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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Em direcao a uma crise de transacoes correntes? - Deterioracao progressiva

O governo Dutra exibe a pior avaliação de todos nos livros de história tradicionais (isto é, de esquerda) basicamente por dois fatos: culpado de ter colocado na ilegalidade o Partido Comunista (ou seja, era de "direita"), e culpado pela rápida deterioração do balanço de pagamentos, pelo aumento maciço das importações e o esgotamento das divisas acumuladas durante a guerra.
No primeiro quesito, digamos que seja verdade: sim, ele era de direita e anticomunista, e aproveitou um pretexto qualquer para proibir o Partidão. Não importa se Prestes era um idiota e que ele tivesse declarado em resposta a uma pergunta marota de um jornalista, que o Partido ficaria do lado da União Soviética em caso de guerra do Brasil contra o império comunista (sic), o fato é que Dutra não gostava dos comunistas, aliás desde antes da Intentona de 1935.
No segundo quesito, a situação brasileira era claramente irracional: tinhamos passado anos sem importar nada, sob o regime emergencial do Estado de guerra, e normal assim que, passada essa fase, a indústria precisasse se reequipar e o consumo retomar com base em importados, já que não produzíamos quase nada, nem alimentos em volume e qualidade suficientes.
De todo modo, o governo "liberal" de Dutra "torrou" as divisas em importações "inúteis", dizem os críticos.
Pois agora, o governo anti-neoliberal dos companheiros também realiza esse feito histórico de torrar divisas com importações e produzir o maior déficit histórico da balança de transações correntes. Que coisa, companheiros, desse jeito vocês ainda vão nos arrastar para uma crise de transações correntes e para os braços do FMI, quem diria!?
Aliás, seria bom, seja uma crise dessas ou uma de natureza fiscal, pois só premido pelas crises, o Brasil realiza reformas. Não tenho certeza de que sejam as boas reformas, pois podem reforçar o protecionismo e a introversão, mais do que já temos, mas pelo menos alguma coisa tem de mudar.
Passo por cima dos erros de redação -- jornalistas não sabem mais escrever e os jornais parece que não tem mais revisores -- como esse de que "As remessas líquidas ... subiu em janeiro..."-- para simplesmente transcrever a matéria sobre o assunto e, mais abaixo, a avaliação de um analista de mercado, do Citibank, mostrando que a situação ainda pode piorar mais.
Pudera: o governo atua como aprendiz de feiticeiro, tanto na área monetária como no terreno cambial, pensando que pode enganar e orientar o mercado à custa de ordens políticas e intervencionismo renitente, continuado, e mal administrado.
Paulo Roberto de Almeida

Contas externas de janeiro têm o pior déficit da história

Déficit em conta corrente somou US$ 11,4 bilhões em janeiro

22 de fevereiro de 2013 | 10h 51
Adriana Fernandes e Eduardo Cucolo, da Agência Estado
 
BRASÍLIA - As contas externas se deterioram e apresentaram em janeiro o pior resultado para todos os meses. O déficit em transações correntes no mês passado ficou em US$ 11,371 bilhões, informou há pouco o Banco Central. É o pior resultado para todos os meses desde o início da série histórica da autoridade monetária, que teve início em 1947.
O resultado de janeiro ficou abaixo das estimativas do próprio Banco Central, que esperava um déficit de US$ 8,3 bilhões no mês. Porém, ficou dentro do intervalo das estimativas coletadas pelo AE Projeções, de déficit entre US$ 8,7 bilhões e US$ 13 bilhões, mas pior que o déficit projetado pela mediana, de US$ -9,6 bilhões.
Em janeiro do ano passado, o déficit na conta de transações correntes do balanço de pagamentos foi de US$ 7,05 bilhões. Nos últimos 12 meses até janeiro, o déficit em transações correntes subiu para US$ 58,568 bilhões o equivalente a 2,58% do Produto Interno Bruto (PIB). O BC projeta uma déficit de US$ 65 bilhões em 2013.
Lucros e dividendos
As remessas líquidas de lucros e dividendos de empresas estrangeiras instaladas no Brasil para o exterior subiu em janeiro para US$ 2,068 bilhões. O valor mostra uma piora em relação a janeiro de 2012, quando as remessas atingiram US$ 981 milhões.
Enquanto as receitas somaram US$ 76 milhões, as despesas atingiram US$ 2,144 bilhões em janeiro. As despesas líquidas com o pagamento de juros no exterior atingiram US$ 1,813 bilhão em janeiro. Esses gastos aumentaram em relação a janeiro do ano passado, quando somaram US$ 1,623 bilhão.
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Brazil Macro Flash: Sharp and Worse Current Account Deficit in January

    Announced: Friday, February 22, at 8:30 a.m. (NYT)

    Actual: -US$11.4 billion

    Previous: -US$8.4 billion

    Consensus: -US$9.6 billion

    Citi: -US$9.0 billion

    Bottom Line

  • In January, the current account amounted -US$11.4 billion, significantly worse than our and market expectations. We already expected a large current account deficit in January, due to the significant negative result of trade balance. However, services and income balances also surprised to the downside highlighted by the considerable deficit in profits and dividends remittances. Overall, 12 months current account deficit deteriorated to US$58.6 billion (2.58% of GDP). Looking ahead, we believe the current account deficit will likely continue deteriorating along this year, reaching by around US$68 billion at year end (3.0% of GDP). Moreover, FDI inflows summed US$3.7 billion in January, lower than expectations, but still amounting US$63.6 billion in the last 12 months, which is above the current account deficit in the same period.

    Key Points

  • In January, the trade balance amounted -US$4.0 billion, services and income balance posted a deficit of US$7.5 billion, while current transfers reached US$0.2 billion.

  • Focusing on services and income accounts, the profits and dividends balance reached -US$2.1 billion, while international travel deficit amounted US$1.6 billion, with net interest payments posting -US$1.8 billion.

  • FDI inflows came in at US$3.7 billion in January, worse than our and market expectations of US$4.5 billion and US$4.8 billion, respectively. In the last 12 months, FDI inflows amounted US$63.6 billion, remaining significantly higher than the current account deficit of US$58.6 billion during the same period.

  • We expect current account deficit to continue deteriorating ahead, reaching by around US$68 billion this year (3.0% of GDP), which is worse than market consensus and CB’s estimates of around -US$65 billion each.
 Author: Marcelo Kfoury
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