSD-AM), o campeão de gastos com despesas desse tipo no ano passado e o quarto em faltas em 2016. Foram  pagos R$ 270 mil  – R$ 30 mil mensais – à microempresa Jefferson L.R. Coronel-ME, de um conhecido jornalista e marqueteiro político do Amazonas. Em seu gabinete estão registrados 37 funcionários. Durante a campanha municipal do ano passado, Coronel trabalhou também para o candidato  à Prefeitura de Manaus Silas Câmara (PRB-AM). Recebeu R$ 300 mil na campanha, como está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

Os valores foram pagos com dinheiro do chamado “cotão”, responsável por disponibilizar mensalmente aos parlamentares, de R$ 21 mil a R$ 44 mil, a depender do estado de origem de cada um. Para ter acesso ao dinheiro, o senador precisa apenas apresentar ao Senado a nota fiscal da despesa e assinar um termo de responsabilidade. O dinheiro é depositado em conta corrente.

Apenas em 2016, R$ 21,8 milhões foram gastos para bancar despesas extras de senadores.

Cota Zero

 

Na contramão dessa gastança, os senadores Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Reguffe (Sem partido-DF) não se valem desse dinheiro para exercerem seus mandatos.

http://static.congressoemfoco.uol.com.br/2017/02/senador5236-240x300.jpg

"O poder legislativo não precisa custar o que ele custa hoje para o contribuinte brasileiro"

 

Com um número reduzido de funcionários lotados em seu gabinete, 12, Reguffe se diz contra a existência da verba indenizatória. Para ele “não existe  democracia, nem estado democrático de direito sem um poder legislativo forte e atuante. Mas pra ser forte e atuante, ele não precisa custar o que ele custa hoje para o contribuinte brasileiro”.

O senador é o autor do Projeto de Resolução do Senado (PRS) Nº47/2015 que prevê a extinção da verba indenizatória, fato, que segundo ele, geraria uma economia aos cofres públicos na ordem de R$ 174 milhões ao final de oito anos.

O projeto aguarda relatoria na CCJ desde outubro de 2015.

O outro lado

 

Em resposta, a assessoria do senador Omar Aziz diz que contratou a empresa de Jefferson Coronel, composta por vários profissionais, pelo sua vasta experiência na área de comunicação e por conhecer bem o estado do Amazonas.

 

Leia mais sobre o cotão

 

Ricardo Bergamini

Membro do Grupo Pensar+ www.pontocritico.com

www.ricardobergamini.com.br

 

 

Brasil: um país à deriva - General Villas Boas (Valor)

 
 
image
 
 
 
SOMOS UM PAÍS QUE ESTÁ À DERIVA
 
Gen Eduardo Dias da Costa Villas Bôas
Comandante do Exército
Entrevista ao Valor Econômico
17 de fevereiro de 2017
 
Amazonas, Roraima, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Desde as primeiras horas de 2017, o país passa por uma das mais graves crises na segurança pública nos últimos anos. Do desgoverno no sistema prisional, onde detentos em Manaus, Boa Vista e Natal foram trucidados em brigas de facções, ao caos em Vitória, que resultou da paralisação da Polícia Militar, passando pela crescente instabilidade no Rio, a situação está tão crítica que homens das Forças Armadas têm sido necessários para manter o controle.
"Esgarçamo-nos tanto, nivelamos tanto por baixo os parâmetros do ponto de vista ético e moral, que somos um país sem um mínimo de disciplina social", afirma o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas. "Somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que quer ser e o que deve ser."
O general acompanha o cenário com preocupação. Nascido em Cruz Alta (RS) há 66 anos, 50 deles no Exército, Villas Bôas pondera que há
entendimentos incorretos de que as Forças Armadas possam substituir a polícia. O Exército também está apreensivo com a reforma da Previdência, e Villas Bôas tem defendido a noção de que os militares não podem ser submetidos às mesmas regras do regime geral.
Na semana em que diversas entidades, entre elas o Ministério Público, manifestam o temor das investidas contra a Lava-Jato, o comandante defende a operação. "É a grande esperança de que se produza no país alguma mudança nesse aspecto ético que está atingindo nosso cerne, que relativiza e deteriora nossos valores."
Para o general, a segurança pública no Brasil é uma calamidade. Com dados, elenca os motivos de sua angústia: hoje morrem cerca de 60 mil pessoas por ano assassinadas, cerca de 20 mil pessoas desaparecem no país por ano, 100 mulheres são estupradas por dia. A Polícia Federal estima que cerca de 80% da criminalidade seja ligada direta ou indiretamente às drogas: dos massacres aos ajustes de contas e até o pequeno roubo do celular. "O que está acontecendo? A segurança pública é de responsabilidade dos Estados, e eles estão extremamente carentes", afirma.
A seguir, os principais tópicos da entrevista que Villas Bôas concedeu ao Valor.
Segurança pública
Há entendimentos incorretos de que as Forças Armadas possam substituir a polícia. Temos características distintas. Fomos empregados na favela da Maré com efetivo de quase 3 mil homens por 14 meses. No Alemão, 18 meses. É um emprego das Forças Armadas que não soluciona o problema. Nossa ação se destina a criar condições para que outros setores do governo adotem medidas de caráter econômico-social que alterem essa realidade.
O que tem acontecido? A ideia de que, se eu emprego as Forças Armadas, o problema está resolvido. Ficou nítido na Maré, onde
permanecemos por 14 meses: a operação custou R$ 1 milhão por dia, ou seja R$ 400 milhões. Quando saímos, uma semana depois tudo tinha voltado a ser como antes. Entendemos que esses empregos pontuais são inevitáveis, porque as estruturas de segurança nos Estados estão deterioradas. Nossa preocupação é que essa participação seja restrita e delimitada no tempo e no espaço, com tarefas estabelecidas e sempre com o entendimento de que não substituímos a polícia.
Emprego das Forças Armadas
A defesa não é atribuição exclusiva dos militares. É de todos os setores da sociedade que devem contribuir e participar. Nosso emprego está no artigo 142 da Constituição da Garantia da Lei e da Ordem. No entanto, nosso pessoal não tem a proteção jurídica adequada. A Justiça e o Ministério Público entendem que o emprego das Forças Armadas na garantia da lei e da ordem não se trata de atividade de natureza militar e sim, policial. Não é verdade. Quando o emprego da estrutura policial não for suficiente, se emprega outra instância, as Forças Armadas. Mas, ao não exigir que se adote o Estado de Defesa e o Estado de Sítio, a lei não nos proporciona a proteção jurídica necessária. Não queremos que o uso das Forças Armadas interfira na vida do país. Mas sofremos desgaste e risco enormes com isso. Se formos atacados e reagirmos, isso sempre será um crime doloso e seremos julgados pelo tribunal do júri.
Crise na política
Esse processo que o Brasil vem enfrentando está atingindo nossa essência e nossa identidade. Tem outro componente, que vem de processo histórico recente, das décadas de 70, 80. Até então, o país tinha identidade forte, sentido de projeto, ideologia de desenvolvimento. Perdeu isso. Hoje somos um país que está à deriva, que não sabe o que pretende ser, o que
quer ser e o que deve ser. Por isso, o interesse público, a sociedade está tão dividida e tem Estado subordinado a interesses setoriais.
Lava-Jato
Acho importante todo esse processo que estamos vivendo em decorrência da Lava-Jato e de outras operações. A Lava-Jato é a esperança de que se produza no país mudança nesse aspecto ético que está atingindo nosso cerne, que relativiza e deteriora nossos valores. Daí a importância desse protagonismo que a Justiça e o Ministério Público estão tendo. Esse processo é fundamental para o prosseguimento do país. E aí você me pergunta: o que pode acontecer se a Lava-Jato atingir a todos indiscriminadamente? Que seja. Esse é o preço que tem que se pagar. Esperamos que tenha um efeito educativo.
Intervenção militar
Interpreto o desejo daqueles que pedem intervenção militar ao fato de as Forças Armadas serem identificadas como reduto onde esses valores foram preservados. No entendimento que temos, e que talvez essa seja a diferença em relação a 1964, é que o país tem instituições funcionando. O Brasil é um país mais complexo e sofisticado do que era. Existe um sistema de pesos e contrapesos que dispensa a sociedade de ser tutelada. Não pode haver atalhos nesse caminho. A sociedade tem que buscar esse caminho, tem que aprender por si. Jamais seremos causadores de alguma instabilidade.
Narcotráfico
A Polícia Federal estima que cerca de 80% da criminalidade seja ligada direta ou indiretamente à droga. Outro aspecto: a droga é a origem de quase todos os problemas. O Amazonas já virou grande corredor de passagem de drogas. O controle dessas rotas é que está sendo disputado, inclusive nos
presídios, pelas facções. Para combater isso é preciso que o governo estabeleça política antidrogas, multidisciplinar, que envolva educação, saúde, assistência social, segurança, inteligência, defesa. Também temos que estimular a integração com os países vizinhos. O Brasil que era corredor de passagem hoje é o segundo maior consumidor de drogas do mundo. O tráfico no Brasil está se organizando, se cartelizando, e aumentou sua capacidade de contaminar outras instituições do país.
Descriminalização das drogas
Há estudos abalizados que são a favor e outros, contra. A Sociedade Brasileira de Psiquiatria é contra. Temos que examinar o que aconteceu em outros lugares. Sabemos, por exemplo, que em nenhum país se obteve resultado que tenha melhorado a situação substancialmente. Temos que participar dessa discussão. O Exército é um setor da sociedade e deve participar. O protagonista, no entanto, é o Ministério da Justiça. A tarefa constitucional é dele.
Segurança nas fronteiras
Estamos otimistas com o processo de paz na Colômbia, mas preocupados. Sabemos que algumas frentes não vão aderir. Existe a possibilidade de membros das Farc se juntarem a outras estruturas de guerrilha, como a Frente de Libertação Nacional ou guerrilhas urbanas. Temos uma incerteza, que vai exigir atenção muito maior para essa área: desde que se iniciaram as conversações de paz houve aumento das áreas de plantio na Colômbia. É importante destacar que temos 17 mil km de fronteiras. Fisicamente é impossível vigiar essa área. Sabemos que o caminho é buscar na tecnologia, como o Sisfron [Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras], que é fundamental.
Eleições em 2018
A situação que estamos vivendo no país estabelece grande probabilidade de termos candidatos de caráter populista, porque a população está insatisfeita. Vemos surgir outro fenômeno - é natural que se faça um paralelo com os EUA, onde a sociedade não vê jamais as suas necessidades e o seu pensamento serem expressos por alguém. Quando surge alguém que fale coisas, mesmo que elas sejam não aceitáveis, mas que vão ao encontro daquilo que as pessoas pensam de uma maneira geral, corremos, sim, o risco de termos um candidato de caráter populista. E isso é muito preocupante.
Reforma da Previdência
No caso dos militares, a lei complementar vai estabelecer uma série de regras em relação à nossa previdência que estão em estudo, como o aumento e a adequação do tempo de serviço mínimo para a aposentadoria. O Estado deve entender que, se pretende contar com instituições a qualquer momento, em qualquer horário, de qualquer maneira, essa instituição tem que ter características especiais. Nosso contrato social nos dá prerrogativas para que possamos cumprir esse papel diferenciado. Não temos direito à sindicalização, à greve.
Ninguém aqui quer pressionar o governo, mas, se somos colocados no regime da previdência, abriremos margem para que os militares reivindiquem oito horas de trabalho. Isso vai descaracterizar e inviabilizar a profissão militar. Nós, militares, abrimos mão de alguns direitos como o FGTS, por exemplo, e, em contrapartida, a União assume as despesas com nossa inatividade. Temos estudos mostrando que se tivéssemos esse direito, a União anualmente teria que dispender R$ 24,7 bilhões.
Nosso regime previdenciário não tem sistema de proteção social. Contribuímos com 7,5% para nossa pensão e com 3,5% com saúde e assistência social. Isso corrobora que não temos regime de previdência e pressupõe planos de benefício e de custeio. Na inatividade, não temos plano
de custeio e continuamos aportando. A União não nos dá nada. No caso dos demais servidores, a parcela da União pode chegar a 22%. Mas é feito um jogo de informações. Devemos tratar o assunto sem paixões. As despesas dos militares inativos estão no orçamento fiscal. Não impactam as contas da previdência. Até 2015, estavam no orçamento da Seguridade Social.
 



Brasil, um pais socialista; China, um pais capitalista, e mais livre que o Brasil - Economic Freedom of the World

Brasil despenca em ranking de liberdade econômica: somos mais socialistas do que China e Rússia

Instituto Liberal de São Paulo
http://www.ilisp.org/noticias/brasil-despenca-em-ranking-de-liberdade-economica-somos-mais-socialistas-do-que-china-e-russia/

Lançada hoje, a versão 2017 do Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation mostra o efeito do desastre criado pelos últimos anos do governo Dilma Rousseff (e até o momento não revertido por Michel Temer) na liberdade econômica do país.
Apenas em um ano, o país caiu 3,6 pontos percentuais no ranking, estando agora na 140a posição. Em outras palavras, somos tão socialistas quanto Togo (138°), Burundi (139°), Paquistão (141°) e Etiópia (142°), e mais socialistas do que países como Gabão (103°), Tadjiquistão (109°), China (111°, ainda controlada pelo Partido Comunista), Rússia (114°, o coração da antiga União Soviética), Nigéria (115°), Congo (117°), Senegal (120°), Zâmbia (122°), Tunísia (123°), Grécia (127°) e Quênia (135°).
Comparação da liberdade econômica de Brasil (cinza), China (amarelo) e Rússia (azul) nos últimos anos em relação à média mundial (rosa) Fonte: Heritage Foundation
De acordo com a análise da Heritage Foundation em relação ao Brasil, a interferência do estado na economia brasileira tem sido crescente, enquanto os serviços estatais continuam sendo de péssima qualidade. A implantação de qualquer reforma tem sido difícil e as barreiras ao empreendedorismo incluem altas taxas, excesso de regulação e uma rígida legislação trabalhista (a fascista CLT). Os escândalos de corrupção fizeram a população acreditar cada vez menos nas instituições, contribuindo para a queda do país no Ranking de Competitividade do Fórum Econômico Mundial (uma das 42 variáveis que compõem o ranking da Heritage). O aumento dos gastos do governo (39,5% do PIB), o contínuo aumento da burocracia para abertura ou expansão de empresas e o excessivo protecionismo governamental em relação às importações contribuíram para a queda do país no ranking.
Em relação à China, a análise da Heritage Foundation destaca que o país continua majoritariamente socialista (com o estado controlando todas as terras, por exemplo), mas que os avanços feitos no sentido de reduzir impostos, a manutenção de certa liberdade trabalhista (maior do que a brasileira) e uma maior liberdade para importação e exportação colocaram o país à frente do Brasil no ranking.
No caso da Rússia, a análise destaca que o país está igualmente longe de ter liberdade econômica (com uma crescente intervenção do estado na economia gerando problemas para empresas privadas e maior inflação), mas que o país tem impostos menores do que o Brasil – alíquota de imposto de renda para pessoas físicas fixa em 13% e uma alíquota máxima de 20% para empresas, em comparação com as alíquotas de até 27,5% para pessoas físicas e até 34% de impostos para empresas -, menores gastos e dívida pública (17,7% do PIB na Rússia contra 73,7% do PIB no Brasil), maior liberdade para abertura e fechamento de empresas do que o Brasil e maior facilidade para importação e exportação, garantindo a Rússia na 114a posição do ranking.
Os países com maior liberdade econômica (ou seja, com maior liberdade para trocas capitalistas e menor intervenção do estado na economia em comparação com os demais) do mundo continuam sendo Hong Kong, Singapura, Nova Zelândia, Suíça e Austrália. No continente americano, os países com maior liberdade econômica atualmente são Canadá (7°), Chile (10°) e Estados Unidos (17°, a cada ano caindo mais no ranking).

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Google Scholar: trabalhos PRA mais citados (18/02/2017)

Por acaso atualizando a lista de trabalhos, depois de revisto mais um (o de n. 3078; mas já estou no n. 3086, e terminando o seguinte), cliquei no link do Google Scholar, este aqui: 
http://scholar.google.com/citations?hl=en&user=OhRky2MAAAAJ
Depois de eliminar 4 ou 5 indevidamente a mim atribuídos pelo sistema do Google (de homonímia), encontrei estes listados abaixo, mas não fui até o final, pois já estava suficientemente abrangente. Reparei que os mais citados são relativamente antigos, provavelmente por isso mesmo, e que os mais recentes ainda não consolidaram a sua clientela preferencial.
Em todo caso, creio que isto possa servir de informação aos que se interessam por trabalhos de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, assim como alguns temas relativos a integração, comércio ou finanças internacionais.
Existe algo mais que eu possa informar? Não sei, mas sei que preciso continuar reformulando, restruturando, completando, corrigindo meu site pessoal, que tive de modificar inteiramente por problemas com o provedor anterior.
Ainda não consegui fazer, por falta de tempo, acreditem...
Paulo Roberto de Almeida 
www.pralmeida.org
diplomatizzando.blogspot.com
Citation indicesAllSince 2012
Citations1385589
h-index1610
i10-index4213
200920102011201220132014201520162017

Trabalhos Paulo Roberto de Almeida mais citados, segundo o Google Scholar (em 18/02/2017)

Título do trabalho
Nro.
Ano

PR Almeida
Revista Brasileira de Política Internacional 47 (1), 162-184
2004

PR de Almeida
Grande Oriente do Brasil
1998

PR Almeida
Porto Alegre: Livraria do Advogado 82
1999

PR Almeida
Revista brasileira de política internacional 49 (1), 95-116
2006

PR de Almeida
Revista de Sociologia e Política
2003

PR Almeida
Cena Internacional 9 (1), 7-36
2007

PR Almeida
Revista brasileira de política internacional 53 (2), 160-177
2010

PR De Almeida
1998

P Roberto de Almeida
Braz. J. Int'l L. 2, 20
2005

PR de Almeida
Carta internacional 2 (1)
2007

PR Almeida, JFS Saraiva
Relações Internacionais: dois séculos de História: entre a ordem bipolar e o ...
2001

PR de Almeida
Cortez Editora
2001

PR Almeida
Revista Brasileira de Política Internacional 36 (1), 11-36
1993

PR Almeida
Política externa 3 (1)
1994

PR de Almeida
Contexto Internacional 12 (1), 53
1990

PR Almeida
Mercosul, NAFTA e ALCA: a dimensão social. São Paulo: LTr
1999

PR De Almeida
Meridiano 47 10 (104), 10
2009

PR Almeida
Revista de Informação Legislativa, Brasília
1989

PR De Almeida
Meridiano 47 7 (68), 10
2006

PR Almeida
Meridiano 47 3 (22), 14
2002

PR Almeida
Política externa 19 (2), 27-40
2010

PR ALMEIDA
Revista de economia e relações internacionais 1 (2), 05-17
2003

PR Almeida
Revista brasileira de política internacional 44 (1), 112-136
2001

PR de Almeida
Ministério das Relações Exteriores
1992

PR de Almeida
Contexto Internacional 26 (1), 7
2004

PR Almeida
Sessenta anos de política externa brasileira (1930-1990). São Paulo: Cultura ...
1996

PR Almeida
Parcerias estratégicas 9 (18), 157-190
2012

PR Almeida
Meridiano 47 11 (119), 1
2010

PR Almeida
Edição do Autor, Brasília
2009

PR ALMEIDA
Correio Braziliense ou Armazém Literário. Edição Fac-similar. São Paulo ...
2001

PR Almeida
Sessenta Anos de Política Externa Brasileira (1930-1990) 4, 381-447
2000

PR Almeida
O que ler na Ciência Social Brasileira (1970-1995): Ciência Política 3, 191-255
1999

PR Almeida
São Paulo: Saraiva
2013

PR ALMEIDA
De agosto de
2009

PR ALMEIDA
2005

PR Almeida
Meridiano 47 5 (42-43), 15
2004

PR Almeida
Revista Brasileira de Política Internacional 45 (2), 229-239
2002

PR ALMEIDA
São Paulo: Paz e Terra
2002

PR de Almeida
Revista Estudos Históricos 1 (27), 31-62
2001

PR Almeida, Y Chaloult
Revista Brasileira de Política Internacional 42 (2), 145-160
1999

PR Almeida
Boletim de Integração Latino-Americana
1995

PR Almeida
Revista Brasileira Política Internacional, Brasília, DF 29 (115), 83-90
1986

PR ALMEIDA
BAUMANN, Renato. O Brasil e os demais BRICS–Comércio e Política. Brasília ...
9
2010

PR de Almeida
São Paulo: Edicões Aduaneiras
9
2007

PR de Almeida
9
2005

PR ALMEIDA
Política e Estratégia 5, 486-495
9
1987

PR ALMEIDA
Cena internacional 10 (2), 72-97
8
2008

PR Almeida
Interpretações divergentes sobre a política externa do governo Lula (2003–2006)
8
2006

PR ALMEIDA
MAZZUOLI, Valério de Oliveira; SILVA, Roberto Luiz (Coords.). O Brasil e os ...
8
2003

PR de Almeida
8
2000

PR de Almeida
Revista Brasileira de Comércio Exterior, 40
8
1994

PR de Almeida
7
2004

PR de Almeida
Reformas no Brasil: balanço e agenda, 203
7
2004

PR Almeida
São Paulo em Perspectiva 16 (1), 3-16
7
2002

D Brunelle
Mercosul, NAFTA e ALCA, A dimensão social. Sao Paulo: Editora LTr
7
1999

PR de Almeida
Contexto Internacional 19 (2), 307
7
1997

PR de Almeida
7
1994

PR de Almeida
Contexto Internacional 14 (2), 161
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1992

PR Almeida
Estudos avançados 5 (12), 187-203
7
1991

PR Almeida
Meridiano 47 2 (10\ 12), 12
6
2001

PRDE Almeida
O Mercosul no limiar do século XXI. São Paulo: Cortez, 17-26
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2000

PR Almeida
Revista Brasileira de Política Internacional 40 (2), 76-105
6
1997

P Roberto de Almeida
Braz. J. Int'l L. 10, 11
5
2013

PR Almeida
Temas & Matizes 14, 73-95
5
2008

PR de Almeida
Carta Internacional 1 (2), 6-10
5
2006

PR ALMEIDA
Revista Espaço Acadêmico, 01-13
5
2005

G Dupas
Chaloult e Almeida (orgs.), 132-146
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1999

Y Chaloult
Mercosul, Nafta e Alca: a dimensão social
5
1999

PR Almeida
Carta Internacional 9 (1), 79-93
4
2014

PR Almeida
Contexto Internacional 35 (2), 471-495
4
2013

PR Almeida
Revista Espaço Acadêmico 10 (113), 38-45
4
2010

PR Almeida
Parcerias Estratégicas 10 (21), 301-314
4
2010

PR Almeida
Unpublished paper, updated September 25
4
2006

PR de Almeida
O Crescimento e As Relaçoes Internacionais no Brasil, Instituto Brasileiro ...
4
2005

PR Almeida
Seminário O Brasil e a Alca. Brasília: IPRI
4
2002

PR Almeida, FR Fins
Revista Brasileira de Política Internacional 44 (1), 151-154
4
2001

PR ALMEIDA
Brasília: Senado Federal
4
1992

PR Almeida
Revista espaço acadêmico 10 (119), 106-114
3
2011

PR Almeida
Revista Espaço Acadêmico 9 (101), 41-50
3
2009

M Diaz, PR Almeida
Stanley Foundation
3
2008