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domingo, 17 de setembro de 2017

Venezuela: sancoes financeiras americanas devem abalar o regime chavista - Lourival Sant'Anna

Agora vai? Talvez, mas com novos sofrimentos da população.

Sanções à Venezuela

Sanções implementadas pelos EUA serão eficazes para estrangular economia do país

Lourival Sant'Anna, 
 O Estado de S.Paulo, 17 Setembro 2017
Representantes do governo e da oposição da Venezuela se reuniram quarta e quinta-feira em Santo Domingo, para explorar a possibilidade de negociação. Um novo encontro foi marcado para o dia 27, também na capital dominicana. Deverão participar também México, Chile, Bolívia e Nicarágua – dois países críticos ao regime chavista e dois aliados, respectivamente.
Nos últimos dois anos, houve muitas reuniões com esse propósito, sem resultado. Desta vez pode ser diferente, como sugere o próprio formato da negociação, fora da Venezuela, com robusta intermediação internacional e a participação de dirigentes importantes de ambos os lados.
Chavistas fazem protestos em Caracas com cartazes ironizando os opositores Henry Ramos Allup e Lilian Tintori, chamados de
Chavistas fazem protestos em Caracas com cartazes ironizando os opositores Henry Ramos Allup e Lilian Tintori, chamados de 'vende pátria' Foto: EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
As sanções financeiras impostas pelo governo americano dia 25 começam a surtir efeito. Nenhum banco relevante quer transacionar com a Venezuela e com isso correr o risco de não poder mais ter negócios com os EUA.
 
Como o próprio presidente Nicolás Maduro se queixou, a Venezuela tem dinheiro depositado em bancos, mas não consegue sacá-lo para importar alimentos e remédios. Isso, num quadro já de brutal escassez de produtos básicos. Ao cobrir a eleição para a Assembleia Constituinte em 31 de julho, analistas me disseram que o que faria diferença seriam não sanções comerciais sobre a venda de petróleo, mas sanções financeiras como as que foram aplicadas. Embora os EUA sejam o maior comprador de petróleo da Venezuela, ela teria condições de reorientar suas vendas para outros compradores. Perderia receita, mas não ficaria tão asfixiada. Já com sanções financeiras, não há o que fazer. Não adianta vender, porque não recebe o pagamento; não adianta ter dinheiro, porque não consegue comprar. 
O Irã viveu esse drama entre 2008 e 2015, quando sanções financeiras e também medidas para monitorar os cargueiros iranianos causaram o estrangulamento de sua economia. Houve inflação e perda de poder aquisitivo da população. A teocracia iraniana se sentiu abalada a ponto de permitir a eleição do conservador moderado Hassan Rohani, em 2013. A retórica provocativa de Mahmoud Ahmadinejad deu lugar à atitude serena e pragmática de Rohani, educado em Glasgow, possibilitando o acordo nuclear de 2015. 
As eleições no Irã são controladas pelo líder espiritual Ali Khamenei, desde a seleção dos candidatos até a contagem dos votos, como ficou claro na fraude de 2009 que garantiu a reeleição de Ahmadinejad. Rohani foi reeleito este ano por ampla margem, derrotando o nacionalista Ebrahim Raisi, que poderia colocar em risco o acordo. Sua maior ameaça hoje é Donald Trump, que o denunciou durante a campanha como um “péssimo acordo”, mas até agora não moveu uma palha para rasgá-lo, apesar das pressões de Israel nesse sentido.
Há diferenças entre as situações do Irã e da Venezuela. O conflito venezuelano é interno. O programa nuclear iraniano tem um caráter não só de governo, mas de Estado. E chegou a unir uma parte da população em seu favor, embora houvesse críticas tanto na opinião pública quanto no interior do regime contra a retórica abrasiva de Ahmadinejad, que atraía as preocupações internacionais e com isso punha em risco o próprio programa. 



A perda de qualidade de vida causada pelas sanções mudou o humor dos iranianos com relação ao sonho nuclear, tornado pesadelo. Na Venezuela, a população já estava sofrendo antes das sanções, com desabastecimento e hiperinflação, além da truculência do regime. E os chavistas já haviam posto em prática uma estratégia bem-sucedida de permanência no poder, garantindo o apoio dos generais, que lucram com a distribuição dos produtos. Agora a situação vai se deteriorar na Venezuela, empurrando para um limite a capacidade até mesmo das forças de segurança de conter a insatisfação da população e de setores do próprio regime.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Venezuela: aumenta o numero de refugiados economicos na Colombia

E o Brasil estaria preparado para administrar eventuais levas de refugiados econômicos venezuelanos -- e possivelmente de uma não descartada guerra civil -- em sua fronteira norte, em Roraima?


Colômbia cogita criar campos de refugiados para venezuelanos

Governo se inspira na Turquia; até 30 mil já cruzariam fronteira por dia
POR JANAÍNA FIGUEIREDO, CORRESPONDENTE

O Globo, 29/08/2017


BUENOS AIRES — Entre Colômbia e Venezuela existem sete postos de fronteira oficiais e cerca de 512 passagens informais, cada vez mais utilizadas por venezuelanos que decidem abandonar seu país em busca de melhor qualidade de vida e fuga da repressão em terras colombianas. Nas últimas semanas, desde que o governo do presidente Nicolás Maduro instalou sua polêmica e questionada Assembleia Nacional Constituinte (ANC), a emigração para a Colômbia intensificou-se de forma expressiva e atualmente, segundo ONGs e dirigentes políticos colombianos, chega a até 30 mil pessoas por dia.
BUENOS AIRES — Entre Colômbia e Venezuela existem sete postos de fronteira oficiais e cerca de 512 passagens informais, cada vez mais utilizadas por venezuelanos que decidem abandonar seu país em busca de melhor qualidade de vida e fuga da repressão em terras colombianas. Nas últimas semanas, desde que o governo do presidente Nicolás Maduro instalou sua polêmica e questionada Assembleia Nacional Constituinte (ANC), a emigração para a Colômbia intensificou-se de forma expressiva e atualmente, segundo ONGs e dirigentes políticos colombianos, chega a até 30 mil pessoas por dia.
Em muitos casos, famílias inteiras entram na Colômbia com pouquíssimos recursos e acabam dormindo nas ruas e praças. A situação é delicada e o governo de Juan Manuel Santos já cogita, publicamente, criar campos de refugiados, inspirados na experiência da Turquia com os sírios. Um dos que mencionaram esta possibilidade foi o conselheiro de Segurança da Presidência, Juan Carlos Restrepo, que esteve este ano na Turquia visitando os locais. Em entrevista ao site “El Colombiano”, Restrepo afirmou que seu governo está “preparados para abordar essa opção, como última alternativa”.
O cenário ainda não é visto como tão dramático por Jozef Merkx, representante na Colômbia do Alto Comissionado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Ao GLOBO, Merkx assegurou que “não é momento de falar em campos de refugiados”.
— Não vemos essa necessidade. Monitoramos as fronteiras e não observamos uma avalanche de venezuelanos. Em muitos casos, as pessoas compram coisas na Colômbia e voltam ao seu país. Acreditamos que existem outras maneiras de ajudar, e o governo Santos está lidando muito bem com a situação.
Mas nem todos são tão cautelosos como Merkx. De acordo com a Associação de Venezuelanos na Colômbia, atualmente cerca de 1,5 milhão de cidadãos venezuelanos vivem no país. A grande maioria, disse o presidente da associação, Daniel Pages, chegou nos últimos anos. Os compatriotas que a cada dia atravessam a fronteira poderiam superar 30 mil, segundo ele.
— Antes, emigrávamos para melhorar a qualidade de vida. Hoje, emigramos para comer e sentir-nos seguros. Falar num campo de refugiados é uma necessidade, porque os venezuelanos estão espalhados por todos os lados — diz, relatando que há famílias de quatro pessoas que migram com US$ 30 no bolso: — As pessoas estão morando nas ruas, praças e rodoviárias. É muito triste e só vai piorar.

A mesma posição foi defendida pelo senador Jorge Hernando Pedraza Gutiérrez, do Partido Conservador:
— Temos de conscientizar a comunidade internacional sobre este drama, porque a Colômbia não tem recursos para financiar os programas que serão necessários, em matéria de saúde, educação e moradia.
O governo Santos já autorizou os venezuelanos detentores da Permissão Especial de Permanência (PEP, de 90 dias, prorrogáveis por até dois anos) a terem acesso ao sistema nacional de Saúde. Mas, de acordo com Pedraza Gutiérrez, são necessários planos mais abrangentes que considerem mercado de trabalho e segurança.
ESPERANÇA TROCA DE LADO
Muitos venezuelanos que emigram à Colômbia são filhos e netos de colombianos. Calcula-se que, entre as décadas de 1970 e 1980, em torno de cinco milhões de colombianos tenham migrado à Venezuela, na época um país mais estável economicamente, favorecido pelos altos preços do petróleo. Já a Colômbia enfrentava uma guerra interna sangrenta e gravíssimos problemas de segurança. Hoje, os papéis se inverteram, e a esperança de um futuro melhor está do lado colombiano.
Embora os campos de refugiados sejam “a última opção” do governo Santos, já estão sobre a mesa. A tensão bilateral é cada vez maior e, nos últimos dias, elevou-se pela denúncia da Colômbia sobre a presença de agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) em seu território, durante recentes exercícios militares venezuelanos.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Venezuela: fim da farsa plebiscitária e início da tirania as claras - El Pais, El Litoral

Luisa Ortega, de fiscal de Chávez a testigo de cargo contra Maduro
Afonso Benites
El Pais, 25/082017

La exjefa del ministério público venezolano denuncia en Brasil las atrocidades del Gobierno
Destituida de la Fiscalía General de Venezuela, Luisa Ortega Díaz se ha transformado en la principal testigo contra el régimen del presidente Nicolás Maduro. Además de las denuncias de violaciones de los derechos humanos, similares a las difundidas en las últimas semanas por oposición y organismos internacionales, Ortega asegura que dispone de documentos para implicar al presidente y decenas de sus aliados en delitos de corrupción.
Parte de esas pruebas ya fueron entregadas a investigadores brasileños durante una reunión de fiscales sudamericanos en Brasilia. En los próximos días, Ortega promete entregar otros documentos a las fiscalías de España, Colombia y Estados Unidos. Los casos implican no solo a Odebrecht, el gigante de la construcción brasileña que ha admitido sus manejos corruptos en los principales países de América Latina, sino también a empresas vinculadas a los jerarcas del régimen, según Ortega, con sede en España y México. La fiscal ha señalado incluso a la empresa que abastece las cestas de alimentos que la población más pobre recibe del Estado venezolano.
En los dos días que pasó en Brasilia, Ortega se reunió con colegas fiscales y al menos otras dos autoridades, el ministro de Relaciones Exteriores, Aloysio Nunes, y el senador del partido de centro-izquierda Rede, en la oposición, Randolfe Rodrigues. A ambos relató principalmente una serie de atrocidades cometidas por el Gobierno de Maduro. Ortega, según han informado sus interlocutores, detalló que el magistrado Ángel Zerpa Ponte, que la defendió durante su proceso de destitución, está preso en una cárcel amarrado al lado de un retrete inmundo. Otra de las personas que la apoyaron, el general retirado Raúl Baudel, fue detenido por el servicio de inteligencia bolivariano y hace dos semanas nadie de sus familiares o amigos sabe de su paradeiro.
Según Ortega, al menos 37 presos políticos con órdenes judiciales de libertad continúan detenidos. La fiscal también se refirió a la desesperada situación de famílias que hurgan en los cubos de basura para encontrar alimentos o al centenar de muertos durante las protestas contra el régimen.
De entusiasta del chavismo, Ortega ha pasado a ser una nueva opositora con poderes para destapar la deriva represora y sangrienta de Maduro. “Lo que ella dice no puede ser ignorado. No se trata de un simple político opositor, es una antigua defensora del régimem de Hugo Chávez, fiscal general, que tiene pruebas de lo que dice. No es poca cosa”, afirmo el senador brasileño Rodrigues. En Brasil, ese parlamentario fue en su momento uno de los defensores del Gobierno de Chávez, contrario a cualquier sanción de su país a Venezuela, pero, ahora, después de conversar con la fiscal, dice que ha cambiado de idea. “No se trata ya del embate izquierda o derecha en el poder. Es una cuestión humanitaria. Creo incluso que Brasil debería llamar a su embajador en Caracas para que exigiese aclaraciones. Eso sería outro gesto duro contra ese Gobierno”, analizó.
El panorama que la fiscal destituida hizo a sus colegas sobre el Gobierno de Maduro es de una total vulneración de la Constitución que certifica el fin de Estado democrático de derecho. Sus relatos van en la misma línea de los hechos constatados por el Alto Comisariado de las Naciones Unidas para los Derechos Humanos (ACNUDH) a principios de mes. Y Ortega expresó en Brasil el temor de que algo similar ocurra en otros países del continente.
Después de su paso por Brasil, donde fue recibida como invitada especial de la reunión de fiscales, Ortega retornó a Colombia. El pasado día 20 huyó para ese país con otras tres personas, su marido, el diputado Germán Ferrer; una asistente, Gioconda González, y el fiscal anticorrupción Arturo Vilar.
Oficialmente, Ortega dice que aún no ha decido si aceptará las ofertas de asilo político de los gobiernos brasileño y colombiano. Su única certeza es que continuará su periplo por el mundo para denunciar las agresiones del actual presidente. La previsión es que participe en las próximas semanas de algún acto en Estados Unidos, cuando aprovechará para entregar documentos en aquel país y continuará la denuncia pública del régimen. En uno de los encuentros con las autoridades brasileñas esta semana la exfiscal general envió un mensaje a Maduro y a los que apoyan su Gobierno. “Si algo sucediese contra mi vida, ya saben quién debe ser responsabilizado”.

Presentará Pruebas Contra Maduro Y Cabello: Ex fiscal venezolana rechazó el asilo que le ofreció Temer
Telam/El Litoral (Argentina), 25/08/2017

La ex fiscal venezolana Luisa Ortega Díaz, quien salió de su país tras ser acusada de traición por el gobierno, afirmó en Brasilia que posee pruebas en al menos cuatro países para denunciar por corrupción al presidente Nicolás Maduro y al número dos del chavismo, Diosdado Cabello, y advirtió que el caso puede generar inestabilidad en la región.
El canciller de Brasil, Aloysio Nunes, afirmó que su gobierno le ofreció asilo a Ortega Díaz, pero ella respondió que por el momento prefería regresar a Colombia, adonde llegó la semana pasada por vía aérea tras escapar en lancha hasta Aruba.
“Voy a entregar pruebas a autoridades de distintos países para que se investigue, en virtud del principio de jurisdicción universal”, dijo Ortega Díaz al participar de una reunión de procuradores generales de los países miembros del Mercosur y los Brics, en Brasilia.
La ex funcionaria venezolana fue respaldada por el fiscal general de Brasil, Rodrigo Janot, quien sostuvo que la democracia está siendo víctima de una “vejación institucional” en Venezuela.
Ortega Díaz, quien llegó a Brasilia proveniente de Colombia, que también le ofreció asilo, afirmó que existen pruebas de corrupción que involucran a Maduro y a otros dirigentes del oficialismo venezolano, así como a empresas extranjeras, como la constructora brasileña Odebrecht.
De Cabello dijo que tiene pruebas de que recibió unos 100.000 dólares por parte de una empresa española.
La reunión de fiscales del Mercosur, de la cual participa la procuradora general argentina, Alejandra Gils Carbó, estuvo marcada por la conmoción política que causa el caso de Ortega Díaz.
La ex fiscal general dijo que pretende presentar la documentación sobre corrupción a las autoridades de Brasil, Estados Unidos y Colombia.
Durante la apertura de la XXII Reunión Especializada de Ministerios Públicos del Mercosur (Rempm), Ortega Díaz fue tratada como la “fiscal legítima” de Venezuela por Janot y sus pares.
Militante chavista y fiscal general de la República desde 2007, designada por iniciativa del entonces presidente Hugo Chávez, Ortega Díaz fue profundizando sus disidencias con el gobierno de Maduro hasta que fue echada del cargo.
Ortega calificó lo que ocurre en su país como “muerte del derecho” y advirtió que “lo que ocurre en Venezuela puede permear a toda la región”.

domingo, 20 de agosto de 2017

A "diplomacia da corrupcao" pode cair pela crise venezuelana - O Antagonista

Um lado menos conhecido do "lulopetismo diplomático": a colaboração com regimes amigos (muy amigos), unidos no Foro de São Paulo, mas sobretudo comprometidos com uma "diplomacia da corrupção", que fez com que uma companhia multinacional megacorruptora, a Odebrecht, se convertesse num "braço financeiro" da organização criminosa que atuou no Brasil entre 2003 e 2016 em suas interfaces externas, sobretudo em íntima conexão com regimes autoritários da África e da América Latina. O BNDES também foi envolvido no mesmo esquema, e algum dia saberemos toda a extensão da imensa rede de corrupção mantida pelos companheiros.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 20 de agosto de 2017

A responsabilidade de Lula no desastre chavista (1)

 
Luísa Ortega fugiu da ditadura de Nicolás Maduro.
Destituída do cargo de procuradora-geral e acusada por Tarek William Saab, aliado do ditador, de ser a “autora intelectual” das mortes das últimas semanas, ela foi da península venezuelana de Paranaguá para a ilha de Aruba, onde pegou um voo privado para Bogotá, na Colômbia.
Além de dois membros de sua equipe, Ortega aterrissou acompanhada de seu marido, o deputado Germán Ferrer, cuja imunidade parlamentar foi retirada pela Assembleia Constituinte chavista, que pediu que ele fosse processado por, supostamente, participar de uma rede de extorsão que exigia dinheiro de delinquentes para evitar o prosseguimento das acusações.
Tudo porque Ortega abriu inquérito para investigar as propinas da Odebrecht na ditadura erguida com apoio de Lula.

A responsabilidade de Lula no desastre chavista (2)

O motivo básico da “perseguição sistemática” a Luisa Ortega e seu pessoal de confiança pela ditadura de Nicolás Maduro são os subornos pagos pela Odebrecht a funcionários do governo venezuelano.
Foi o que a própria Ortega disse em áudio gravado de local desconhecido e divulgado pelo Ministério Público mexicano quando a procuradora-geral destituída pela Assembleia Constituinte chavista estava na ilha de Aruba, no meio de sua fuga para Bogotá.
“E isso os deixa muito preocupados e angustiados porque sabem que temos a informação e o detalhe de todas as operações e os montantes”, diz ela na gravação revelada durante a Cúpula dos Procuradores da América Latina.
“Temos o detalhe de toda a cooperação, os montantes e personagens que enriqueceram, e essa investigação envolve o Sr. Nicolás Maduro e seu entorno”, denunciou Ortega.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Venezuela: governo brasileiro faz planos para retirar brasileiros (Valor)

A questão está em saber se esses brasileiros serão retirados à revelia do governo venezuelano, que já recusou oferta de ajuda no passado, inclusive de tipo humanitário (remédios, matérial médico).
Responsabilidade DE proteger, e AO proteger?
Paulo Roberto de Almeida


Por Murillo Camarotto e Daniel Rittner | De Brasília
O governo está finalizando um plano de contingência para retirar brasileiros da Venezuela em caso de necessidade. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, disse ao Valor que o objetivo é viabilizar, entre outras coisas, uma estrutura mínima de assistência médica e alojamento para os cidadãos que precisarem deixar às pressas o país vizinho.
Segundo Etchegoyen, a ideia é ter algo parecido com o que foi posto em prática em 2011 para retirar brasileiros da Líbia, que na época vivia os conflitos resultantes da Primavera Árabe. Na ocasião, o plano para resgatar engenheiros e levá-los para a vizinha Malta foi desenvolvido em parceria com o governo italiano.
Na última década, o governo brasileiro também desenvolveu estratégias para receber cidadãos que queriam deixar a Síria e o Líbano. Um grupo de trabalho coordenado Subchefia de Articulação e Monitoramento da Casa Civil está à frente das discussões.
Etchegoyen fez questão de salientar que o plano de contingência será disponibilizado somente para quem quiser sair espontaneamente do território venezuelano, em um eventual agravamento da crise que assola o país. Com representação em Caracas, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitora a escalada da violência entre defensores e opositores do presidente Nicolás Maduro.
Fontes na diplomacia brasileira estimam que cerca de 30 mil brasileiros vivam atualmente na Venezuela. Uma parte significativa, entretanto, não está cadastrada no consulado. Ainda assim, o número elevado de pessoas inviabilizaria uma estratégia de resgate com aviões, restando apenas a via terrestre. Etchegoyen, contudo, não deu detalhes sobre a logística do plano.
Uma das maiores preocupações do governo é com o estrangulamento da infraestrutura da cidade de Paracaima, em Roraima, que já sofre com o grande fluxo de venezuelanos que fogem da violência em seu país.
"A questão venezuelana preocupa o Brasil, as Nações Unidas e todo o mundo. Temos abordado como uma questão humanitária, com carências e dificuldades graves. Já fizemos duas ofertas de ajuda, que foram recusadas pelo presidente Maduro", afirmou Etchegoyen, durante audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado.
Além da questão humanitária, o governo observa com atenção o ângulo estratégico da crise na Venezuela, que é a principal porta de saída do Brasil para o Caribe. "Como maior país da América do Sul, com metade da economia e da população da região, também temos que arcar com a maior conta do condomínio", disse o general, referindo-se ao tamanho do papel do Brasil na crise.
Ele destacou ainda a existência de "elementos extrarregionais" na instabilidade venezuelana, citando como exemplo a grande quantidade de cubanos que vive no país. Essas questões também estão sendo observadas com atenção pelo governo brasileiro.
Após a criação de uma contestada Assembleia Constituinte, a Venezuela foi suspensa do Mercosul. Os chanceleres dos países fundadores do bloco justificaram a medida como última opção às fracassadas tentativas de diálogo. Dias depois, o secretário da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse que "não há vestígio de democracia" na Venezuela.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Venezuela: um Estado falido - Paulo Paranagua

Analyse 
Imposture populiste au Venezuela 


Paulo A. Paranagua10/05/2017
Service International 
Au Venezuela, les manifestations contre le régime se ­succèdent, malgré une répression brutale. Il y a une ­vingtaine d'années, un lieutenant-colonel parachutiste, Hugo Chavez, arrivait au pouvoir par les urnes, après avoir échoué à le faire par les armes. Il avait promis de combattre la corruption. Pendant sa longue présidence (1999-2013), le cours du pétrole est passé de 8 dollars le baril à 150 dollars. La manne pétrolière dont il a bénéficié a dépassé les 1 100 milliards de dollars. La moitié de cette somme ne figurait pas dans le budget de l'Etat, basé sur un cours du brut systématiquement sous-évalué, ni dans les comptes publics. C'est le hold-up du siècle.
Cette fortune a été versée à des cagnottes opaques, utilisées de manière discrétionnaire. Elle a alimenté le clientélisme chaviste et arrosé les soutiens du régime des deux ­côtés de l'Atlantique, qu'ils soient hommes politiques ou affairistes, journalistes ou universitaires. Les pétrodollars n'ont pas d'odeur. ­Légende noire ? En Argentine, une douanière zélée a découvert une valise provenant de ­Caracas avec 800 000 dollars, en pleine campagne pour la réélection de la présidente Cristina Kirchner. Et en Espagne, le fisc a coincé des dirigeants de Podemos (gauche radicale) qui avaient omis de déclarer des sommes ­reçues du Venezuela. Ces revenus pétroliers siphonnés ne sont pas inscrits dans les livres de comptabilité, contrairement aux pots-de-vin de l'entreprise brésilienne Odebrecht : une chance pour les propagandistes du ­chavisme invités au Cayena, luxueux hôtel de Caracas, aux frais de la princesse. Le ­Venezuela est un Etat corrompu et corrupteur.
Après quarante ans de démocratie civile, Hugo Chavez a remis en selle la tradition militariste du pays. Les militaires, qui n'ont ­jamais gagné une guerre, se posent en sauveurs de la patrie. Avec le chavisme, ils se sont enrichis, ils ont trempé dans les trafics d'armes, de drogues et de denrées alimentaires, alors que les Vénézuéliens subissent des ­pénuries. Ils ont leur propre entreprise pour l'exploitation pétrolière et minière. Le tiers des ministres, de nombreux gouverneurs et chefs d'entreprises publiques sont des gradés. Le ­Venezuela est un Etat militaire.
La nouvelle bourgeoisie « bolivarienne » a stimulé les appétits du crime organisé. Au lieu de le combattre, le populisme s'est appuyé sur la pègre, qui tient les prisons et contrôle des territoires. Les « collectifs » chavistes armés, chargés des basses oeuvres du régime, sont à la frontière de la politique et de la délinquance. L'explosion du nombre d'homicides - 21 752 en 2016, selon la procureure générale de la République, beaucoup plus selon des ONG - est le symptôme des déchirements du tissu social et d'une déliquescence des institutions. La plupart des juges sont soumis au pouvoir. Le président de la Cour suprême a un ­casier judiciaire, avec deux homicides. Le ­Venezuela est un Etat mafieux. Hugo Chavez a respecté les résultats électoraux tant qu'ils lui étaient favorables. Ce n'est plus le cas de son successeur, Nicolas Maduro. D'aucuns ont cru voir dans le bricolage institutionnel d'Hugo Chavez une forme de ­démocratie participative, capable de rééquilibrer la démocratie représentative. En fait, il a vidé de leur substance l'une et l'autre. Il n'était pas un bâtisseur, juste un démolisseur, qui faisait le vide autour de son leadership charismatique.
UN éTAT FAILLI
Sa Constitution stipule l'existence de cinq pouvoirs au lieu de trois : les autorités électorales sont censées être autonomes, tandis qu'un « pouvoir moral » regroupe le parquet, le médiateur et la Cour des comptes. Or la séparation des pouvoirs n'existe pas : l'exécutif commande au nom de la « révolution ­bolivarienne » et de « l'unité civico-militaire ». Le Venezuela n'est pas un Etat de droit, ni une République, mais un Etat failli.
Par ordre d'Hugo Chavez, l'ambassade vénézuélienne à Paris devait s'assurer que la vie du terroriste Carlos en prison soit la plus confortable possible. Cela va bien au-delà du devoir d'assistance consulaire. Ce mercenaire vénézuélien du terrorisme palestinien, trois fois condamné à la prison à perpétuité en France, est un héros national pour les chavistes. Base arrière de la guérilla des Forces armées révolutionnaires de Colombie, plate-forme du trafic de stupéfiants vers l'Europe, le Venezuela est impliqué dans un trafic de passeports au Moyen-Orient. Caracas est complaisant, si ce n'est complice, avec « narcos » et terroristes.
Hugo Chavez prétendait aider les pauvres avec ses programmes sociaux. Le populisme, la gabegie et les malversations ont plongé dans la pauvreté les trois quarts des Vénézuéliens, privés d'aliments, de médicaments et désormais du droit de vote, puisque les élections sont renvoyées aux calendes grecques. Depuis début avril, on assiste à un printemps vénézuélien. Le régime réprime et ses « collectifs » tuent par balles les opposants ou les mécontents qui manifestent dans la rue.
Hugo Chavez et Nicolas Maduro ont cherché une légitimité révolutionnaire du côté de Cuba. Fidel Castro a joué son rôle de mentor en échange de pétrole à prix d'ami et de devises pour ses services de santé. Ainsi, même le castrisme crépusculaire s'est fait rétribuer son soutien. Le « socialisme du XXIe siècle » de Chavez s'est donc construit sur les vestiges mal digérés du stalinisme du XXe siècle et une régression nostalgique vers le nationalisme du XIXe. Le chavisme a ruiné le Venezuela en moitié moins de temps que Castro l'a fait à Cuba, alors que l'économie cubaine avait pour seul carburant le sucre. Le populisme est l'imposture idéologique du XXIe siècle.

Venezuela: uma ditadura aberta, e assassina - Paulo Paranagua (Le Monde)

A matéria precede o ataque criminoso das milícias fascistas do chavismo contra a Assembleia venezuelana.
Paulo Roberto de Almeida

Au Venezuela, esquisse de convergence entre chavisme dissident et opposition
Paulo Paranaguá,
Le Monde, 6/07/2017
 
Les anti-Maduro organisent un référendum, le 16 juillet, pour déjouer la convocation d'une Assemblée constituante par le président

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La procureure générale de la République du Venezuela, Luisa Ortega, devenue l'égérie des chavistes dissidents, ne s'est pas présentée devant la Cour suprême où elle était convoquée mardi 4  juillet. Cette audience publique devait examiner la plainte du député chaviste Pedro Carreño, qui accuse la magistrate de " fautes graves dans l'exercice de sa fonction ". La Cour, soumise au pouvoir, lui avait interdit de quitter le territoire et avait saisi ses biens. Des perquisitions ont été menées au siège du ministère public. Le gouver-nement du président Nicolas -Maduro veut se débarrasser de la procureure.
Mme  Ortega ne s'est pas laissée démonter. Elle a récusé les dix-sept juges de la Cour suprême qui doivent statuer sur son cas, désignés sans respecter les normes constitutionnelles. Elle a contre-attaqué en demandant aux Etats-Unis des informations sur les deux neveux de Cilia Flores, l'épouse du président Maduro, jugés par un tribunal de New York pour trafic de stupéfiants. Au cours d'une conférence de presse, à Caracas, elle a réaffirmé sa position : " La décision de -Nicolas Maduro de convoquer une Assemblée constituante est contraire à la Constitution. " A son avis, le Venezuela connaît un " coup d'Etat " perpétré par le pouvoir contre les institutions indépendantes, comme le ministère public ou le Parlement.
Lundi, Mme  Ortega avait donné une preuve de son indépendance en se présentant devant le Parlement, contrôlé par l'opposition. Les députés chavistes avaient déserté l'hémicycle, à l'exception de son époux, German Ferrer, unchaviste et ancien guérillero réputé. Pour la première fois, le chavisme dissident, représenté par la procureure générale, et les opposants au régime de M.  Maduro joignaient leurs voix. Jusqu'alors, les uns et les autres hésitaient à se montrer ensemble et à avouer la moindre convergence. D'après l'analyste Luis Vicente Leon, " la massification de la protestation de la rue " et l'élargissement de la " fracture du chavisme " sont les deux conditions pour envisager une solution démocratique à la crise vénézuélienne.
Pouvoir d'achat ravagé
Depuis trois mois, les manifestations se succèdent quasiment tous les jours. La répression brutale, critiquée par les défenseurs des droits de l'homme mais aussi par Mme  Ortega, a provoqué au moins 90 morts, la plupart d'entre eux tués par balles. Les pénuries, le pouvoir d'achat ravagé par l'hyperinflation et l'effondrement du système de santé provoquent des explosions sociales localisées et des saccages. Le gouvernement refuse l'aide humanitaire internationale pour ne pas avouer son échec.
" Je ne suis responsable ni de la famine ni des pénuries ", a déclaré la procureure générale, pour mieux souligner les responsabilités gouvernementales. La conférence des évêques vénézuéliens s'est exprimée dans le même sens, mardi : le peuple a besoin de " nourriture, de médicaments et de liberté ", pas d'une nouvelle -Constitution. Forte du soutien du pape François, l'Eglise catholique qualifie la convocation d'une Assemblée constituante de " formule communiste d'organisation de la société ".
L'élection de la Constituante a été fixée au 30  juillet. Lundi, l'opposition a décidé d'organiser un référendum, le 16  juillet, sur l'opportunité de l'action du gouvernement : " Que ce soit le peuple qui décide s'il rejette ou refuse la Constituante convoquée de manière -inconstitutionnelle par Nicolas Maduro ", a justifié le président du Parlement, Julio Borges. Sans compter sur le Conseil national électoral, aux ordres du pouvoir, les opposants veulent placer des urnes dans " chaque paroisse ", sans doute avec la collaboration de l'Eglise. Selon M.  Leon, cette initiative " vise à montrer la différence entre la gigantesque abstention " prévisible le jour de l'élection de la Constituante et la " participation massive " au référendum organisé par les opposants, à deux semaines d'intervalle.
A Caracas, des observateurs souhaitent la formation d'un gouvernement de transition d'union nationale, avec des opposants et des chavistes critiques à l'égard de M.  Maduro. Une telle solution négociée de la crise dépend de l'attitude des militaires. Le projet de référendum appelle d'ailleurs les forces armées à défendre la Constitution. " L'obscurité ne dure pas toujours ", assure Luisa Ortega.
Paulo A. Paranagua

terça-feira, 6 de junho de 2017

Por uma Venezuela novamente democratica - Aloysio Nunes


 
Defendemos o respeito aos princípios democráticos para que o povo venezuelano possa voltar a ser senhor do próprio destino.
Participei, no dia 31, da 29.ª Reunião dos Ministros das Relações Exteriores da Organização dos Estados Americanos (OEA), convocada para tratar da crise política e humanitária na Venezuela.
O que motivou a Reunião de Chanceleres foi a constatação de que o estado democrático de direito deixou de vigorar na Venezuela.
O que vemos diariamente naquele país é a arbitrariedade de um governo que cerceia as liberdades fundamentais de seus cidadãos, destrói a independência do Judiciário, ignora a voz do Legislativo, sufoca a oposição e se nega a organizar eleições. 
Prisioneiros políticos e de consciência lotam os porões do regime. O saldo crescente de mortos e feridos, resultante dos confrontos entre oposicionistas e forças governamentais nas ruas, é um verdadeiro escândalo em uma região que fez uma escolha decidida pela paz, pela democracia, pelos direitos humanos e pela busca do desenvolvimento.
Podemos ter opiniões diversas, do ponto de vista político ou ideológico, sobre o governo venezuelano, mas o fato inegável é que, a cada dia, aumenta o número de cidadãos venezuelanos vitimados por uma impiedosa repressão governamental. Até quando isso vai continuar?
Não podemos deixar o povo venezuelano desamparado. Nosso continente já sofreu demais o flagelo do autoritarismo, por isso qualquer ameaça de retrocesso nos toca profundamente e exige nossa ação.
O governo brasileiro está firmemente comprometido com a criação das condições para uma saída política e pacífica para a Venezuela, que deve ser encontrada pelos próprios venezuelanos com o apoio e a facilitação de um grupo representativo de países e da OEA.
Entre os países-membros da OEA, há reconhecimento generalizado da gravidade da crise, da urgência de um fim imediato para a violência e da necessidade de um diálogo efetivo, real, entre o governo e a oposição, com vistas à definição de um cronograma de transição política pacífica.
O grupo de países composto por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Panamá, Peru e Uruguai já apresentou uma proposta sólida para avançar nesse sentido.
Preocupa-nos, em especial, a convocação pelo governo venezuelano de uma Assembleia Constituinte segundo procedimento que está à revelia do princípio do sufrágio universal inscrito na própria Constituição bolivariana.
Trata-se de medida que, além de alijar ainda mais o Poder Legislativo legítimo, provocará seguramente, se não for revertida, a radicalização cada vez maior da crise política e o alastramento da violência.
Estamos trabalhando com os países caribenhos da OEA para aproximar a proposta deles da nossa e, assim, fortalecer nossa atuação conjunta em defesa da democracia e da paz na Venezuela. A Reunião de Chanceleres em Washington demonstrou que estamos unidos no firme propósito de ajudar os venezuelanos a alcançar uma solução para a crise o mais rápido possível.
Não posso deixar de enfatizar a trágica dimensão humanitária da crise. Milhares de cidadãos venezuelanos atravessam todos os dias a fronteira com o Brasil. Vêm ao nosso País compelidos pela escassez na Venezuela de gêneros indispensáveis à sobrevivência.
O governo da Venezuela não pode restringir mais a entrada no país e a distribuição, sem discriminações, de alimentos e medicamentos para socorrer sua população.
A crise humanitária é consequência direta da privação de direitos sofrida pelos venezuelanos. Defendemos o respeito aos princípios democráticos para que o povo da Venezuela possa voltar a ser senhor do próprio destino. A soberania e a autodeterminação na Venezuela precisam emanar de um povo capaz de participar ativamente da vida da nação, em ambiente democrático verdadeiramente livre. Somente na democracia é possível trilhar o caminho da paz social e da prosperidade, que é o que nós brasileiros desejamos aos irmãos venezuelanos.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Venezuela: a construção do desastre - José Nino (Mises)

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Venezuela Before Chavez: A Prelude to Socialist Failure
05/04/2017José Niño
This is Part One of a two-part series. Part Two is here.

Venezuela’s current economic catastrophe is well documented. Conventional narratives point to Hugo Chávez’s regime as the primary architect behind Venezuela’s economic tragedy. While Chávez and his successor Nicolás Maduro deserve the brunt of the blame for Venezuela’s current economic calamity, the underlying flaws of Venezuela’s political economy point to much more systemic problems.
Observers must look beyond stage one, and understand Venezuela’s overall history over the past 50 years in order to get a more thorough understanding of how the country has currently fallen to such lows.

Socialism Before Chávez
Analysts like to point to rosier pictures of Pre-Chávez Venezuela, but what these “experts” conveniently ignore is that the seeds of Venezuela’s destruction were sowed during those “glory years.” Years of gradual economic interventionism took what was once a country bound to join the ranks of the First World to a middle-tier developing country. This steady decline eventually created an environment where a demagogue like Chávez would completely exploit for his political gain.

The Once-Prosperous Venezuela
To comprehend Venezuela’s long-term decline, one must look back at what made it so prosperous in the first place. Before the completion of its first oil field on April 15, 1914, Venezuela was essentially a Banana Republic marked by political instability. This was largely a consequence of its colonial past and the period following its independence from Spain. Despite gaining independence from Spain, Venezuela maintained many of its primitive political and economic practices, above all, its exclusionary mercantilist and regulatory policies that kept it in an impoverished state.
However, the discovery of oil in the early twentieth century completely changed the entire ballgame. The powerful agricultural aristocracy would be supplanted by an industrialist class that sought to open its oil markets to multinational exploitation and foreign investment. For the first time in its history, Venezuela had a relatively liberal, free market economy and it would reap countless benefits in the decades to come.
From the 1910s to the 1930s, the much-maligned dictator Juan Vicente Gómez helped consolidate the Venezuelan state and modernized an otherwise neocolonial backwater by allowing market actors, domestic and foreign, to freely exploit newly discovered oil deposits. Venezuela would experience substantial economic growth and quickly establish itself as one of Latin America’s most prosperous countries by the 1950s.
In the 1950s, General Marcos Pérez Jiménez would continue Gómez’s legacy. At this juncture, Venezuela was at its peak, with a fourth place ranking in terms of per capita GDP worldwide.

More Than Just Oil
While oil exploitation did play a considerable role in Venezuela’s meteoric ascent from the 1920s to 1970s, this only scratches the surface in explaining how Venezuela became so prosperous during this period. A combination of a relatively free economy, an immigration system that attracted and assimilated laborers from Italy, Portugal, and Spain, and a system of strong property rights, allowed Venezuela to experience unprecedented levels of economic development from the 1940s up until the 1970s.
As mentioned earlier, Venezuela was at the height of its prosperity during the military dictator Marcos Pérez Jiménez’s regime. Like Juan Vicente Gómez’s regime, Pérez Jiménez’s stewardship of Venezuela was characterized by heavy political repression.
Venezuela’s capitalist structure remained largely intact during Pérez Jiménez’s tenure, albeit with creeping degrees of state involvement. Pérez Jiménez did introduce some elements of crony capitalism, pharaonic public works projects, and increased state involvement in “strategic industries” like the steel industry. Nevertheless, the Pérez Jiménez regime was open to foreign investment, let the price system function normally in most sectors of the economy, and did not embark on creating a profligate welfare state.

The Road to Social Democracy
Despite the prosperity brought about by Venezuela’s booming economy in the 1950s, Marcos Pérez Jiménez’s government drew the ire of many left-leaning activists due its heavy-handed measures. The tipping point came in 1958, when these leftist activists, working in tandem with a sympathetic military, successfully overthrew Pérez Jiménez in a coup. Pérez Jiménez would live the rest of his life in exile and would be a figure of derision among Venezuelan intellectual and political elites, despite the unprecedented economic and social development under his watch.
Following the 1958 coup, naval officer Wolfgang Larrázabal occupied the presidency briefly until general elections were held later that year. Notable social democrat political leader Rómulo Betancourt would come out on top in these elections and assume the presidency from 1959 to 1964. The Fourth Republic of Venezuela — Venezuela’s longest lasting period of democratic rule, was established under Betancourt’s administration. In 1961, a constitution was introduced, dividing the government into 3 branches — executive, legislative, and judicial — and establishing an activist role for the Venezuelan state in economic affairs.
This political order was further consolidated by the establishment of the Punto Fijo Pact. The Punto Fijo Pact consisted of a bipartisan agreement between two political parties — Acción Democratica (Democratic Action) and COPEI (Christian Democrats) — that laid the foundation for a social democratic political order and alternation of power between the two parties.
What seemed like a genuine move toward democratic stability, Venezuela’s Fourth Republic marked the beginning of a process of creeping socialism that gradually whittled away at Venezuela’s economic and institutional foundations.

The Socialist Origins of Venezuela’s Pro-Democracy Advocates
Venezuela’s current collapse did not happen overnight. It was part of a drawn out process of economic and institutional decay that began decades before.
When Venezuela returned to democracy in 1958, it looked like it was poised to begin an era of unprecedented prosperity and political stability.
However, Venezuela’s democratic experiment was doomed from the start, and one needn’t look any further at the political background of its very own founder, Rómulo Betancourt, to understand why it’s entire political system was built on a house of cards.
Rómulo Betancourt was an ex-communist who renounced his Marxist ways in favor of a more gradualist approach of establishing socialism. Despite evolving into more of a social democrat, Betancourt still believed in a very activist role for the State in economic matters.
Betancourt was part of a generation of intellectuals and student activists that aimed to fully nationalize Venezuela’s petroleum sector and use petroleum rents to establish a welfare state of sorts. These political figures firmly believed that for Venezuela to become a truly independent country and free itself from the influence of foreign interests, the government must have complete dominion over the oil sector.
Under this premise, a nationalized oil industry would finance cheap gasoline, “free” education at all levels, healthcare, and a wide array of other public services.
This rhetoric strongly resonated among the lower and middle classes, which would form the bulwark of Betancourt’s party, Acción Democrática, voter base for years to come.
At its core, this vision of economic organization assumed that the government must manage the economy through central planning. Oil would be produced, managed, and administered by the state, while the government would try to phase out the private sector.
Interventionism from the Start
Betancourt’s administration, while not as interventionist as succeeding 4th Republic governments, capped off several worrisome policies, which included:
  1. Devaluation of the Venezuelan currency, the Bolívar.
  2. Failed land reform that encouraged squatting and undermined the property rights of landowners.
  3. The establishment of a Constitutional order based on positive rights and an active role for the Venezuelan state in economic affairs
Betancourt’s government followed-up with considerable tax hikes that saw income tax rates triple to 36%. In typical fashion, spending increases would be accompanied with these increases, as the Venezuelan government started to generate fiscal deficits because of its out of control social programs. These growing deficits would become a fixture in Venezuelan public finance during the pre-Chávez era.

The Nationalization of the Oil Industry
While Betancourt did not achieve his end goal of nationalizing the Venezuelan oil industry, his government laid the foundation for subsequent interventions in that sector.
Thanks to the large oil boom of the 1970s, the government of Carlos Andrés Pérez capitalized on the unprecedented flow of petroleum rents brought about by the 1970s energy crisis where oil-producing countries like Venezuela benefited handsomely from high oil prices.
Betancourt’s vision was finally achieved in 1975, when Carlos Andrés Pérez’s government nationalized the petroleum sector. The nationalization of Venezuela’s oil industry fundamentally altered the nature of the Venezuelan state. Venezuela morphed into a petrostate, in which the concept of the consent of the governed was effectively turned on its head.
Instead of Venezuelans paying taxes to the government in exchange for the protection of property and similar freedoms, the Venezuelan state would play a patrimonial role by bribing its citizens with all sorts of handouts to maintain its dominion over them. 
On the other hand, countries based on more liberal frameworks of governance have citizens paying taxes, and in return, these governments provide services that nominally protect the life, liberty, and property of its citizens. The state is not the owner, thus giving the citizens a strong check against the Leviathan should the government overstep its boundaries.

Oil Nationalization: A Pig Trough for Politicians
Pérez would take advantage of this state power-grab to finance a profligate welfare state and a cornucopia of social welfare programs that resonated strongly with the populace. As a result, deficit spending became embraced by the political class and increasing levels of foreign and public debt would become the norm in Venezuelan fiscal affairs.
At this juncture, Venezuela’s economy became overwhelmingly politicized. Oil boom periods were characterized by an inflow of petrodollars that the state used for pharaonic public works and social projects as a means to pacify the populace.
In reality, no real wealth creation took place during these boom periods, as the state redistributed the rents according to political whims and usurped functions traditionally held by civil society and private economic actors. When politicians and bureaucrats oversee businesses, decision-making is based on partisan and state interests rather than efficiency and consumer preferences.
Although the nationalization of the petroleum industry did not result in an immediate economic downturn, it laid the groundwork for institutional decay that would clearly manifest itself during the 80s and 90s.

Venezuela: Forty Years of Economic Decline
This is Part Two of a two-part series. Part One is here.

The brunt of the blame for Venezuela’s current economic catastrophe should fall on Hugo Chávez and his successor Nicolás Maduro. However, this does not mean that all was well in Venezuela before Chávez arrived on the scene. The ideological and institutional seeds of the current crises were sown decades earlier. A rising tide of government interventions in the marketplace during the 1960s and 1970s would soon lead to a host of new problems for Venezuela.

The Oil Boom Party Ends
The 1970s looked like a never-ending boom period for Venezuela thanks to high oil prices. The then-President Carlos Andrés Pérez took full advantage of this boom to implement his lavish social spending program. Eventually, the boom period came to a crashing halt by the early 80s, and Venezuela had to face a harsh economic downturn.
Luis Herrera Campins would succeed Carlos Andrés Pérez’s government. From the start, he came to the realization that Pérez’s spending bonanza was unsustainable. In fact, Herrera had choice words for Pérez's policies, claiming that Pérez left him a "mortgaged" country.
Although Herrera was correct in his assessment of the Pérez administration’s fiscal irresponsibility, he would ironically continue more of the same cronyist policies as his predecessor. The chickens eventually came to roost as Venezuela experienced its very own “Black Friday.”
What once was one of the world’s most stable currencies, the Bolívar, experienced it’s most significant devaluation to date. Unfortunately, Herrera’s administration responded with heavy-handed exchange controls to stem capital flight. These controls would be administered by an agency called the “Differential Exchange Rate Regime” (RECADI), effectively creating a multi-tiered system of exchange rates.
Considerable corruption scandals emerged during the succeeding government of Jaime Lusinchi, as countless members of the political class would exploit the multi-tiered exchange rate system for their own gain.
Despite its abolition in 1989, RECADI would serve as a precursor to the byzantine exchange rate systems that the Commission for the Administration of Currency Exchange (CADIVI) and its successor, the National Center for Foreign Commerce (CENCOEX), would later preside over during the United Socialist Party of Venezuela’s period of dominance throughout the 2000s.
All in all, Venezuela’s Black Friday devaluation marked the beginning of a lost decade of sorts for Venezuela throughout the 1980s that set the stage for subsequent devaluations, currency controls, and irresponsible fiscal policy further down the line.

IMF to the Rescue?
Rising poverty rates, increased foreign and public debt, corrupt state enterprises, and burdensome regulations contributed to an environment of growing social tension and economic malaise throughout the 1980s. Venezuela’s previous growth miracle became an afterthought at this point. And it’s golden goose, oil, could not bail it out thanks to the low oil prices of the 1980s.
For Venezuela to right its ship, it would have to undergo painful fiscal reforms.
Ironically, it was Carlos Andrés Pérez that was entrusted with reigning in the excessive government largesse; the very same leader that established Venezuela’s profligate welfare state and laid the foundations for its collapse in the 1980s.
In 1988, Pérez campaigned on a platform that promised to bring back the splendor and prosperity of the 1970s. But once he assumed the presidency, Pérez realized that the Venezuela before him was on the verge of bankruptcy and crippled by excessive state intervention in the economy.
Under the auspices of the IMF, Pérez made a half-hearted attempt in reforming Venezuela’s broken petrostate. When broken down and analyzed, these reforms consisted of tariff reductions, tax hikes, flawed privatizations, and marginal spending cuts that ultimately did not address the underlying problems with the Venezuelan political economy — its flawed monetary policy, burdensome regulatory framework, and entrenched crony capitalist policies.
However, these reforms were too much for Pérez’s very own party, Acción Democrática (AD). AD was incensed by these reforms that hacked away at certain facets of the cronyist petrostate that it depended on to maintain its political power.
Of note, the phasing out of gas subsidies by the Pérez government — a popular social program that artificially kept gas prices low for the impoverished sectors of Venezuelan society — was used by the AD to channel discontent among the general populace.

Enter Hugo Chávez
Countless individuals would then take to the streets and protest the so-called “austerity” policies of the Pérez government. This eventually led to the infamous “Caracazo” incident in 1989, where the capital city of Caracas was engulfed in a series of protests, lootings, and riots. The government responded in a heavy-handed manner, leaving hundreds dead.
In the midst of the political chaos, radical groups took advantage of Venezuela’s political turmoil to advance their agenda. One of the most famous was then Lieutenant Colonel Hugo Chávez´s group, Revolutionary Bolivarian Movement-200 (MBR-200).
Chávez took advantage of the political disarray by consolidating an anti-government movement within the ranks of the Venezuelan military. This culminated in the failed coup attempts of 1992.
Even though Chávez was imprisoned for his coup attempt, Chavez’s agitation was enough to put the whole bipartisan Punto Fijo model into question. Eventually, corruption scandals and rising degrees of social unrest would whittle away at the Pérez administration’s legitimacy. The final nail in the coffin came when Pérez was impeached for corruption charges in 1992, thus putting the Punto Fjio model on the ropes.

Collapse of the Punto Fijo Model
Two coup attempts and the impeachment of Carl Andrés Pérez, marked the beginning of a tumultuous 1990s for Venezuela. The Venezuela of the 50s to 70s — characterized by its unprecedented economic prosperity and political stability — was starting to become a distant memory.
By 1994, the Punto Fijo model was in shambles as Rafael Caldera assumed the presidency under a new coalition, Convergencia (Convergence), of disaffected political parties.
Policywise, Rafael Caldera did not rock the boat. He pursued several of the IMF’s half measures, while not addressing structural problems such as the privatization of the oil industry, Venezuela’s downward spiraling monetary policy, and big business’s cozy relationship with the state. In addition, Caldera pardoned Hugo Chávez in 1994, rehabilitating him politically.
Thanks to the failed land reforms and housing subsidization polices pursued by the two major social democrat parties (AD and COPEI) during previous decades, major metropolitan areas like Caracas, Maracaibo, Maracay, and Valencia began to be populated by a growing subsect of impoverished Venezuelans. Chávez would tap into this low stratum of Venezuelan society and effectively turn them into shock troops for his campaign to radically transform Venezuela into a full-blown socialist state.

The Failure of the Social Democratic Era
It is undeniable that Venezuela’s social democratic consensus delivered sub-optimal results. From 1958 to 1998, Venezuela’s per capita GDP growth was a paltry -0.13 % indicating that the Venezuelan populace grew faster than the wealth produced in that time frame. In his book, Introduction to Economic Growth, Charles I. Jones classified the Venezuelan case as an example of a “growth disaster.” Venezuela was one of two countries in Latin America that suffered negative growth during this 40-year period, the other being Nicaragua, a country that suffered a costly civil war and was under the rule of a socialist government.
Chávez capitalized on this stagnation by launching a campaign against the bipartisan political consensus that ruled Venezuela at the time. Branding himself as a “Third Way” candidate, Chávez sought to provide an alternative to the perceived corruption of the Punto Fijo political order.
Despite the rosy rhetoric, Chávez was surrounding himself with hardened Marxists and other collectivist figures that were hell-bent on subverting Venezuela’s already fragile political order. Little did the disillusioned voters that cast a ballot for Chávez know what they were about to get themselves into.
Chavismo: Interventionism on Steroids
While Chávez may have been correct in pointing out the corruption of the old Punto Fijo order, he would ironically continue many of its failed policies throughout his regime, amplifying their disastrous effects and implementing them in a tyrannical fashion.
Currency controls, expropriations, price controls, and the use of the state-owned oil company, PDVSA, to finance lavish social spending programs were fixtures of Hugo Chávez’s socialist economic policy.
In addition, Venezuelan political institutions were completely eviscerated, media outlets were suppressed, and political activists were subject to numerous human rights violations under Chávez’s heavy-handed rule.
Chávez had the luxury of high oil prices from 2003 to 2010 to finance his socialist schemes and channel the petroleum rents to consolidate political support in the short term. But once oil prices plummeted, the laws of economics reared their ugly head and the system began to unravel in no time.
Even with Chávez’s death in 2013, his brand of tyrannical socialism has continued unabated under the rule of his successor, Nicolás Maduro.
The Venezuela that stands before us is a failed state. In an atavistic sense, Venezuela has returned to its 19th century state as an increasingly fragmented, political backwater.
Time will tell if the Venezuelan nation will continue to exist as a cohesive whole, or if certain sectors of Venezuelan society decide to blaze their own trail and start to break up the country.

Lessons Learned
If Venezuelans want to restore Venezuela to its once prosperous state, they must look back and understand the genesis of Venezuela’s current crisis.
It is myopic to pit the blame solely on demagogues and believe that things will be perfectly fine once the “right people” are put in charge. Political events like the rise of Hugo Chávez do not occur in a vacuum. Astute observers of political economy must analyze the overarching institutions and policies that create the type of political environment that enables authoritarians like Hugo Chávez to come into power.
The Venezuelan case serves as a strong warning to many a European country with crumbling welfare states and growing social discontent. Sooner or later, unsustainable transfer systems are bound to collapse and social disorder ensues.
Left unchecked, socialism only creates a vicious cycle of interventionism that leads to more chaos and misery. To reach the light at the end of the tunnel, Venezuela must completely abandon socialism and embrace the capitalist path to prosperity.