O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Fukuyama e o Fim da Historia, 25 anos depois, o que ficou? - Paulo Roberto de Almeida (2009)

Sou informado, pelo editorial do Professor Antonio Carlos Lessa ao boletim 88 (dezembro de 2014) de Mundorama (aqui), que o meu artigo, reproduzido parcialmente abaixo, foi um dos mais acessados desde quando foi publicado, em janeiro de 2010, pouco depois, justamente, dos vinte anos do artigo seminal de Francis Fukuyama sobre o "fim da História", que foi muito pouco lido pelos seus críticos e geralmente rejeitado pelas más razões, inclusive por pessoas que jamais o leram, e viram nele uma demonstração de cabotinismo imperial. Ele continuou sendo acessado desde então: somente em 2014, ele foi acessado 4.382 vezes, o que certamente me teria permitido comprar um supercomputador, se eu recebesse alguma coisinha a cada vez.
Como considero que o debate levantado por Fukuyama, bem como seus principais argumentos, ainda permanecem válidos, permito-me reproduzir aqui o início de meu artigo (escrito, devo esclarecer, em meados de 2009), mas apenas numa pequena parte, puramente introdutória, remetendo depois os leitores ao link de Mundorama, onde ele pode ser lido em sua íntegra.
Boas festas de final de ano, aos que ainda não passaram a marca do calendário. Dentro de meia hora saio para jantar com Carmen Lícia, e depois vamos ver fogos na baia de St. Petersburg, FL.
Paulo Roberto de Almeida

O “Fim da História”, de Fukuyama, vinte anos depois: o que ficou?, por Paulo Roberto de Almeida


25 Votes
Boletim Mundorama, 21/01/2010

1. O que restou, vinte anos depois, da tese controversa de Fukuyama?
No verão de 1989, a revista americana National Interest publicava um ensaio teórico – mais exatamente de filosofia da História – do intelectual nipo-americano Francis Fukuyama sobre os sinais – até então simplesmente anunciadores – do fim da Guerra Fria, cujo título estava destinado a deslanchar um debate ainda hoje controverso: “The End of History?”.[1] Vinte anos depois, em vista das muitas críticas feitas naquela conjuntura – e ainda hoje –  às principais teses do autor, vale a pena retomar seus principais argumentos e verificar se eles ainda conservam alguma validade para nossos tempos, que poderiam ser considerados como de pós-Guerra Fria, mas que alguns interpretam, ou consideram efetivamente, como de volta à Guerra Fria, ainda que sob novas modalidades (com uma Rússia singularmente diminuída e uma China hesitante em se posicionar como contendor estratégico dos Estados Unidos).
Antes, contudo, de ingressar numa descrição linear desses argumentos, qualquer que seja sua validade relativa ou absoluta para o tema que nos interessa – qual seja, o da natureza das opções abertas aos países em termos de reforma e desenvolvimento paralelos do sistema econômico e do  regime político, que Fukuyama identificava com a redução dessas opções à democracia de mercado – cabe chamar a atenção para uma peculiaridade geralmente descurada no debate anterior (e talvez atual) sobre a validade das teses de Fukuyama, sobretudo por aqueles que recusavam, in limine, a essência mesma do argumento do autor. Esta peculiaridade tem a ver, basicamente, com um simples sinal diacrítico: o ponto de interrogação ao final do título, geralmente ignorado pelos críticos das teses de Fukuyama, e provavelmente também por aqueles que apóiam, em grande medida, o sentido dos seus argumentos. Ou seja, Fukuyama não fazia uma afirmação peremptória, mas levantava uma hipótese, a do final presumido da história, numa análise de corte essencialmente conceitual, ainda que fortemente embasada nos fatos históricos, e nunca pretendeu formular uma sentença de caráter terminativo, indicando um “congelamento” das formas possíveis de organização social, econômica e política. O interrogante básico de seu argumento tem a ver com a possibilidade de alternativas credíveis às democracias liberais de mercado, ponto.
O ponto de interrogação, por si só, tem o poder de desmantelar boa parte das críticas superficiais, embora ele não elimine uma discussão responsável sobre a essência de sua tese, que caberia discutir, após o resumo inicial de seus argumentos. A tese – vale a pena resumir desde o início – tem a ver com o caráter incontornável da democracia de mercado como sendo uma espécie de ‘horizonte insuperável de nossa época’, como poderia argumentar – mas a propósito do marxismo – Jean Paul Sartre, um dos estudantes, junto com Raymond Aron, da tese original de Hegel, através de Alexandre Kojève.

2. O que Fukuyama de fato escreveu?
(...)

Governo: se vc ainda nao decorou a lista dos ministros, aqui vai um ajutorio...

Sei que é difícil lembrar, já não digo os nomes próprios, mas a própria lista de ministérios, secretarias e outros órgãos dependentes do chefe de Estado.
Se você ainda não decorou, não digo que o faça, mas pelo menos tem aqui uma referência:

NOVOS MINISTROS escolhidos pela PR:

  • valdir simão, controladoria-geral
  • nilma gomes, igualdade racial
  • jacques wagner, defesa
  • eliseu padilha, aviação civil
  • edinho araújo, portos
  • helder barbalho, pesca
  • kátia abreu, agricultura
  • gilberto kassab, cidades
  • cid gomes, educação
  • eduardo braga, minas e energia
  • joaquim levy, fazenda
  • nelson barbosa, planejamento
  • alexandre tombini, banco central
  • antonio c. rodrigues, transportes
  • carlos gabas, previdência
  • patrus ananias, desenv. agrário
  • gilberto occhi, integ. nacional
  • miguel rossetto, secretaria-geral
  • armando monteiro, indústria
  • george hilton, esporte
  • ricardo berzoini, comunicações
  • pepe vargas, rel. institucionais
  • aldo rebelo, ciência e tecnologia
  • vinicius lages, turismo
  • juca ferreira, cultura
  • josé eduardo cardozo, justiça
  • ideli salvatti, direitos humanos
  • mauro vieira, relações exteriores
  • josé elito, segurança institucional
  • aloizio mercadante, casa civil
  • afif domingos, microempresa
  • arthur chioro, saúde
  • eleonora menicucci, mulheres
  • izabella teixeira, meio ambiente
  • tereza campello, desenv. social
  • luis inácio adams, agu
  • thomas traumann, comunicação
  • manoel dias, trabalho
  • marcelo néri, assuntos estratégicos
Não foi por falta de ajuda...
Paulo Roberto de Almeida 
PS.: Grato ao meu amigo Luiz Gonzaga Coelho Jr. pela produção deste ajutório

Triste fim de Policarpo Mercosul - Editorial Estadao

 O apoio do Mercosul a Maduro

 Editorial O Estado de S. Paulo, 26/12/2014

 

Multiplicam-se as denúncias de violações de direitos humanos na Venezuela. Diversas entidades vêm relatando nos últimos tempos vários casos de perseguição a dissidentes, de uso de tortura, de constrangimentos à imprensa independente e de submissão da Justiça ao governo. Diante desse cenário de ruína acelerada da democracia naquele país, a União Europeia e os Estados Unidos tomaram providências para deixar clara sua insatisfação e pressionar o autocrata Nicolás Maduro a respeitar os direitos dos venezuelanos.

Enquanto isso, Maduro foi recebido como estadista na última reunião do Mercosul, cujos associados não fizeram nenhuma menção à deterioração da democracia na Venezuela - ao contrário, condenaram os críticos do regime chavista, acusando-os de ingerência. Atitudes como essa só servem para aumentar a certeza de que o Mercosul está descolado da realidade e, pior, que aceitou o papel de cúmplice de um regime que se notabiliza cada vez mais pelos excessos.

Foi graças a essa truculência que o Parlamento Europeu aprovou, na semana passada, uma resolução em que condena em duros termos o governo de Maduro. Depois de relacionar as diversas vezes em que a entidade se manifestou a respeito das graves violações de direitos humanos na Venezuela desde 2007, o documento diz que o governo fez uso de "força desproporcional" para conter os opositores que foram às ruas protestar ao longo de 2014. Afirma também que os responsáveis pela violência desenfreada não foram punidos e que "a perseguição da oposição democrática por parte das forças de segurança ainda continua".

Em seguida, o texto relata os diversos casos de opositores presos sem o devido processo legal e que foram vítimas de tortura sistemática. Lembra que uma comissão da ONU que recentemente analisou os casos de tortura na Venezuela denunciou "a impunidade vigente e os maus-tratos a prisioneiros políticos, o uso excessivo da força, a aquiescência e a cumplicidade com as ações de grupos armados pró-governo, as detenções arbitrárias e a ausência das garantias processuais fundamentais".

Diante disso tudo, o Parlamento Europeu "condena veementemente a repressão à oposição democrática", diz que "o diálogo construtivo é impossível enquanto líderes da oposição continuarem arbitrariamente detidos" e incita o governo da Venezuela a "respeitar a sua própria Constituição e as obrigações internacionais" em relação às instituições democráticas.

Já nos Estados Unidos, o Congresso aprovou e o presidente Barack Obama sancionou um projeto que impõe sanções econômicas a todos os funcionários do governo venezuelano, ou pessoas que atuem em seu nome, que tenham cometido ou permitido violações de direitos humanos contra opositores. A punição é o bloqueio de bens e a revogação de vistos. O projeto americano ressalta ainda a necessidade de trabalhar em conjunto com a União Europeia para obrigar o governo de Maduro a dialogar com a oposição.

Essa forma de pressão é uma maneira de enfrentar a truculência de Maduro e de tentar salvar a Venezuela do colapso econômico e social. No entanto, os companheiros do Mercosul parecem não pensar assim e decidiram dar apoio explícito ao regime autoritário chavista, que causa sofrimentos cada vez maiores aos venezuelanos.

No comunicado da última reunião do Mercosul, os países-membros manifestaram seu "profundo rechaço" à imposição de sanções por parte dos Estados Unidos. "Medidas unilaterais dessa natureza ameaçam o princípio de não intervenção nos assuntos internos de outros Estados e em nada contribuem para a estabilidade e a tranquilidade social na região", diz o texto final.

No mesmo documento, a entidade dá parabéns à Venezuela por sua eleição para o Conselho de Segurança da ONU - considerando que esse mesmo país, cujo governo chama a atenção do mundo civilizado por sua truculência, será capaz de "defender os interesses do Mercosul" naquele órgão.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Balanço geral ao final de 2014: algumas estatísticas - Paulo Roberto de Almeida


Balanço geral ao final de 2014: algumas estatísticas:
Contabilidade elementar de um ano produtivo

Paulo Roberto de Almeida


Todo final de ano, assim como os começos de um novo ano, na verdade as grandes etapas cronológicas e de calendário civil que balizam as nossas vidas, servem invariavelmente para fazer algum balanço quantitativo, se possível qualitativo também, do período encerrado, com alguma contabilidade rudimentar e alguma avaliação do que foi feito. Os mais precavidos, ou organizados – o que não é exatamente o caso deste que aqui escreve – também aproveitam para fazer para algum planejamento para o período mais à frente, que pode ser um ano mais, ou vários, até uma década inteira, dependendo dos horizontes que podem ser descortinados para cada um, em função de seus objetivos de vida, de suas prioridades, ou até de seus compromissos já assumidos, ou de simples necessidades corriqueiras.
Não é diferente comigo, a despeito do fato que tenho feito, regularmente, um simples registro contábil dos trabalhos produzidos, bem como daqueles publicados, duas listas separadas, e regularmente revistas e corrigidas, que mantenho desde o dia, aí no começo dos anos 1980, em que percebi que eu estava me perdendo na pletora de cópias em papel (alguns até no velho carbono, ou em xerox descoloridas) que mantinha de meus antigos trabalhos (os que se salvaram das muitas mudanças de residência desde a juventude), e da dispersão de vários outros, em formatos diversos, nos lugares mais impossíveis. Comecei então a organizar esses trabalhos em ordem cronológica, desde o mais antigo recuperado (que não era, obviamente, o mais antigo produzido) até o mais recente salvo da desordem anterior; coloquei-os em pastas, que eram os antigos classificadores de escritório, com os dois tradicionais furos à esquerda, embora eles fossem de tamanhos diversos, papeis enegrecidos por máquinas de escrever manual, até o modelo mais recente de que dispunha então: uma IBM elétrica, de esferas, que comprei especificamente para redigir a tese de doutorado, junto com uma copiadora pessoal, ambos me custando, na Suíça, o equivalente de um carro usado, pelo menos.
Na verdade, comecei a fazer o registro, e a guarda dos papeis, depois de terminada a tese de doutorado, dois alentados volumes, em francês, sobre a revolução burguesa no Brasil – já em transição de uma explicação tipicamente marxista, ou “florestânica”, do processo, para uma interpretação mais eclética do fenômeno – e já de volta ao Brasil, depois de um primeiro período como diplomata no exterior, entre a Suíça e a Iugoslávia (com dezenas de viagens por toda a Europa, e uma reflexão profunda sobre regimes econômicos e sistemas políticos, justamente, numa fase de socialismo terminal). Ao dar início, ou ao retomar, uma carreira acadêmica antes iniciada mas interrompida por razões profissionais e familiares, decidi, portanto, colocar em ordem os papeis sobreviventes, e começar a anotar sistematicamente tudo o que eu escrevia (de definitivo, ou seja, trabalhos terminados) e tudo o que era publicado (até então pouca coisa, inclusive algumas com nom de plume, dado o regime militar). As duas listas foram continuadas invariavelmente em todas as circunstâncias, geralmente em bases anuais, embora no começo, e retrospectivamente, juntando vários anos, o que tem sido feito com algum cuidado nos últimos 30 anos.
Todas essas listas encontram-se à disposição dos poucos curiosos em meu site, onde existem, justamente, duas seções em destaque, uma dedicada aos originais, outra aos publicados. Nem todas as listas foram atualizadas – pois ocorreram correções ulteriores – mas elas registram com absoluta fidelidade e transparência o que tenho produzido como esforço intelectual, para fins profissionais (dispensando os expedientes oficiais, obviamente), para finalidades acadêmicas, ou de simples divertimento pessoal. Ao longo do período, melhorias tecnológicas foram sendo introduzidas, a mais relevante sendo a passagem da máquina de escrever, condenada ao produto único, ao computador, esse monstro obediente que veio incrementar a produtividade e até algumas más práticas, como pode ser o recurso exagerado ao Lavoisier (para quem não sabe, trata-se daquele sábio francês do Iluminismo e da Revolução, que disse uma vez algo do tipo “na vida, nada se perde, nada se ganha, tudo se transforma”).
O computador entrou na minha vida no ano tardio de 1987 –  os chamados PCs já existiam desde o início da década, mas na época eles eram absurdamente caros, e no Brasil o dobro, sempre o dobro, talvez até o triplo, como vocês podem imaginar – e só quando eu já tinha um salário razoável no exterior, e ainda assim foi caro. Lembro-me até hoje do meu primeiro, e único, MacIntosh Plus, sem disco rígido, tudo cabendo num pequeno floppy disk de 720kb: sistema operacional, programa de redação, e todos os arquivos. Muita coisa não cabia, obviamente, assim que a minha segunda aquisição da era da informática foi um disco rígido externa, na época fabricado na Irlanda, e não no México, o que chamou a minha atenção para esse pequeno país europeu que ainda era um dos mais pobres da então Comunidade Econômica Europeia. Logo passei a um Mac SE, com disco rígido interno (mas ainda limitado) e os mesmos floppy disks de arquivo e transferência de dados. A internet ainda não tinha vigência, ou pelo menos não existia comercialmente, o que veio a ocorrer no início dos anos 1990, quando me associei à Compuserve, um dos primeiros serviços nessa área, mas ainda dependentes de lentíssimos modens utilizando a linha telefônica discada. Que atraso magnífico, que progressos fantásticos!
A opção pelo sistema da Apple, excludente e exclusivamente proprietário, sempre teve um custo adicional, em relação aos horríveis PCs, da linha MS-DOS, então disponíveis amplamente, a um custo mais baixo; esse custo se traduzia não apenas pelo preço superior de comercialização dos Macs, mas também pela quase ausência de comunicação direta com o mundo dos PCs, então como agora dominantes no mundo profissional. A decisão da Apple de nunca licenciar sua tecnologia para terceiros fabricantes impunha esse custo adicional à sua clientela fiel, que se dispunha a pagar em torno de um terço a mais para dispor de uma tecnologia superior. No universo pré-Windows – que sempre foi uma cópia mal feita do Mac-OS, um Rwuindows, como dizíamos – éramos obrigados a ter filtros especiais para transpor determinados arquivos preparados no Mac para a plataforma MS-DOS, bem mais atrasada e limitada.
Depois, a grande briga entre Apple e Microsoft amainou – os processos recíprocos por infração à propriedade intelectual descontinuados – e o diálogo se estabeleceu perfeitamente, sem que exista, atualmente, qualquer dificuldade de transposição de arquivos, muito embora os programas e as plataformas ainda continuem incompatíveis em grande medida (com exceção, atualmente, das ferramentas via web, que usam praticamente a mesma linguagem). E por que digo tudo isso? Porque, no início de minha “vida informática” eu era a trabalhar em ambiente hostil, no trabalho e especialmente no Brasil, onde os Macs eram raríssimos, obrigados os usuários a se manter em contato quase que numa verdadeira confraria de iniciados.
Mas eu me desvio do tema principal deste texto, que é apenas dedicado ao balanço deste ano que se encerra, não a uma história completa de minha proliferação produtiva, reconhecidamente exagerada, sob diversos critérios. Pois bem, o que podemos sumarizar a partir das estatísticas disponíveis? Vamos dividir este balanço segundo as grandes seções correntemente usadas nos registros: originais, publicados e trabalhos variados em plataformas específicas (como podem ser meus blogs e os de terceiros). Comecei o ano de 2014 pelo trabalho de número 2.551, terminando por este de n. 2.740, o que perfaz, portanto, 189 trabalhos completos (e eu só dou um número quando o trabalho é considerado finalizado, deixando os incompletos em diversas pastas de working files). Alguns desses 189 trabalhos representam mera assemblagem de textos anteriores, o que significaria diminuir ligeiramente o volume total, mas também seria válido considerar algumas dezenas de outros que ficaram incompletos no decurso do ano, a despeito de acumularem um número indefinido de páginas produzidas.
Considerando, portanto, esses 189 trabalhos, eles totalizaram 2.641 páginas, com alguma repetição no ano, como afirmado acima, como resultado da recuperação de trabalhos de anos anteriores, e por incorporação de artigos já escritos anteriormente em um volume maior (é o caso dos livros), mas que de toda forma implicaram em revisão de cada um deles, página por página, linha por linha, e a introdução de correções e novos acréscimos e modificações em diversas partes. Tal volume representa a redação, ou trabalho equivalente, de 220 páginas por mês, ou cerca de 7,3 páginas por dia, o que representa esforço considerável, para todos os efeitos. Mesmo se descontarmos todas as “repetições” (ou recuperações), ainda assim teríamos aproximadamente cinco páginas diárias de redação, o que também representa algum esforço de pesquisa e de reflexão.
Em termos de dimensão dos trabalhos produzidos existe grande disparidade entre eles, já que a média aparente representaria quase 14 páginas por trabalho. Mas aqui seria preciso novamente considerar que a maior parte dos trabalhos permanece na casa de um único dígito, mas os livros distorcem o número de páginas para cima. De fato, se formos computar apenas o total de páginas dos livros produzidos, do qual já descontei pelo menos a metade considerando a “recuperação” com breve revisão, o número pode representar algo em torno de 1.600 páginas, não integradas de forma completa naquela contagem acima. Desses livros, apenas um se destinou a editora comercial, sendo quatro outros elaborados em formato digital e disponibilizados via Kindle ou na plataforma Academia.edu, livremente, portanto. Haveria também de considerar os capítulos de livros escritos, em total de três, tendo sido apenas um publicado no ano (em inglês e em edição Kindle), outros dois reservados para 2015.
Não estou computando todos os pareceres que ofereci a revistas da minha área, alguns deles representando certo volume de observações tópicas e considerações gerais que poderiam facilmente agregar mais duas dezenas de páginas. Tampouco computo aqui as dezenas, provavelmente centenas de comentários iniciais a postagens de materiais diversos no meu blog Diplomatizzando, o considero impossível de ser agora estimado quanto ao equivalente em número de páginas, dado o efêmero da produção. Alguns desses comentários iniciais acabaram representando certo esforço analítico e, talvez, originalidade, e acabaram sendo recuperados ex-post para a série “oficial”, mas os que entram nesse caso foram muito poucos, menos de uma dezena, dentre as centenas, milhares de postagens com alguma “introdução” de minha parte. Apenas para se ter uma ideia desse volume de comentários iniciais, registre-se que o blog conheceu em 2014 mais de 3.125 postagens (digo “mais de” porque o ano ainda não terminou e é bem provável que eu continue postando até o calendário virar automaticamente).
Quanto à contabilidade de trabalhos publicados, ela é mais simples já que necessariamente menos numerosa. Se meus registros não falham – eles falham, por vezes, já que alguns trabalhos são publicados à minha “revelia”, sem que eu saiba exatamente quando; daí a existência de alguns números-bis na lista de publicados – eu comecei o ano com o trabalho n. 1.119 e termino com o de n. 1.158, sendo, portanto, de 39 o número total de trabalhos públicos, dos quais um livro por editora comercial, um dotado de ISBN no Kindle (em inglês, em conjunto com meu amigo brasilianista Ted Goertzel), e mais quatro outros no Kindle, apenas coletando trabalhos anteriores, que andavam dispersos ou já não estavam disponíveis. A maior parte dos publicados o foi em revistas, impressas ou digitais, dos quais vários com pareceres incógnitos. Uma consulta à lista de publicados (que estou atualizando, mas é possível que eu só receba no decorrer de 2015 alguns periódicos que são datados de 2014) revela a diversidade de veículos e a gama de assuntos abordados, o que corresponde ao que efetivamente leio, anoto e acaba servindo como reflexão e matéria prima para novos trabalhos.
Quanto ao blog Diplomatizzando, especificamente, que não foi feito para registrar ou divulgar produção – senão episodicamente – ele se situa, como já dito diversas vezes, no quadro de diversos outros blogs anteriores, criados e interrompidos por clara incompetência deste blogueiro inepto. Em todo caso, ele é uma ferramenta a mais de disseminação de materiais interessantes que acabam cruzando meu itinerário de leituras cotidianos – um vasto mundo, feito de todos os tipos de informações diárias, boletins especializados, estudos de instituições, e muito do recebo em minha caixa postal, que são processadas, geralmente comentadas, ou “introduzidas”, e postadas nesse espaço que acaba sendo uma espécie de arquivo ou repositório de material útil, para referência em caso de necessidade (esperando que as ferramentas de indexação não falhem na hora de alguma busca). Meu acesso às estatísticas do blog – assim como às do site pessoal – é muito errático e precário: de vez em quando me lembro de consultar os dados disponíveis, não tanto para me vangloriar quanto aos números, e mais para ver o que andam buscando como informação e trabalhos meus, para algum trabalho na base do “copy and paste” (tampouco me dou o trabalho de verificar o que andam copiando por aí, o que seria de toda forma inútil). Em todo caso, talvez pudesse referir alguns números, mas não tenho nenhuma base comparativa para aferir sua validade, nem pessoal, própria, como o que eu “tinha” anteriormente, nem com outros blogs.
O que eu me lembro, uma vez que ofereci um dos meus livros gratuitamente, é que em janeiro de 2012, eu tinha alcançado 500 “seguidores”, mas não me perguntem o que isso significa, ou se todos eles acessam ou recebem minhas postagens a cada vez: simplesmente não sei e não me importo muito com isso. Atualmente, ou seja, quase dois anos depois, o número de seguidores registrado numa das janelas do blog é de 797, ou seja, quase 60% a mais (tampouco sei se existe alguma sobreposição com o Google+).
No momento em que escrevo, o total de visualizações de página no blog Diplomatizzando é de 3.168.368, mas tampouco sei distinguir entre os acessos e visitas legítimas – ou seja, de pessoas direcionadas exatamente ao que buscavam – e aquelas “intrusões” dos instrumentos de busca ou até dos serviços de informações de potências poderosas, para ser redundante, buscando sabe-se lá o que neste modesto veículo. Exatamente um ano atrás, em 30/12/2013, o número de visualizações totais marcava exatamente 1.948.037 (o blog existe com este título desde junho de 2006).
Existem lições, ou pelo menos alguma lição, a tirar deste pequeno relatório sobre a produção anual? Certamente, não sei se para os leitores, mas obviamente para mim: a de que eu devo deixar de me dispersar em dezenas de pequenos trabalhos sem maior profundidade – e sobretudo com os divertissements do blog e do Facebook, quando muito besteirol vem junto com uma ou outra coisa válida – e concentrar-me nas pesquisas mais sérias que devem integrar meu segundo volume sobre a história da diplomacia econômica no Brasil, desta vez cobrindo o período 1889-1944 (terminando, portanto, em Bretton Woods, por razões mais do que evidentes). Este é o programa para 2015, e vou ter de demonstrar disciplina e foco no alvo central para tentar terminar aquilo que já deveria ter feito há pelo menos oito ou dez anos.
Com isto encerro esta avaliação, e desejo a todos um ano tão produtivo quanto eu espero manter igualmente. Meus bons votos para o ano que começa em poucas horas.

Paulo Roberto de Almeida
Hartford, 2740, 30 dezembro 2014

Boletim Meridiano 47, ultimo de 2014

Não exatamente o último; apenas o mais recente. 
Meu artigo sobre o IBRI e a RBPI é reproduzido neste número. O professor Antonio Carlos Lessa também discorre sobre a RBPI, da qual é Editor (com direito a prêmio e distinção pelo magnífico trabalho acumulado).
Paulo Roberto de Almeida

Boletim Meridiano 47 has just published its latest issue (Vol. 15 - No. 146
- november-december/2014)  at
http://periodicos.unb.br/index.php/MED/issue/view/1025
We invite you to review the Table of Contents here and then visit our web
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Editoria Meridiano 47
Instituto Brasileiro de Relações Internacionais
Meridiano47@ibri-rbpi.org

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Boletim Meridiano 47
Vol 15, No 146 (2014): Novembro-Dezembro
Table of Contents
http://periodicos.unb.br/index.php/MED/issue/view/1025

Articles
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O Instituto Brasileiro de Relações Internacionais e a Revista Brasileira
de Política Internacional: contribuição intelectual (1954 a 2014) (3-18)
   Paulo Roberto de Almeida
Cultura Nacional e Geopolítica Brasileira: O Pensamento Social na
Geopolítica Nacional (19-26)
   José Alexandre Altahyde Hage
A participação brasileira na construção da paz em Guiné-Bissau (27-34)
   Clélia Virgínia Santos Piragibe
Os desafios da publicação em acesso aberto na área de humanidades no
Brasil: as estratégias de adaptação da Revista Brasileira de Política
Internacional - RBPI (35-45)
   Antônio Carlos Lessa
Da África do Norte para a África Subsaariana – Grupos radicais
islâmicos no Mali e na Nigéria (46-52)
   Pio Penna Filho

Reviews of Books
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A Conferência de Viena (53-54)
   Emerson Maione de Souza
Child Migration and Human Rights in a Global Age (55-56)
   Patrícia Nabuco Martuscelli

Complete Issue
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v. 15, n. 146 (2014): Novembro-Dezembro (1-56)

Mensalao, Petrolao, etc., etc., etc.: Stalin Sem Gulag volta a ser o chefe da quadrilha

Temporariamente afastado das funções, por causa da "perseguição política de um nego safado", o chefe de bando volta a dar instruções a colegas de bando. 
Paulo Roberto de Almeida
Zé Dirceu, o chefe da "sofisticada organização criminosa", esteve na residência oficial da presidente. O que se sabe é que Dilma deve boa parte de sua carreira ao criminoso que tem trânsito livre no poder:


Há poucos dias o ex-ministro o ex-apenado José Dirceu visitou a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada, a residência oficial, antes das férias da chefe da nação. Uma fonte que trabalha no Palácio confirmou a passagem.

Foi uma longa conversa. Livre, leve e solto – por uma decisão de ministro do STF nomeado pela presidente Dilma – o apenado, que passou do regime semiaberto (dormir na prisão) para o domiciliar comemora a nova fase: praticamente um ano após a condenação já saiu da cadeia. Caso raro para muitas outras centenas de apenados humildes que mofam nas celas, já demonstraram levantamentos da Justiça.

É um mistério o teor da conversa da presidente com o ex-colega de governo. Sabe-se que Dilma deve parte de sua ascensão a ele. Foi Dirceu quem se esforçou, como então chefe da Casa Civil do primeiro governo de Luiz Inácio, a levá-la ao presidente. O labrador ‘Nego’, fiel guardião de Dilma e acompanhante de caminhada dela nas poucas horas vagas, foi presente de Dirceu. Mas nada disso deve ter entrado na conversa a dois.

Fato é que a visita sigilosa à presidente Dilma neste momento (um mensaleiro apenado recebido com especial dedicação no Palácio) pode também ter relação com o famigerado ‘petrolão’ – o esquema de corrupção descoberto pela PF na Petrobras. Renato Duque, o ex-diretor da estatal detido, era apadrinhado do grupo político no PT comandado por Dirceu. Duque era Dirceu e vice-versa no governo Lula dentro da Petrobras, quando Dilma já compunha o Conselho de Administração da petroleira.

É notória também entre gabinetes parlamentares e no PT a ingerência de José Dirceu na indicação de nomes de sua confiança nos conselhos dos fundos de pensão estatais – desfilou apadrinhados na Previ, Petros, Funcef, etc. Quando Dilma batia ponto no último andar do Ministério de Minas e Energia, o todo-poderoso aliado controlava do quarto andar do Palácio do Planalto uma rede de contatos que fazia jus ao mito que se criou em torno de sua figura. Ainda há, hoje, ‘Dirceusistas’ distribuídos por pontos estratégicos do governo em todas as esferas, com média ou muita influência. Entrelinhas, a presidente Dilma não receberia no Alvorada ou perderia seu tempo com apenas um ex-colega de Esplanada.

No pós-governo, demitido, Dirceu passou a usufruir de sua extensa rede de contatos para fechar contratos. Tornou-se consultor não declarado de grandes empresas nacionais e estrangeiras. Um abre-portas em qualquer órgão do governo federal. Com o PT no governo, o dinheiro entrou em sua conta. Um empresário do ramo de estaleiros chegou a pagar-lhe R$ 30 mil por mês para ter acesso a ministros e autoridades afins ao seus interesses, conta uma fonte do setor empresarial do Rio de Janeiro. Agora, Dirceu deve se retirar do escritório de José Gerardo Grossi, em Brasília, onde organiza a biblioteca – um trato com a Vara de Execuções Penais do DF – e retomar a ‘carreira’ de consultor.

Trabalho não faltará. Dinheiro, também não. Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão, e já está na rua. Pagou multa de R$ 676 mil à Justiça para dela se livrar. Em abril de 2013, meses antes de ser condenado e preso, Dirceu fretou por mais de uma semana o jatinho Citation II, prefixo PT-LLU, e pousou em pelo menos cinco capitais (cada trecho gasta-se num avião executivo R$ 50 mil só de frete). A estratégia era divulgar a sua defesa, ciente da condenação, em auditórios dos diretórios do PT lotados de simpatizantes.

Deu certo. Um estrategista de primeira linha emplacou na consciência de milhares de militantes que é um preso político, perseguido e injustiçado. Ou a chefe da nação, pelo visto, caiu nessa. Ou é cúmplice de suas artimanhas no Poder. (Coluna Esplanada, FSP).

Itamaraty: desestimulo na carreira, desengajamento na politica externa

 POLÍTICA
Com orçamento reduzido no governo Dilma em comparação com Lula e novas regras para ascensão na carreira, Ministério de Relações Exteriores perde quadros e recebe mais pedidos de transferência para postos no exterior ou para outros órgãos federais

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA


A queda de prestígio da diplomacia no governo Dilma Rousseff e a perspectiva de poucas mudanças na política externa pelo próximo mandato está levando jovens funcionários do Itamaraty a buscarem alternativas para suas carreiras. Diante da mudanças no sistema de promoção e de restrições orçamentárias, os novatos estão preferindo pedir licenças temporárias, remoções ao exterior ou mesmo transferência para outros órgãos federais, a ficarem na sede da chancelaria.
Desde que assumiu o Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff nunca fez questão de esconder a pouca deferência à política externa, bem diferente da postura do antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, com mais apreço e vocação para "vender" o Brasil. Essa mudança se fez sentir nos números: enquanto nos dez primeiros meses de 2014 o Ministério das Relações Exteriores se comprometeu a gastar R$ 1,9 bilhão, o empenho no mesmo período de 2010 foi de R$ 2,3 bilhões - o valor foi atualizado a preços de outubro de 2014. A redução de gastos levou o Itamaraty a dever mensalidades para órgãos da ONU e a cortar o número de missões diplomáticas: de mais de 180 em 2013, o volume caiu para 50 em 2014.
Completa o cenário a indefinição sobre o futuro do ministério. A permanência de Luiz Alberto Figueiredo é improvável, e as opções seriam um retorno de Celso Amorim, titular da pasta com Lula, ou a escolha do hoje embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Mauro Vieira, que seria substituído pelo atual chanceler.
Mas a insatisfação vai além do dinheiro. Sem um plano de carreira e, segundo o sindicato dos funcionários, "desprezados pelo Palácio do Planalto", a Casa de Rio Branco vive um mal-estar generalizado. Historicamente, o Itamaraty prefere a discrição e o isolamento mesmo em tempos de maior transparência da gestão pública. Por isso, sinais de que as coisas não vão bem são percebidos em casos emblemáticos como o de Edson Zuza, secretário que há poucos meses decidiu dar baixa na Divisão de Pessoal do Itamaraty para montar uma clínica particular de dermatologia.
Estado procurou o secretário para que pudesse comentar a informação, em mensagens enviadas nos dias 15 e 16 de dezembro por redes sociais. Ele não as respondeu. Nesta segunda-feira, após a publicação da reportagem, ele procurou o Estado para dizer que pretende "apenas tirar uma licença para tratar interesses particulares". As informações sobre sua saída haviam sido passadas à reportagem pelo sindicato. Hoje, Zuza indicou que "as informações não foram obtidas diretamente com o diplomatas" e que não existe uma clínica ligada a ele.
Os pedidos de remoção para serviços fora do País também cresceram. Neste semestre, 68 terceiros-secretários - posto inicial na diplomacia - somaram-se a outros 19 diplomatas mais graduados na disputa por vagas espalhadas pelo mundo - aumento de 70% em relação a 2013. No dia 18, 32 postos foram almejados. Essa competição reduz as chances dos menos graduados, o que aumenta a insatisfação. Além das portas fechadas aos terceiros-secretários, a cúpula abriu outra crise ao ignorar candidaturas de dois chefes de divisões, chefes de gabinete e outros diplomatas mais graduados.
Pela Ordem. "Estamos vivendo um momento dramático", disse Eduardo Saboia, diplomata que retirou da Bolívia o senador oposicionista Roger Pinto, em 2013. Depois de ser alvo de uma sindicância na chancelaria que jamais resultou em uma definição sobre sua carreira, ele está hoje no Departamento Financeiro do Itamaraty em Brasília. Mas confessa que está estudando para a prova da OAB. "Já passei na primeira fase. Não posso descartar outras possibilidades", justificou.
A queixa nos corredores do Itamaraty é de que as promoções dão prioridade ao tempo de serviço dos beneficiados, e não aos méritos propriamente ditos. Há ainda queixas dos que, ao chegar a postos mais altos, descobrem que não há verba ou estratégia traçada para promover a política externa.
"Reparamos que tem havido relativa frequência de servidores das carreiras de oficial e de assistente de chancelaria pedindo vacância, para assumir outro cargo publico, ou para aposentadoria voluntária", disse a presidente do Sinditamaraty, Sandra Malta dos Santos.
Em 2013, ao assumir o ministério, Figueiredo anunciou que as promoções seguiriam critérios de tempo de permanência no órgão: 30 anos de carreira é pré-requisito para um ministro de segunda classe ser promovido a embaixador; 18 anos para um conselheiro ascender a ministro, e 15 anos para um primeiro-secretário aspirar a conselheiro. O resultado prático disso é a desmotivação de jovens diplomatas, em especial entre os quase 400 recrutados pelo governo Lula para dar maior projeção externa ao Brasil.
Figueiredo também deixou de adotar uma lei aprovada na gestão do antecessor, Antonio Patriota, que permitiria um fluxo maior na carreira diplomática. Uma série de embaixadores já ultrapassaram a idade-limite de 65 anos, em postos na Europa, Ásia e América do Norte, mas não têm aceitado abandonar seus postos, o que permitiria uma maior renovação dos quadros e amenizaria a insatisfação entre os novatos."As perspectivas para os jovens diplomatas atualmente não são as mais promissoras", disse Sandra.

Brasil economia: deficit nominal amplia o ajuste fiscal em 2015 (Itau Macroeconomica)

  BRASIL - Déficit primário aumenta o desafio fiscal
Itau Macroeconômica, 29/12/2014
[ver o link para os gráficos e tabelas: http://www.itau.com.br/itaubba-pt/analises-economicas/publicacoes/]

Destaques
• Os resultados fiscais de novembro surpreenderam negativamente, com o setor público consolidado atingindo um déficit primário de R$ 8,1 bilhões (expectativa de mercado: R$ -1,6bi; Itaú: +4,0bi). Além do já esperado pagamento atrasado de precatórios (R$6,1bi), a aceleração nas despesas federais discricionárias foi decisiva para o resultado negativo no mês. A arrecadação do Refis (R$8,1bi) evitou um resultado ainda mais negativo.

• De janeiro a novembro, o setor público acumula déficit primário de R$19,6 bilhões, o que torna improvável um resultado primário positivo em 2014. Acumulado em 12 meses, o primário recuou a -0,2% do PIB, enquanto a nossa estimativa de primário recorrente (que exclui as receitas e despesas atípicas) alcançou -0,7% do PIB.

• Um superávit primário negativo ou zerado em 2014 aumenta o desafio para o ajuste fiscal, que tem como meta alcançar um superávit primário de R$ 66 bilhões (1,2% do PIB) em 2015.

Resultado Primário Torna-se Deficitário em 12 meses
O Setor Público Consolidado registrou um déficit primário de R$8,1 bilhões em novembro. O resultado foi composto por um déficit de R$6,7 bilhões do governo central e R$1,8 bilhão dos governos regionais; enquanto as empresas estatais registraram superávit de R$368 milhões.

As principais surpresas em relação a nossa projeção foram despesas federais discricionárias mais elevadas (ainda que desacelerando frente aos meses anteriores), o pagamento de precatórios um pouco acima do que assumimos para este mês e o déficit primário dos governos regionais.

O crescimento do gasto federal total em termos reais acelerou de -0,3% outubro para 6,5% em novembro. Acumulado no ano, o gasto cresce 4,9%, ritmo acima de estimativas de crescimento potencial da economia, o que evidencia postura fiscal expansionista do lado da despesa. Enquanto isto, a arrecadação segue em leve queda em termos reais, devido a fraqueza da atividade econômica e as desonerações tributárias dos últimos anos.

De janeiro a novembro, o setor público acumula déficit primário de R$19,6 bilhões, o que torna improvável um resultado primário positivo em 2014. Acumulado em 12 meses, o superávit primário convencional recuou de 0,6% para -0,2% do PIB, enquanto a nossa estimativa de primário recorrente (que exclui as receitas e despesas atípicas) caiu de -0,5% para -0,7% do PIB. Além do resultado mensal aquém do esperado, a queda acentuada do superávit primário convencional é resultado de um efeito base desfavorável, devido a um volume elevado de receitas extraordinárias em novembro de 2013 (perto de R$35bi de Refis e concessão do campo de petróleo de Libra).

Dívida bruta segue em alta
Devido à queda no resultado primário, o déficit nominal acumulado em doze meses subiu de 5,0% para 5,8% do PIB - quase o dobro do observado em novembro de 2013. As despesas de juros acumuladas em doze meses ficaram relativamente estáveis em 5,6% do PIB.

A dívida líquida do setor público variou pouco, alcançando 36,2% do PIB. Mas a dívida bruta do governo geral subiu de 62,4% para 63,0% do PIB. A depreciação cambial teve efeito favorável na dívida líquida, porque o setor público possui maior volume de ativos do que passivos em dólares. No entanto, o efeito da depreciação do câmbio é desfavorável para a dívida bruta, em função da dívida externa, da dívida interna indexada ao câmbio e do estoque de swaps cambiais. Para exemplificar, calculamos que uma depreciação de 10% da taxa de câmbio causa uma queda de 1,0 p.p. do PIB na dívida líquida e alta de 0,8 p.p. do PIB na dívida bruta.

Conclusão
Os resultados fiscais de novembro surpreenderam negativamente, com o setor público consolidado atingindo um déficit primário de R$ 8,1 bilhões (expectativa de mercado: R$ -1,6bi; Itaú: +4,0bi). Além do já esperado pagamento atrasado de precatórios (R$6,1bi), a aceleração nas despesas federais discricionárias foi decisiva para o resultado negativo no mês. A arrecadação do Refis (R$8,1bi) evitou um resultado ainda mais negativo. O déficit primário acumulado no ano torna improvável o alcance de um resultado primário positivo em 2014.

Um superávit primário negativo ou zerado em 2014, além dos riscos baixistas para a atividade econômica no ano que vem, aumenta o desafio para o ajuste fiscal, que tem como meta alcançar um superávit primário de R$ 66 bilhões (1,2% do PIB) em 2015.

Luka Barbosa
Economista
Pesquisa macroeconômica - Itaú
Ilan Goldfajn - Economista-Chefe
Para acessar nossas publicações e projeções visite nosso site:
http://www.itau.com.br/itaubba-pt/analises-economicas/publicacoes/

Google world: as buscas mais comuns em certos paises em 2014 - The Washington Post, World Views

O Google (quem nao está nele, ou quem não o usa?) é um instrumento fabuloso: quando tomei conhecimento de sua existência, no final dos anos 1990, ainda hesitei um pouco em adotá-lo como buscador principal, em substituição ao que eu então usava (e que por incrível que pareça, já nem me lembro de qual era, tantas foram as derrocadas nesse campo: alguém ainda se lembra do navegador Netscape, que chegou a ter mais de 90% do mercado?), mas depois que passei a utilizá-lo ele virou até palavra e verbo de uso corrente, pelo menos nos EUA. Mas também no Brasil: quem é que não googlelizou em busca de algo útil? (e aí acabam aparecendo 545 mil opções de respostas...)
Pois aqui estão as palavras mais frequentes buscadas em certos países.
Quem tiver paciência, procure pela principal palavra no Brasil, OK?
Aposto como tem a ver com os saudáveis hábitos companheiros...
Paulo Roberto de Almeida

5 Google search trends that help explain the chaos of 2014

 
The Washington Post, World Views, December 29 at 12:20 PM
Every year, Google releases a variety of lists that reveal the world's favorite search terms. The American tech corporation also distinguishes between countries and categories, which allows an examination of global differences in search behavior.
Of course, Google's search trends do not reflect world events in their entirety, partially because the search engine is not dominant in all countries and many Middle Eastern nations are missing from Google's summary. In some cases, however, the search trends reflect worrisome international conflicts or problems.
You can take a closer look at the data here, but we have compiled a list of some of the most politically revealing search trends in 2014.
Ukrainians were more interested in manuals that explain how to make molotov cocktails than in any other recipe. Google considers such manuals to be recipes -- a category that is usually occupied by cook-book entries in other countries. 
In 2013, nobody would have predicted that 2014 could become such a decisive year in the history of Ukraine. Last January, Ukrainians angered by the government of then President Viktor Yanukovych, a Moscow ally, protested in Kiev and western Ukraine. Violence soon overshadowed the uprising and Feb. 20, at least 88 people were killed within only 48 hours.
Two days later, Yanukovych fled to Russia -- but chaos persisted in Ukraine.
The particular interest in molotov cocktails can be traced back to the street fights in Kiev and other cities that were particularly frequent in the first half of the year.
In 2013, the most asked question in Ukraine that involved the word 'How' was "How to make a screenshot?" This year, however, Ukrainians were primarily interested in: "How do I save electricity?"
As the Economist pointed out in November, Ukraine is the world's least equal country in terms of wealth. The Post's editorial board concluded on Dec. 22 that Ukraine's currency and GDP forecasts were in even worse shape than Russia's. Given that Ukraine braces for a cold winter, experts fear the collapse of the country's already fragile economy.
The European Union recently estimated that at least $15 billion in additional foreign assistance was needed to prevent the implosion of Ukraine's economy.
Many Ukrainians are already feeling the impact: Earlier this month, the U.N. children's agency warned that more than 1.7 million children were suffering due to the conflict in Ukraine and that the situation was exacerbated by cold temperatures and a lack of supplies.
In Sweden, the fourth most googled question starting with "Why?" has been: "Why was the E.U. established?"
Sweden is often considered a role model democracy and welfare state. This year, though, was a tough one for admirers of the Scandinavian nation of roughly 9.5 million inhabitants.
2014 exposed an anti-immigration attitude among many Swedish that has worried many abroad. An anti-immigration party that is often accused of promoting xenophobia came in third in this year's elections in September.
When Europe elected the E.U. parliament in May, anti-immigration as well as anti-European Union attitudes gained momentum and were often promoted by the same right-wing parties. That could explain the Swedish interest in getting to know why the E.U. was established in the first place.
Many French searched for information on how to abstain from elections. "How to vote blank/ white" was most searched in the category of sentences starting with "How to …”
France's political elite had at least three reasons to be worried this year: the European Parliament elections, as well as the country's Senate and municipal elections. All three turned out to be disastrous for the ruling Socialist party.
While France's current President Francois Hollande became the most unpopular one in the country's recent history, right-wing party Front National celebrated major gains.
Its success was fueled by the country's weak economic performance, high unemployment rates, and a rise in xenophobic, as well as anti-Semitic, attitudes.
With an abstention rate of 56.5 percent from this year's E.U. elections, France was far above average (43.1 percent). Many polling experts believe that the high rate of abstention is a sign of frustration among the French with their political elites.
5. In Israel, the most searched news event term was the Home Front Command.
Israel's Home Front Command, established in 1992, is a military entity that is deployed within the country. For instance, its Web site provides instructions and local alerts in the case of an emergency or attack.
Hence, the Command was among the most regionally searched terms in 2014 – a year in which thousands (and far more Palestinians than Israelis) died in a conflict that was dubbed Operation Protective Edge by Israel.
Rick Noack writes about foreign affairs. He is an Arthur F. Burns Fellow at The Washington Post.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Politica externa: o choro do Barao do Rio Branco - Fábio Pereira Ribeiro (Exame)

Um artigo que generosamente cita o meu último livro, menos generosamente recebido na Casa de Rio Branco...
Meus agradecimentos ao Fábio Pereira Ribeiro, jornalista e professor, que encontrou uma maneira de me promover, pelo menos virtualmente...
Paulo Roberto de Almeida 

O choro do Barão do Rio Branco

Fábio Pereira Ribeiro 
 
Nunca antes neste país o Itamaraty foi tão esculachado. Imagino que o Barão do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos Júnior, ainda chore em seu túmulo. Suas iniciativas, ideais, pragmatismos, políticas e defesa pela Nação brasileira no exterior foram relegadas a um plano de poder partidário. O Barão do Rio Branco sempre foi categórico, “a pasta de Relações Exteriores não é e não deve ser uma pasta de política interna”. Será que desaprendemos nos últimos anos? O que está acontecendo com o Itamaraty? O Ministério das Relações Exteriores sempre foi a ilha de excelência do serviço público brasileiro, e reconhecido como um dos melhores serviços exteriores do mundo. O Brasil sempre foi respeitado internacionalmente pelas ações de grandes diplomatas, mas o que acontece hoje? Até a palavra calote colou na imagem do Itamaraty.
Como diria o Embaixador Rubens Antônio Barbosa em seu prefácio da obra do Embaixador Paulo Roberto de Almeida, “Nunca antes na Diplomacia…”, “a marginalização do Itamaraty, sobretudo no tratamento de assuntos relacionados aos países vizinhos da América do Sul, certamente não estaria agradando ao Barão do Rio Branco...”. Por sinal, o próprio Embaixador Paulo Roberto de Almeida lembra em sua obra, “o Mercosul, como um instrumento de abertura de mercados, foi dos projetos que mais sofreu com a partidarização da política externa nos últimos doze anos”. Partidarização é um mal para a diplomacia, e para o Brasil uma tragédia na política externa.

Algumas agendas nacionais e internacionais devem estar totalmente conectadas com a sociedade. Política Externa, Defesa e Inteligência não podem sofrer do mal da partidarização. A partidarização está destruindo instituições de excelência no serviço público brasileiro, e ainda coloca em risco o futuro de um projeto consistente de país. O Embaixador Rubens Antônio Barbosa, que foi embaixador em Londres e em Washington, bem lembrou na obra do Embaixador Paulo Roberto de Almeida, “o Itamaraty continuou a fazer diplomacia, mas, a partir de 2003, passou a estar acompanhado – ou, melhor, controlado indevidamente – por aqueles que passaram a determinar a política externa do Brasil com base em critérios essencialmente partidários”. O projeto de partido que importa, a sociedade brasileira não.
Quando assistimos a vexatória posição do Itamaraty perante fornecedores no exterior, já dá para imaginar o quanto diplomatas e profissionais de carreiras e comissionados sofrem com o descaso das políticas públicas e partidárias inseridas no âmbito da Política Externa brasileira. Um diplomata, que vou respeitar a proteção da fonte, me disse em Paris que já se tornou rotina “o atraso de salários, aluguéis e despesas com manutenção dos equipamentos públicos brasileiros”. Nem biblioteca brasileira para pesquisadores foram poupadas. Praticamente todas estão fechadas e desestruturadas. Imagino o que se produz de inteligência através de uma embaixada? Como alguém pode pensar em inteligência se tem que se estressar com as despesas no final do mês? Literalmente o Itamaraty está vendendo o “almoço para ter a janta”.
Com certeza o Barão do Rio Branco está chorando em seu túmulo, e seu choro é ouvido em todos os rincões do mundo. Até que ponto chegaremos com esta política externa, onde um “ser desiluminado” ainda manda nas regras diplomáticas? Por que a Presidente Dilma Rousseff tanto se afasta das agendas de Política Externa, Defesa e Inteligência?
Barão do Rio Branco - Patrono das Relações Exteriores do Brasil
Barão do Rio Branco – Patrono das Relações Exteriores do Brasil
Os resultados estão aí, não precisa procurar muito para ver o tamanho do estrago. Gosto de lembrar do ensinamento do Embaixador Rubens Antônio Barbosa, “a partidarização da política externa trouxe consequências negativas para a ação do Itamaraty e, via de consequência, também para a política de comércio exterior. Esses desvios repercutiram amplamente nas negociações comerciais externas, nas quais simpatias políticas prevaleceram sobre obrigações contraídas no âmbito do Mercosul ou até sobre regras prevalecentes no sistema multilateral da OMC. A prioridade desequilibrada atribuída a uma mal designada “diplomacia Sul-Sul”e a vontade ingênua de inaugurar uma “nova geografia do comércio internacional” fizeram com que os exportadores brasileiros deixassem de abrir mercados em países desenvolvidos, resultando em déficit extraordinário com nossos maiores parceiros da Europa e com os EUA. Por outro lado, as ações na África e no Oriente Médio não produziram ganhos políticos significativos nem comerciais expressivos, já que, em termos percentuais, o crescimento do intercâmbio comercial com essas regiões foi bastante reduzido”. A verdade é uma só, as últimas escolhas da Política Externa atual são verdadeiros desastres. Trocamos seis por meia dúzia. Nem Mariel é este mar de flores como pregam.
O Diplomata e Diretor do Bric Lab da Columbia University, Marcos Troyjo, lembra em seu último artigo na Folha de São Paulo, “Iludindo-se com Cuba” o quanto nossa política externa atual tem uma bússola de uma só direção, pelo menos do erro. Troyjo afirma que “nos últimos 12 anos, o Brasil apostou numa América Latina de duas velocidades. Colocou fichas na coalização de regimes mais à esquerda. Privilegiamos o eixo socialista-bolivariano, baseado na onipresença do Estado na vida econômica e numa xenofobia seletiva centrada nos EUA. Venezuela, Bolívia, Equador e de alguma forma a Argentina integram esse grupo. Com a normalização de relações com seu grande vizinho, Cuba, epicentro histórico de tal agrupamento, voltará a ter em Washington, não Brasília ou Caracas, sua referencia geoeconômica. Da perspectiva diplomática, iniciativas apoiadas pelo Brasil na cooperação hemisférica sem a participação sem a participação dos EUA, como Unasul e a Celac, perdem força”. Nós brasileiros sofremos de uma cegueira internacional. Será que não conseguimos imaginar o que acontece na Venezuela de hoje lá com o Maduro, o homem que fala com a Pomba Rola achando que é o Hugo Chávez? Será que não conseguimos ver o que está acontecendo na América do Sul? E estou falando literalmente dos mais necessitados.
De uma forma geral, o Itamaraty não pode ser destruído com a nossa Política Externa. O Brasil não pode ser babá de ditaduras ou de países que preferem esculachar os mais pobres do que criar uma política consistente de desenvolvimento para o futuro. O Embaixador Paulo Roberto de Almeida é bem claro em relação aos métodos do “jogo diplomático”. Eu, particularmente, tenho dúvidas se o Brasil de hoje usa algumas regras fundamentais para o “jogo diplomático”:
“Clareza de intenções” – Será que no caso de Mariel existe clareza de intenções, ou pelo menos transparência nos projetos?
Interação entre a diplomacia e a economia– Algo muito distante, veja o esforço que médios empresários têm que fazer na África. Algo quase rastejante.
Aferição precisa quanto aos meios disponíveis”.
Flexibilidade e abertura às inovações” – neste ponto, literalmente estamos retrocedendo ao pré Barão do Rio Branco.
NuncaAntesDiplomaciaCapaFrente
O Brasil é um país continental, é uma potência internacional (por mais que muitos não acreditem nisso), tem grandes riquezas naturais, uma economia interna que salvaguarda crises internacionais, grandes potências querem fazer negócios (mas ficam desconfiadas do partidarismo na política externa), temos presença em praticamente todos os países (por mais que tenhamos problemas de custeio e orçamento), assim, não tem sentido o Itamaraty ser tão destituído de sua grande força e história nas Relações Internacionais. A história do Itamaraty é extremamente respeitada, só tenho medo que tudo fique só na história do passado e não do futuro.

As vacas socialistas: poderia ser uma piada, mas estamos em Cuba...

Essa matéria da FSP, trágica se não fosse patética e surrealista (mas continua sendo trágica para os cubanos), me lembrou a história das vacas em diversos regimes econômicos, que reproduzo mais abaixo...
Paulo Roberto de Almeida

Cuba e as vacas
Patrícia Campos Mello - repórter especial da Folha.
Folha de S. Paulo, 29/12/2014

Em Cuba, matar e vender uma vaca pode dar até 18 anos de prisão. Segundo o código penal, trata-se de "sacrifício ilegal de gado e venda de suas carnes".
O cubano que matar uma vaca sem autorização do governo, mesmo que o animal pertença a ele (50% das cabeças de gado da ilha são particulares ou de cooperativas), fica entre 4 e 10 anos atrás das grades. Se vender essa carne diretamente ao consumidor, no mercado negro, em vez de repassar ao Estado por preços irrisórios, fica mais 3 a 8 anos preso.
Ou seja, quem mata e vende uma vaca em Cuba pode ficar mais tempo preso do que alguém que comete homicídio simples, que passa até 15 anos na prisão.
Resultado: muitos cubanos são "criativos".
Alguns amarram suas vacas nos trilhos do trem para que elas sofram "acidentes" (ainda que possam ser multados por isso). Outros fingem que o gado foi roubado para poder vender a carne.
De qualquer modo, carne é artigo de luxo. Só turistas, gente que recebe remessas de parentes ou ganha em dólares consegue comprar.
O produto não faz parte da cesta básica disponível em pesos cubanos. Quem precisa de proteína, come frango, quando tem, ou apela para salsicha ou um atroz "picadillo" feito de soja, gordura e miúdos.
Até existe carne à venda nas lojas dolarizadas, que vendem em CUCs, o peso conversível.
Mas o preço é proibitivo. O salário médio em Cuba é de 30 CUC (US$ 33) e o quilo da carne de vaca sai a 12 CUC (US$ 13).
O único jeito é comprar no mercado negro, a 2 CUC o quilo. Isso implica muitas vezes comprar do pessoal que chega com bifes escondidos debaixo do casaco, de procedência duvidosa.
"Segurança, educação e saúde aqui em Cuba são ótimos", diz o guia turístico cubano Alberto Rodríguez. "Mas não podemos passar a vida inteira comendo salsicha e picadinho de soja; as coisas precisam mudar."
A revolução está ruindo pelo estômago.
E com seu principal patrocinador, a Venezuela, à beira de um colapso econômico, o governo cubano sabe que não tem tempo a perder.
O timing é perfeito para a reaproximação com os EUA, após cinco décadas de hostilidades entre os dois países.
A esperada injeção de investimentos norte-americanos é a última esperança de sobrevivência do regime castrista.
Mas o começo do fim do isolamento de Cuba tem efeitos colaterais: pode adiar ainda mais a abertura política em Cuba, ao dar um oxigênio extra para o ditador Raúl Castro. Para desespero dos presos políticos na ilha, que não se limitam aos 53 cuja libertação foi negociada pelo presidente Barack Obama.
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Recebido em 2004, e, depois de dez anos, merece algumas atualizações criativas, algumas trágicas, outras simplesmente risíveis:

As vacas e o capitalismo
(nova versão de uma velha anedota)

CAPITALISMO IDEAL
Voce tem duas vacas.
Vende uma e compra um touro.
Eles se multiplicam, e a economia cresce.
Você vende o rebanho e aposenta-se, rico.
CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas.
Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas.
Fica surpreso quando ela morre.
CAPITALISMO FRANCÊS:
Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer que o Estado lhe garanta três, com os generosos subsídios da Política Agrícola Européia.
CAPITALISMO CANADENSE:
Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.
CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas.
Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite.
Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.
CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas.
As duas são loucas.
CAPITALISMO ITALIANO
Você tem duas vacas.
Uma delas é sua mãe, a outra é sua sogra, maledetto!!!.
CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas.
Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.
CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas.
Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa.
Mas o que você queria mesmo era criar porcos.
CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas.
Conta-as e vê que tem cinco.
Conta de novo e vê que tem 42.
Conta de novo e vê que tem 12 vacas.
Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.
CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.
Você cobra para guardar a vaca dos outros.
CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.
CAPITALISMO PORTUGUÊS
Você tem duas vacas.
E reclama porque seu rebanho não cresce...
CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas.
Ai de quem tocar nelas.
CAPITALISMO ARGENTINO
Você tem duas vacas.
Você se esforça para ensinar as vacas a mugirem em inglês...
As vacas morrem.
Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.
CAPITALISMO ENRON
Você tem duas vacas. Vende três para a sua companhia de capital aberto usando garantias de crédito emitidas por seu cunhado. Depois, faz uma troca de dívidas por ações por meio de uma oferta geral associada, de forma que você consegue todas as quatro vacas de volta, com isenção fiscal para cinco vacas. Os direitos do leite das seis vacas são transferidos para uma companhia das Ilhas Cayman, da qual o sócio majoritário é secretamente o dono. Ele vende os direitos das sete vacas novamente para sua companhia. O relatório anual diz que a companhia possui oito vacas, com uma opção para mais uma. Você vende uma vaca para comprar um novo presidente dos Estados Unidos e fica com nove vacas. Ninguém fornece balanço das operações e o público compra seu esterco.
CAPITALISMO CHINÊS
Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas.
Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade.
E prende o ativista que divulgou seus números.
CAPITALISMO BRASILEIRO
Você tem duas vacas.
Uma delas é roubada.
O governo cria a CCPV- Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca.
Um fiscal vem e lhe autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais.
A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200 vacas e para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo.
E para finalizar:
CAPITALISMO PETISTA:
Voce tem duas vacas.
Vem o MST, abate uma para fazer um churrasco para os Sem Terra e diz que a outra vaca não está cumprindo sua função social.
Vem o INCRA coloca um imposto sobre o seu rebanho inexistente, desapropria suas terras e lhe entrega títulos da dívida da lojinha do PT.
Você entra na Justiça, o governo é condenado a lhe ressarcir: ele o faz com dois cartões magnéticos do Fome Zero, que lhe dão direito a retirar, diretamente com o prefeito da sua cidade, 65 reais por mês. Você reclama com o presidente, e ele manda o chefe da Casa Civil resolver o seu problema: ele cria mais uma comissão interministerial de 65 membros, com prazo certo, publicado no Diário Oficial, para apresentar uma solução: você continua esperando até hoje...

(Autoria desconhecida; circula na Internet; recebida em 12 de dezembro de 2004, atualizada em 5 de abril de 2005)